Arquivos por categoria: Emergente


A “igreja emergente” é um movimento jovem envelhecido rapidamente porque…

1. Se inclina a causar agito político quando deveria estar agitando o mundo para Cristo
2. Tem falta de fome e anseio pela salvação de pessoas, de paixão por ver pessoas se apaixonando por Jesus e de um senso que há coisas em jogo aqui que têm consequências tanto terrenas como eternas…
3. Parece cada vez mais ser a nova forma evangélica da velha Teologia da Libertação dos anos 70
4. Comete o erro de separar a Pessoa de Jesus dos Seus ensinamentos
5. Desconstrói tudo, incluindo os credos históricos da Igreja e a inspiração divina de todo o cânon bíblico
6. Se alegra em espalhar mais dúvida do que fé

- Leonard Sweet em “A Response to My Critics”

Desde que o PLC 122/06 se tornou do conhecimento público, uma grande controvérsia se levantou entre os cristãos em torno do mesmo. De um lado, há aqueles que são totalmente contra e têm manifestado seu posicionamento de forma pública e, às vezes, veemente. Do lado oposto, há os que, defensores dos direitos humanos e contra injustiças sociais, são favoráveis à causa gay e encaram o primeiro grupo como reacionários fundamentalistas e outros termos mais depreciativos. E tem uma parcela silenciosa, possivelmente enxergando os pontos de vista de cada lado, mas não se identificando com nenhum deles, esperando que tudo isso acabe logo e que, para o bem de todos, a “paranóia dos fundamentalistas” se revele como falsa.

Não sou homofóbico. Qualquer pessoa que me conhece realmente ou já meu ouviu falar sobre a questão da homossexualidade, sabe isso. A única maneira de me rotular de homofóbico seria equiparar homofobia à minha confissão de fé. Neste caso, confesso, acredito que o sexo de acordo com dos propósitos de Deus deva ser praticado entre um homem e uma mulher dentro da aliança do casamento. Qualquer expressão sexual fora disso é pecado, claramente expresso na Bíblia. Isto não quer dizer que tenho todas as respostas para a questão da homossexualidade. O assunto é mais complexo do que apenas dizer que é pecado (e, como já disse, creio que é pecado). Mas quando reduzimos a questão a tão somente dizer que é pecado, temo que estejamos tornando verdade o que uma amiga que conhece de perto a condição homossexual disse: “Nem o Estado nem o Clero os compreende nem tão pouco os ama ou deseja profundamente defendê-los.”

Todavia, o que tem me deixado cada vez mais incomodado é a postura dos que se auto-denominam cristãos ou seguidores de Jesus no que diz respeito ao PLC 122/06. Parece-me que este é o “assunto proíbido” do momento. Se não for para apoiar, não se fala nada a respeito. Como disse Luiz Felipe Pondé em sua coluna semanal na Folha: Todos têm medo de dizer qualquer coisa que não seja “gay é lindo.”

 Posso estar completamente enganado, mas penso que as razões para isto são as seguintes:

Muitos cristãos sinceros não entenderam que o PLC 122/06 não é contra homofobia, mas contra a liberdade de expressão. Não é à toa que tem sido rotulado de “cala-boca” e “lei da mordaça” por seus oponentes. A Senadora Marta deixou isto muito claro ao propor uma emenda que garantiria aos cristãos o direito de expressar suas crenças à respeito da homossexualidade dentro dos templos (mas não fora deles?) O que estão querendo fazer? Empurrar os cristãos para dentro do ármario, para uma fé privada dentro dos templos? Isto significa que qualquer registro de audio, vídeo ou em forma escrita de opiniões contrárias a prática da homossexualidade poderia ser usado contra seus autores caso seja divulgado fora templo? O PLC 122/06 é uma tentativa violenta de calar a boca de quem discorda da prática da homossexualidade com ameaças de punições que não existem nem para outros casos de constrangimento sexual. Enfim, os problemas legais com relação ao PLC 122/06 são muitos e é preciso tapar os olhos com as duas mãos para ignorá-los completamente.

Muitos cristãos pós-modernos adotaram um visão liberal da Bíblia e já não acreditam que a prática da homossexualidade seja pecado. Aliás, não acreditam em nenhum tipo de pecado pessoal, quando muito só no pecado social e talvez institucional. As escolhas humanas são apenas uma questão de escolha, de ética que muda conforme os tempos e costumes dos povos. Qualquer tentativa de identificar um determinado comportamento como sendo pecaminoso é visto como moralismo religioso e logo já começam as acusações de “fundamentalista”. Os problemas desta visão relativista do mundo são muitos e, francamente, não entendo como alguém que diz seguir Jesus pode embarcar num barco tão furado assim. Talvez seja uma tentativa de manter sua “fé cristã” enquanto busca ser relevante, esquecendo-se do que João disse: a amizade com o mundo (sistema/padrão de pensamento que rege as pessoas que não seguem a Verdade) se torna inimizade para com Deus.

Há muitos que, mesmo não sendo favoráveis à prática da homossexualidade, preferem ficar em silêncio porque acreditam que se manifestar contra o PLC 122/06 é sujar a causa de Cristo, demonstrando falta de amor a todas as pessoas, independente de seu pecado. Muitos pensam que a melhor maneira de demonstrar amor pelo homossexual é não tocar no assunto, para não dar a falsa impressão de que são contra os homossexuais como pessoas criadas à imagem e semelhança de Deus. Entendo este receio. É realmente muito difícil dizer a uma pessoa que você a ama, mesmo discordando de algo que é precioso para ela. Mas não creio que o silêncio, neste caso, seja a melhor resposta. Pois, como já foi apontado por alguns, se o PLC 122/06 for aprovado como está, poderá aprofundar o risco da homofobia e violência contra homossexuais. Portanto, se alguém realmente acredita que a prática homossexual seja contrária à vontade de Deus, mas deseja demonstrar amor e apoio à pessoa do homossexual, inclusive defendendo sua integridade física e seus direitos como cidadão (e creio que todo seguidor de Jesus deveria fazer isso), creio que seria melhor sair do silêncio para encarar a realidade da ameaça do PLC 122/06.

Sinceramente, tenho problemas com todos os posicionamentos acima. Condeno o PLC 122/06 como projeto que ameaça a liberdade de expressão do pensamento e por isto tenho me manifestando publicamente contra este projeto de lei. Mas não me sinto confortável com o modo como muitos pregadores se dirigem a esta ameaça. O tom veemente de muitos soa mesmo como homofobia. Isto é um problema para mim e, creio, para o Evangelho de Cristo. Ao mesmo tempo, não acredito no liberalismo teológico. Para mim, liberalismo teológico não é apenas ultrapassado intelectualmente, mas o único fruto que ele traz é morte espiritual. Portanto, ainda que eu não tenha respostas para muitas questões, não estou disposto a sacrificar a verdade bíblica no altar do relativismo pós-moderno. E, conquanto acredito que precisamos tomar todo cuidado para não transformar a Causa de Cristo num embate político/ideológico e não comunicar a mensagem errada à comunidade gay (uma mensagem de ódio e repulsa em vez de amor), creio que o silêncio acerca do PLC 122/06 não é uma opção diante do risco que ele representa. Por isto acredito que precisamos encontrar meios legítimos de nos manifestar antes que seja tarde demais.

Não se engane: o PLC 122/06 não é contra homofobia, é contra a liberdade de expressão.

CapaCH21
A edição 21 da revista Cristianismo Hoje traz um artigo sobre os “evangélicos alternativos” que vale a pena conferir. Escrito por Brett McCraken, autor do livro Hipster Christianity, e adaptado para publicação na edição brasileira pelo jornalista Carlos Fernandes, o artigo incluiu o Projeto 242 e a Caverna de Adulão como expressões nacionais deste movimento de igrejas alternativas. Abaixo está a entrevista completa que concedi por e-mail para a revista e que foi parcialmente citada no artigo.

O Projeto 242 tem uma proposta alternativa em relação aos métodos convencionais de comunhão cristã e evangelismo. Como pode ser resumida sua atuação?
A proposta do Projeto 242 é viver a tensão de ser uma comunidade conservadora teologicamente e liberal culturalmente. Mantemos as crenças essenciais do Cristianismo, tais como na Trindade, Criação, Queda, Redenção, além dos cinco solas da Reforma, mas procuramos comunicar e viver estas crenças dentro do contexto cultural e urbano no qual estamos inseridos.

Você conhece o modelo de cristianismo hipster, atualmente em curso na América? Há algum ponto de interseção entre o trabalho de vocês e este modelo?
Conheço sim o que tem sido chamado de cristianismo hipster, comprei o livro do Brett McCraken sobre o assunto em novembro passado. No Projeto 242 não estamos tentando ser hipster, modernos ou descolados. Não é esta nossa motivação. Para ser sincero, tenho medo de que possamos nos tornar no “point cristão da hora”, na igreja do momento, na bola da vez. Não estamos atrás de um modismo, mas de um estilo de vida que têm atravessado 2 mil anos, às vezes se adaptando a cultura, outras contestando-a e subvertendo-a, mas sempre fundamentado na vida, obra e mensagem revolucionárias de Jesus Cristo. Portanto, creio que a única interseção entre nós e as igrejas hipsters é que, possivelmente, compartilhamos de uma linguagem cultural e artística parecida, contextualizada à cultura jovem global.

Os movimentos cristãos de perfil mais alternativo muitas vezes atuam de forma crítica em relaçao à Igreja chamada institucionalizada. Falando em termos gerais, de que maneira você enxerga esse processo? É possível uma vida cristã plena fora da Igreja? Por outro lado, não considera legítimo que pessoas que tenham sérias críticas ao modelo convencional (inclusive, gente que foi vítima de igrejas ou líderes centralizadores/abusadores) busquem esse tipo de vivência cristã?
A melhor crítica que tenho a oferecer em relação à igreja institucionalizada são os 13 anos de existência do Projeto 242. Minha crítica não são meros argumentos, mas a experiência de vida de uma comunidade que tem procurado reverter em sua prática aquilo que ela enxerga como errado no Cristianismo atual. Tanto eu como boa parte dos membros do Projeto 242 também já nos frustramos com certas experiências eclesiásticas, já cruzamos pelo caminho de lideranças manipuladoras e abusadoras da boa fé, mas não acreditamos que o isolamento seja a melhor resposta. Não existe o seguir Jesus sem comunidade, sem igreja. Isso vai contra a natureza do Deus que é Trino.

Como o seu ministério se relaciona com as outras iniciativas do mesmo gênero? Existe algum fórum de comunhão ou fraternidade, além de canais de colaboração?
O Projeto 242 é parte da associação de igrejas Steiger, uma organização missionária internacional dedicada a alcançar jovens secularizados, apontando-os para um relacionamento com Jesus Cristo e ajudando-os a cumprir com o chamado de Deus para suas vidas. Além disso buscamos manter amizades com outras comunidades que partilham dos mesmos interesses que nós para trocar experiências e aprender uns com os outros.

Que tipo de pessoa procura o Projeto 242? Quantas pessoas estão envolvidas diretamente no trabalho?
O Projeto 242 existe para pessoas que não se encaixam em certas estruturas eclesiásticas com tradicionalismo rígido e liturgias conservadoras ou pessoas que desejam conhecer mais sobre Deus e Jesus, mas fogem das igrejas tipo templo-teatro-mercado da fé. Somos uma comunidade de pouco mais de 100 pessoas que se reúnem para os cultos e se identificam como membros.

O movimento cristão hipster surgiu nos Estados Unidos na esteira de outros movimentos cristãos, como o Jesus Movement e o evangelismo dos anos 1980, e, de forma direta, é uma reação à moda das megaigrejas. Falando em termos de Brasil, de que modo você, particularmente, tem visto as últimas tendências evangélicas (teologia da prosperidade, movimento de louvor e adoração, evangelismo explosivo)?
Muitas das tendências evangélicas modernas no Brasil são frutos do pior que o evangelicalismo norte-americano já produziu. Vejo com tristeza o fato de que boa parte do Igreja Brasileira se parece muito com o que foi dito do Cristianismo Africano: tem 20km de extensão e 2 centímetros de profundidade. Minha esperança é que pequenas iniciativas de comunidades comprometidas mais com o Evangelho de Jesus do que com o sucesso ministerial a qualquer custo, possam ajudar a mudar este cenário.