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	<title>Sandro Baggio &#187; Igreja</title>
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	<description>Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.</description>
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		<title>ar fresco na igreja brasileira</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Sep 2011 15:04:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por mais da metade de minha vida até aqui, tenho tido o privilégio de viajar a muitos lugares ao redor do mundo, conhecer muita gente e ficar pasmo diante da beleza e diversidade da Criação de Deus. Como cristão, minha maior alegria nestas viagens, no entanto, é perceber o que Deus está fazendo em cada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/09/webbanner240x400.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1920" title="webbanner240x400" src="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/09/webbanner240x400.jpg" alt="" width="240" height="400" /></a><br />
Por mais da metade de minha vida até aqui, tenho tido o privilégio de viajar a muitos lugares ao redor do mundo, conhecer muita gente e ficar pasmo diante da beleza e diversidade da Criação de Deus. Como cristão, minha maior alegria nestas viagens, no entanto, é perceber o que Deus está fazendo em cada lugar e conhecer pessoas que estão sendo usadas por Ele em seus propósitos soberanos na história. No final de semana que passou, estive junto com uma galera assim. São verdadeiros &#8220;History Makers&#8221;. Trata-se do pessoal que, pelo segundo ano, fez da <a href="http://www.conferenciaoxigenio.com/" target="_blank">Conferência Oxigênio</a> em Recife, um dos eventos mais inspiradores da Igreja Brasileira nos últimos anos. Alguém diria que estou exagerando em minhas considerações. Mas eis 13 razões pelas quais penso deste modo:</p>
<p>1. É uma conferência feita por jovens para adolescentes e jovens. E nada é mais inspirador do que ver adolescentes e jovens vibrantes em sua fé em Cristo e no seu desejo de mudar o mundo.</p>
<p>2. Há um senso perceptível tanto nos organizadores quanto nos participantes de que estão realmente buscando descobrir e viver os propósitos de Deus em sua geração.</p>
<p>3. Não é um evento denominacional.</p>
<p>4. Não se trata apenas de um movimento que visa entreter os jovens com boa música e preletores famosos e engraçados.</p>
<p>5. Não é um movimento de louvor &amp; adoração altamente   emotivo/extravagante/&#8221;profético&#8221;/etc. que não conduz a espiritualidade  no dia-a-dia.</p>
<p>6. Há um compromisso com a Palavra de Deus.</p>
<p>7.. Há um compromisso com a igreja local.</p>
<p>8. Há um compromisso com a missão de Deus no mundo.</p>
<p>9. É uma conferência centrada no Evangelho e suas implicações na totalidade  da vida.</p>
<p>10. A união de igrejas é notória. Os voluntários são de diversas igrejas e demonstram a força que há quando a Igreja de uma cidade/região se une em torno de um propósito maior do que sua expressão local. Novamente, tudo isto liderado por jovens.</p>
<p>11. Este ano, o segundo da conferência, lotou o teatro da UFPE com participantes de 19 estados brasileiros, 300 igrejas representadas e mais de 1800 inscritos nos três dias.</p>
<p>12. Apesar da presença de alguns preletores internacionais (dois no ano passado e um neste ano), a maioria dos que compartilharam na conferência Oxigênio são pastores brasileiros, inseridos no contexto da Igreja Brasileira e envolvidos em ministérios jovens e alternativos.</p>
<p>13. Este ano ficou claro que os participantes não estavam lá por causa de &#8220;atrações internacionais&#8221;. Tinha o dobro de pessoas assistindo a apresentação do Palavraantiga do que as que estavam para ver Jars of Clay, banda ganhadora de vários Grammy Awards.</p>
<p>Finalizando, este final de semana me fez pensar nas famosas palavras de Mark Twian: &#8220;As notícias de minha morte foram grandemente exageradas.&#8221;</p>
<p>A Igreja está viva e, se depender daqueles que estiveram na Conferência Oxigênio, ela irá oxigenar muito a cultura Brasileira para a Glória de Deus.</p>
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		<title>Igreja Emergente</title>
		<link>http://www.sandrobaggio.com/2011/09/16/igreja-emergente-2/</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Sep 2011 19:22:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Emergente]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja]]></category>

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		<description><![CDATA[A &#8220;igreja emergente&#8221; é um movimento jovem envelhecido rapidamente porque&#8230; 1. Se inclina a causar agito político quando deveria estar agitando o mundo para Cristo 2. Tem falta de fome e anseio pela salvação de pessoas, de paixão por ver pessoas se apaixonando por Jesus e de um senso que há coisas em jogo aqui [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/09/igreja-emergente.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1880" title="igreja emergente" src="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/09/igreja-emergente.jpg" alt="" width="300" height="355" /></a><br />
A &#8220;igreja emergente&#8221; é um movimento jovem envelhecido rapidamente porque&#8230;</p>
<p>1. Se inclina a causar agito político quando deveria estar agitando o mundo para Cristo<br />
2. Tem falta de fome e anseio pela salvação de pessoas, de paixão por ver pessoas se apaixonando por Jesus e de um senso que há coisas em jogo aqui que têm consequências tanto terrenas como eternas&#8230;<br />
3. Parece cada vez mais ser a nova forma evangélica da velha Teologia da Libertação dos anos 70<br />
4. Comete o erro de separar a Pessoa de Jesus dos Seus ensinamentos<br />
5. Desconstrói tudo, incluindo os credos históricos da Igreja e a inspiração divina de todo o cânon bíblico<br />
6. Se alegra em espalhar mais dúvida do que fé</p>
<p>- Leonard Sweet em &#8220;A Response to My Critics&#8221;</p>
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		<title>Os Novos Evangélicos?</title>
		<link>http://www.sandrobaggio.com/2011/08/16/os-novos-evangelicos/</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Aug 2011 11:23:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Li ontem a reportagem da Folha de São Paulo sobre o número crescente de evangélicos sem ligação com igrejas e também diversas reações à mesma. Uns celebraram a reportagem, pois parece confirmar a eles algo positivo, ou seja, que a vida cristã ou espiritualidade verdadeira precisa libertar-se do contexto institucional poluído para ser vivida com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><a href="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/08/igreja_vazia.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1816" title="igreja_vazia" src="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/08/igreja_vazia.jpg" alt="" width="210" height="315" /></a><br />
Li ontem <a href="http://www1.folha.uol.com.br/poder/959739-sobe-total-de-evangelicos-sem-vinculos-com-igrejas.shtml" target="_blank">a reportagem da Folha de São Paulo</a> sobre o número crescente de evangélicos sem ligação com igrejas e também diversas reações à mesma. Uns celebraram a reportagem, pois parece confirmar a eles algo positivo, ou seja, que a vida cristã ou espiritualidade verdadeira precisa libertar-se do contexto institucional poluído para ser vivida com graça. Mas será que é isto que a reportagem realmente indica?</p>
<p>A começar pelo título, já encontramos uma certa contradição e negação aos prognósticos daqueles que estavam decretando o fim da igreja evangélica. Fala-se de evangélicos sem ligação com igrejas. Mesmo tendo deixado seus vínculos com uma igreja local, estas pessoas ainda se identificam como sendo evangélicos e alguns ficam indo de igreja em igreja como consumidores que &#8220;usufruem de rituais  e serviços religiosos mas se  sentem livres para ir e vir.&#8221;</p>
<p>No entanto, é o perfil deste &#8220;novo evangélico&#8221; traçado nas análises feitas para esta desinstitucionalização, que me faz pensar se, como seguidor de Cristo, existe algo a ser celebrado.</p>
<p>Ricardo Mariano aponta como motivos para esta desinstitucionalização &#8220;o individualismo e da busca de autonomia diante de instituições que defendem valores extemporâneos e exigem elevados custos de seus filiados&#8221; e fala ainda sobre o &#8220;crer sem pertencer&#8221;.   Individualismo, busca de autonomia, rejeição de valores extemporâneos e descompromisso&#8230; seriam marcas a serem buscadas por um discípulo de Cristo?</p>
<p>Não é estranho que tais pessoas sejam chamadas de &#8220;crente genêrico&#8221;, que criaram seu próprio &#8220;blend&#8221; de crenças (resultado do pluralismo e sincretismo religioso) e sejam comparadas ao católico não praticante. Para um seguidor de Cristo, não há o que celebrar aqui.</p>
<p>O que a reportagem não diz é que estes que abandonaram a ligação com as igrejas institucionais se uniram a novas igrejas &#8220;não institucionais&#8221; em busca de uma experiência renovada e libertadora de fé. Se isto estivesse acontecendo, talvez fosse algo a ser celebrado. Mas, neste caso, eles não seriam evangélicos &#8220;sem ligação com igrejas&#8221;, e sim evangélicos em &#8220;novas igrejas&#8221;.</p>
<p>A única coisa positiva neste artigo é a confirmação do fenômeno da desinstitucionalização como uma  das marcas da pós-modernidade. Isto não é novidade, mas algo que vem sendo apontado há anos.</p>
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		<title>Minha Teoria Sobre Instituição 2.2</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jul 2011 13:41:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cristianismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Nesta última parte da série Minha Teoria Sobre Instituição (parte 1, parte 2), quero apresentar a perspectiva de alguns teólogos latinos sobre a Igreja e seu aspecto institucional. Vamos começar com o conceito de Igreja Universal e Local. Leonardo Boff nos apresenta um bom resumo ao dizer que “a igreja local é a igreja universal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/07/Old_Church.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1733" title="Old_Church" src="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/07/Old_Church.jpg" alt="" width="343" height="262" /></a></p>
<p>Nesta última parte da série Minha Teoria Sobre Instituição (<a href="http://www.sandrobaggio.com/2011/07/27/minha-teoria-sobre-instituicao-2-0/">parte 1</a>, <a href="http://www.sandrobaggio.com/2011/07/29/minha-teoria-sobre-instituicao-2-1/">parte 2</a>), quero apresentar a perspectiva de alguns teólogos latinos sobre a Igreja e seu aspecto institucional.</p>
<p>Vamos começar com o conceito de Igreja Universal e Local. Leonardo Boff nos apresenta um bom resumo ao dizer que “a igreja local é a igreja universal concretizada; e sendo concretizada, faz-se carne; e fazendo-se carne, assume limites de local, tempo e cultura, e ainda de seres humanos.”</p>
<p>Em outras palavras, a Igreja (Corpo de Cristo) se manifesta por meio das igrejas locais, por isto, se uma pessoa me diz que faz parte da Igreja, eu pergunto à qual congregação local ela pertence. O cristão anti-instituicional deseja ser visto como alguém que se libertou das garras maquiavélicas da igreja local manchada por sua institucionalização e agora vive livre como um seguidor autônomo de Cristo. Mas isto, na definição de Boff, seria semelhante a querer viver como um fantasma, uma entidade desencarnada, sem corpo.</p>
<p>Jon Sobrino trata a relação igreja/instituição da seguinte forma: “A fé em Cristo vive-se comunitariamente, o que exigirá algum tipo de estrutura para expressar esse comunitarismo… A instituição concede um corpo ao carisma, até integrando a profecia, e no nível da ação oferece um corpo que torna mais marcadamente eficaz aquilo que os profetas expõem como linha de ação. A Igreja-instituição, embora um tanto ambígua, é uma necessidade histórica. Todo carisma que exista na Igreja e queira ser eficaz, deverá pagar o preço social representado pela instituição.”</p>
<p>Contrariando a analogia da borboleta no livro em que instituir é decretar a morte, Juan Antonio Estrada diz que “a oposição entre carisma e instituição é insustentável, pois a institucionalização do carisma é a única forma de garantir a sua sobrevivência.” Citando Karl Rahner, ele diz: “Toda comunidade confronta-se com o dilema: institucionalizar-se ou morrer.”</p>
<p>René Padilla, seguindo o grande missiólogo porto-riquenho Orlando E. Costas, também reconhece que a igreja como organismo precisa funcionar como uma estrutura organizada: “Tem a ver com o sistema de relações entre os membros: suas formas de governo, sua estrutura financeira, sua liderança, o tipo de atividades em que investe seu tempo e recursos, e sua celebração cultural. Como um organismo vital, a igreja não pode contentar-se com a mera reprodução de suas células.”</p>
<p>Rubens Muzio no livro “O DNA da Igreja” tratou da tensão igreja/instituição ao dizer que a igreja é um “híbrido de organismo e organização e representa tanto a instituição humana quanto divina, tanto a organização terrena como o organismo celestial. A igreja pertence tanto à terra quanto ao céu. É um organismo em contato com a eternidade e uma organização concreta no tempo. Está constantemente submetida à tensão de viver a sua vida entre as questões do Reino, família, adoração, discipulado, proclamação da Palavra, rituais e, por outro lado, as questões relacionadas à sua estrutura física, contabilidade, finanças, governo, organização, leis estaduais e federais, etc. A organização precisa servir e não determinar a natureza da igreja.”</p>
<p>Todos os teólogos acima reconhecem a igreja como um organismo vivo, um corpo, que precisa de estrutura para sua própria existência. E nenhum deles parece enxergar que a instituição seja um inimigo mortal deste organismo.</p>
<p>Finalizando (mas não esgotando o assunto) veja, por exemplo, o Exército de Salvação, considerado pelo grande guru da administração Peter Drucker, como a mais eficaz das organizações. Está aí uma organização fundada há quase 150 anos que atua em 124 países. Alguém ousa dizer (sem cometer suicídio intelectual) que, pelo simples fato de ser uma instituição, o Exército de Salvação não tem vitalidade e não está servindo aos propósitos do Reino de Deus?</p>
<p>Minha sugestão sincera: não perca tempo lutando contra o fantasma da instituição. Ele é tão somente isto: um fantasma. Em vez disso, use seu tempo para amar e servir a Deus e ao próximo, em relacionamentos de compromisso e mutualidade numa comunidade de fé, amor e esperança centrada em Jesus.</p>
<p style="padding-left: 30px;">“Ainda que algumas instituições religiosas possam com freqüencia assemelhar-se mais a corporações seculares do que a comunidades voltadas para Deus (…) sempre há lugar nas igrejas para aquelas pessoas guiadas por um completo comprometimento espiritual.” &#8211; John Michael Talbot, monge franciscano</p>
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		<title>Minha Teoria Sobre Instituição 2.1</title>
		<link>http://www.sandrobaggio.com/2011/07/29/minha-teoria-sobre-instituicao-2-1/</link>
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		<pubDate>Fri, 29 Jul 2011 14:42:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um dos argumentos usados por aqueles que enxergam na instituição o grande inimigo da comunhão com Cristo é o conceito que instituir é uma tentativa de preservar e, consequentemente, resistir a mudanças. Evidentemente isto choca-se com a imagem orgânica da Igreja apresentada no NT. Mas será o instinto de preservar intrinsecamente mal? Será que instituir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/07/Leonardo_da_Vinci.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1725" title="Leonardo_da_Vinci" src="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/07/Leonardo_da_Vinci.jpg" alt="" width="310" height="386" /></a></p>
<p>Um dos argumentos usados por aqueles que enxergam na instituição o grande inimigo da comunhão com Cristo é o conceito que instituir é uma tentativa de preservar e, consequentemente, resistir a mudanças. Evidentemente isto choca-se com a imagem orgânica da Igreja apresentada no NT. Mas será o instinto de preservar intrinsecamente mal? Será que instituir é resistir a mudanças, engessar o organismo?</p>
<p>O instinto de preservação é natural nos seres vivos. Se a igreja é um organismo vivo, não seria natural que ela tivesse este instinto? E quando pensamos em corpo e organismos vivos, preservar não significa resistir à mudanças. Pelo contrário, é justamente por seu instinto natural de preservação que muitos organismos passam por constantes mudanças.</p>
<p>O corpo na visão cristã é muito mais do que um simples invólucro da vida. Por mais que alguém se empenhe em preservá-lo, não permanece o mesmo, mas passa por mudanças desde o seu nascimento até a morte. Da mesma forma a igreja, corpo local de crentes, possui um instinto de preservação natural em seu espírito comunitário, mas é incapaz de impedir que mudanças aconteçam à medida em que o corpo cresce e amadurece.</p>
<p>O cientista político Hugh Heclo em seu livro On Thinking Institutionally diz algo interessante sobre a relação entre preservação e mudanças: “Quando pensamos institucionalmente, as decisões atuais são feitas com uma consciência contínua de que estamos desfrutando os frutos de algo que pertence a antecessores e sucessores. Portanto, ainda que mudanças sejam inevitáveis, o reconhecimento de suas implicações é integrado por um forte apreço pelo que passou antes que você estivesse aqui e o que virá depois que você se for.”</p>
<p>Ao insistirmos no conceito de que para ser igreja de verdade precisamos nos livrar da instituição que a cerca, o que estamos dizendo é que a vida é algo que pode (e não só pode, mas deve) ser vivida fora do corpo. A instituição é a matéria má que sufoca o espírito (o livro que mata a borboleta) e, por isto, precisamos nos livrar dela. Esta idéia é tão velha quanto o gnosticismo com sua visão dualista e maniqueísta da vida. E não condiz com as realidades da vidas.</p>
<p>O corpo humano é, de certa forma, uma instituição. Como destacou Bonhoeffer, o corpo possui articulações e ordem. Seus órgãos desempenham funções rotineiras, obedecem a regras próprias internas e dependem de horários externos estabelecidos para um viver saudável e equilibrado. Há até mesmo uma certa “hierarquia” entre os diversos sistemas e membros do corpo que permite sua funcionalidade e vitalidade.</p>
<p>Você pode viver sem um dedo, sem uma mão ou mesmo sem todo o braço (talvez até sem ambos os braços e pernas em casos extremos, apesar de ficar bastante limitado em suas funções e bastante dependente de ajuda). Mas não é possível viver sem a cabeça, sem o tórax e sem nenhum dos órgãos vitais, visto que a relação entre eles é de interdependência. Talvez seja por isto que o apóstolo Paulo tenha utilizado a imagem do corpo para expressar sobre o funcionamento da igreja, seus membros e a diversidade de dons e funções.</p>
<p>O teólogo dominicano francês Yves Congar diz: “A categoria Povo de Deus permite afirmar, de uma só vez, a igualdade de todos os fiéis na dignidade da existência cristã e a desigualdade orgânica ou funcional dos membros [...]. A esse respeito, a noção de corpo prestaria os mesmos serviços que a de povo. Temos sempre um conjunto de membros que vivem e atuam, que participam da vida do corpo, e uma estrutura de funções, tendo uma cabeça para assegurar a unidade do todo.”</p>
<p>O mesmo é sustentado por Juan Antonio Estrada: “A comunidade é um corpo coeso e articulado, que mantém a unidade nas diferenças, contra o individualismo que busca uma relação privativa com Deus. [...] Todos somos iguais em dignidade, a dignidade cristã, dada pelo batismo; todavia, nem todos temos a mesma função na Igreja, mas cada um tem seu ministério e seu carisma específico.”</p>
<p>Nas realidades da vida, a própria linguagem, ou seja, o meio pelo qual nos expressamos, é uma instituição. E, prova de que instituição não significa necessariamente algo engessado, a linguagem é viva e, portanto, passa por mudanças, assume novas regras e novas expressões.</p>
<p>Você quer se ver totalmente livre de instituições? Não basta abandonar a igreja, não se casar no civil, não ter conta bancária, CPF, RG, carteira de trabalho, título de eleitor ou qualquer forma de contrato social. Você não pode falar, escrever e se comunicar tampouco.</p>
<p>Livrar-se de instituição é, de certa forma, desencarnar, deixar de viver, de se comunicar, de servir, de se relacionar, pois todas estas coisas, de alguma forma, estão cercadas por instituições.</p>
<p>Continua na <a href="http://www.sandrobaggio.com/2011/07/31/minha-teoria-sobre-instituicao-2-2/">Parte 3</a>.</p>
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		<title>Minha Teoria Sobre Instituição 2.0</title>
		<link>http://www.sandrobaggio.com/2011/07/27/minha-teoria-sobre-instituicao-2-0/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 12:05:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Igreja]]></category>
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		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Já escrevi bastante aqui sobre o relacionamento entre igreja e instituição. Creio que os principais textos são Minha Teoria Sobre Instituição e Fitafuso e o Cristianismo Pagão. Não considero a instituição como, por natureza, inimiga mortal da igreja. Mas desejo ir além nesta postagem e provocar um pouco mais de reflexão sobre este tema. Para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/07/butterfly.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-1717" title="butterfly" src="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/07/butterfly.png" alt="" width="366" height="282" /></a></p>
<p>Já escrevi bastante aqui sobre o relacionamento entre igreja e instituição. Creio que os principais textos são <a href="http://www.sandrobaggio.com/2008/10/08/minha-teoria-sobre-instituicao/">Minha Teoria Sobre Instituição</a> e <a href="http://www.sandrobaggio.com/2010/02/19/fitafuso-e-o-critianismo-pagao/">Fitafuso e o Cristianismo Pagão</a>. Não considero a instituição como, por natureza, inimiga mortal da igreja. Mas desejo ir além nesta postagem e provocar um pouco mais de reflexão sobre este tema. Para evitar um texto longo, dividirei esta postagem em três partes.</p>
<p>Alguém disse que “institucionalizar é guardar a borboleta entre as páginas do livro com o intuito de preservar a sua perfeição: a beleza permanece por algum tempo, mas a vitalidade do que buscávamos defender se esvai imediatamente.”</p>
<p>Considere a frase acima no relacionamento de duas pessoas que se amam. Se ela for verdadeira, essas pessoas não devem se casar, formalizando seu compromisso de amor um pelo outro, pois no momento em que fizerem isso, a vitalidade de seu amor morrerá.</p>
<p>Mas se um amor não resiste a assinatura de um compromisso formal, que amor é este? Ou será o “maldito papel” tão poderoso assim, capaz de acabar com a beleza deste grande amor?</p>
<p>René Padilla define o casamento como “a relação conjugal em que um homem e uma mulher se unem permanentemente ‘até que a morte os separe’, por meio de um pacto de amor-entrega para conviver e servir a Deus e ao próximo.” E acrescenta que esta união é “selada pelo ato sexual, legalizada formalmente, reconhecida socialmente e nutrida comunitariamente na Igreja.”   Note pelo menos dois aspectos &#8220;institucionais&#8221; do casamento reconhecidos por Padilla: legalização formal e reconhecimento social. Estes aspectos não destroem um casamento da mesma forma que o mero ato de instituir não significa, de modo algum, eliminar ou sequer ameaçar sua vitalidade.</p>
<p>Assim como o casamento é um relacionamento de amor entre um homem e uma mulher, igreja são pessoas em relacionamento de amor com Deus e com o próximo sob a luz do Evangelho. Quando essas pessoas se aproximam umas das outras para compartilhar a vida, em busca de encorajamento e edificação mútua no cumprimento da comissão de Jesus, uma comunidade emerge naturalmente. Somente isto já é o suficiente para que uma instituição (ainda que informal) comece também a surgir espontânea e simultâneamente. Porém, é no processo de se relacionar com a sociedade que esta comunidade assume, por força desta relação, contornos institucionais nítidos.</p>
<p>Será que estes movimentos, automaticamente, representam sua perda de vitalidade e morte? Uma comunidade não pode, por exemplo, resistir ao registro de um estatuto sem que isso signifique decretar sua morte (ou perda imediata de vitalidade)? Quão pequeno e débil deve ser o amor de seus membros – tanto por Deus como uns pelos outros &#8211; caso a analogia da borboleta no livro seja verdadeira.</p>
<p>Segundo Bonhoeffer, o que ameaça a vitalidade de uma igreja não é instituição, mas a desarticulação. Em Nachfolge (Discipulado), sua clássica exposição do que significa seguir a Cristo, ele escreveu: “A Igreja ou congregação é um organismo articulado. Ao falar da Igreja como Corpo de Cristo, incluímos sua articulação e ordem. Ambas são essenciais ao corpo e são uma designação divina. Um corpo desarticulado está fadado a perecer (…) A ordem na Igreja é divina tanto em origem como em caráter, embora, é claro, tenha o propósito de servir, não de dominar.”</p>
<p>O teólogo holandês Herman Bavinck não poderia ser mais direto. Em sua obra Reformed Dogmatics, Bavinck denuncia: “Dizer que Cristo fundou uma igreja destituída de qualquer organização, governo ou poder é uma declaração que surge de princípios característicos do misticismo filosófico, mas não leva em conta os ensinamentos das Escrituras <span style="text-decoration: underline;">nem as realidades da vida</span>.” (grifo meu)</p>
<p>Ou seja, a analogia da borboleta no livro é bonita e poética, mas não é verdadeira para expressar as realidades da vida – seja familiar seja comunitária – em meio as instituições que nos cercam, pelo simples fato de existirmos em sociedade.</p>
<p>Continua na <a href="http://www.sandrobaggio.com/2011/07/29/minha-teoria-sobre-instituicao-2-1/">Parte 2</a>.</p>
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		<title>Cobertura espiritual</title>
		<link>http://www.sandrobaggio.com/2011/06/22/cobertura-espiritual/</link>
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		<pubDate>Wed, 22 Jun 2011 11:55:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em dezembro de 2008 eu postei uma das letras do Petra como parte de músicas da banda que me influenciaram. Na letra da música Run for Cover, há um apelo para correr em busca de cobertura e colocar-se sob autoridade. Antes que algum leitor deste blog pense que eu esteja encorajando aqueles relacionamentos doentes que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em dezembro de 2008 eu postei uma das letras do Petra como parte de músicas da banda que me influenciaram. Na letra da música <a href="http://www.sandrobaggio.com/2008/12/16/musica-do-petra-que-me-influenciaram-2/" target="_blank"><em>Run for Cover</em></a>, há um apelo para correr em busca de cobertura e colocar-se sob autoridade. Antes que algum leitor deste blog pense que eu esteja encorajando aqueles relacionamentos doentes que foram criados por líderes controladores e manipuladores, deixe-me dizer-lhes o que não acredito e o que acredito sobre cobertura espiritual.</p>
<p>Há alguns anos uma pessoa me procurou e disse-me que gostaria que eu fosse sua cobertura espiritual. Como eu não tinha certeza do que ela queria dizer com isso, perguntei-lhe qual era seu entendimento por cobertura espiritual, como isso deveria funcionar. Ela prontamente me disse que eu seria responsável por sua vida, deveria orar e interceder por ela todos os dias e proteger-lhe contra qualquer ataque o inimigo. Ela estaria dependendo totalmente de mim e insinuou que se algum mal lhe acontecesse, eu seria o culpado. Após ouvir isso eu lhe disse prontamente que não poderia ser sua cobertura espiritual. Não fiquei surpreso quando esta pessoa deixou de frequentar a igreja.</p>
<p>Num mundo onde muitas pessoas não querem assumir a responsabilidade pelas suas próprias vidas, esse conceito de cobertura espiritual parece uma boa saída para escapar da responsabilidade pessoal de oração, leitura bíblica, disciplina espiritual e discernimento. É muito mais fácil e confortável lançar sobre outros a responsabilidade de minha vida e deixar que eles tomem decisões por mim. Neste sentido, cobertura espiritual é um termo espiritualizado para encobrir a preguiça espiritual. Não acredito que seja uma posição saudável, pelo contrário, é bem prejudicial pois gera uma atitude de dependência doentia que facilita o controle e abuso, bloqueando o caminho para a maturidade cristã.</p>
<p>Por outro lado, pessoas emocionalmente doentes e inseguras que buscam em cargos e funções de liderança uma maneira de auto-compensação de seus problemas, aceitam prontamente (e até encorajam!) essa posição de controle sobre a vida dos outros em nome de uma cobertura espiritual que não tem fundamento algum nas Escrituras. Estas pessoas acabam se tornando verdadeiros dominadores da vida alheia, assumindo um  papel maior até que do Espírito Santo. O resultado é manipulação e abuso espiritual que invariavelmente leva à desilusão, frustração e muitos feridos com a Igreja.</p>
<p>Evidentemente não acredito no tipo de cobertura espiritual exposto acima. Mas acredito em submissão, acredito em autoridade e acredito que há sabedoria em buscar conselho de pessoas sábias e maduras.</p>
<p>Acredito que submissão é a condição de todo seguidor de Jesus que busca ter a atitude de Cristo no relacionamento com as outras pessoas. Para isto, a submissão deve ser mútua (Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo) e nunca imposta ou forçada, mas fruto de um relacionamento de confiança e amor. A submissão é sempre a Deus e Sua Palavra em primeiro lugar , portanto estou livre para desobedecer qualquer um que contrarie claramente a Palavra de Deus (É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!).</p>
<p>Acredito que a única autoridade relacional que existe é aquela que concedemos às pessoas em quem confiamos. Qualquer autoridade imposta deixa de ser autoridade e torna-se autoritarismo maquiavélico que usa e abusa das pessoas em vez de servi-las.</p>
<p>Acredito que devemos ser humildes para reconhecer que precisamos uns dos outros e procurarmos sempre ouvir de pessoas que já caminharam nesta jornada há mais tempo que nós. Precisamos fazer isso com o discernimento que vem por meio do conhecimento das Escrituras e da comunhão com Espírito Santo para reter apenas o que é bom.</p>
<p>Esta é a cobertura espiritual em que acredito. É a cobertura de Cristo sobre minha vida, que se manifesta na submissão à Sua Palavra e na comunhão com seu Corpo, livrando-me de uma fé individualista.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Evangélicos e a Ditadura</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Jun 2011 13:13:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;If we forget yesterday, we&#8217;re bound to repeat it tomorrow&#8230;&#8221; Stop the World/Extreme (1992) O artigo Os Evangélicos e a Ditadura Militar na revista IstoÉ Independente desta semana é muito elucidativo sobre a postura da igreja evangélica brasileira naquele momento sombrio da história de nosso país. O texto pode ser visto como mais um ponto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em>&#8220;If we forget yesterday, we&#8217;re bound to repeat it tomorrow&#8230;&#8221;</em><br />
Stop the World/Extreme (1992)</p>
<p>O artigo <a href="http://www.istoe.com.br/reportagens/141566_OS+EVANGELICOS+E+A+DITADURA+MILITAR?pathImagens=&amp;path=&amp;actualArea=internalPage" target="_blank">Os Evangélicos e a Ditadura Militar</a> na revista <a href="http://www.istoe.com.br/capa" target="_blank">IstoÉ Independente</a> desta semana é muito elucidativo sobre a postura da igreja evangélica brasileira naquele momento sombrio da história de nosso país. O texto pode ser visto como mais um ponto de apoio para aqueles que adoram criticar os evangélicos. Para isto, no entanto, será necessário ignorar que o mesmo não fala apenas do silêncio, apoio e, em alguns casos, cooperação com o governo militar por parte de evangélicos, mas também da resistência, prisão e tortura sofrida por evangélicos que não concordaram com a ditadura. Ou seja, antes de utilizar este texto para selar sua crítica mordaz contra a Igreja Evangélica, lembre-se de que foi desta mesma Igreja que surgiram as histórias de resistência narradas no texto. Como eu disse, o artigo da IstoÉ é muito elucidativo. Mas temo que muitos não perceberão isso e o lerão sob as lentes de sua ideologia apenas como mais um sinal para jogar pedras na Igreja Evangélica Brasileira.</p>
<p>Diferente do artigo da IstoÉ, muitas das ingênuas acusações que ouço sobre o apoio dos evangélicos à ditadura militar, dão-me a impressão que, não fosse o apoio destes, a ditadura não teria sido instaurada no Brasil. Mas fazer tal insinuação é ser ignorante do fato que os evangélicos representavam apenas pouco mais de 4% da população brasileira em 1964. Com certeza a ditadura não se instaurou por causa do apoio (ou do silêncio) desta minoria.</p>
<p>Se iremos praticar a mensagem que pregamos com tanto ardor no mundo pós-moderno e usar de um pouco de graça para com aqueles evangélicos que apoiaram a ditadura militar, é imperativo também que entendamos o ponto de vista deles . Para eles, a ditadura, embora indesejada, parecia melhor do que a ameaça do Comunismo (e a matéria da IstoÉ deixa isto bem claro na citação de Enéas Tognini). E o tipo de Comunismo que estes crentes temiam era um sistema de governo ateu e totalitário que sabe-se perseguiu, torturou e matou muito mais pessoas nos países onde assumiu o controle do que todas as vítimas da ditadura militar brasileira. Tal temor não justifica a cooperação com o governo militar e a denúncia que levou muitos de seus irmãos de fé para a prisão, tortura e morte. Mas, sem esta perspectiva, é impossível entender tais ações e fica muito fácil simplesmente atirar pedras.</p>
<p>Observando algumas reações ao artigo da IstoÉ, considero no mínimo irônico que muitos críticos dos evangélicos que apoiaram a ditadura militar sejam simpatizantes de Che, Fidel, Mao, Kadafi, Chávez, dentre outros &#8220;líderes revolucionários&#8221; (na verdade, ditadores). O que me faz pensar que não é a ditadura que eles realmente são contra, mas é contra a ditadura da direita (se for de esquerda, está valendo?). É por isto que acredito que precisamos tomar muito cuidado para não misturar o Evangelho com ideologia política, pois é desta mistura que têm sido projetadas as piores manifestações de Cristianismo na história.</p>
<p>Finalmente, quero deixar bem claro que sou contra a ditadura, de qualquer forma, sob qualquer circunstância. Sou contra governos totalitários sejam de direita, de esquerda ou de centro. Sou contra o uso da tortura, qualquer que seja a justificativa apresentada para o mesmo. Sou contra perseguir, aprisionar, matar pessoas por razões ideológicas, religiosas ou  quaisquer que sejam.</p>
<p>Que possamos aprender com os erros do passado, para não repeti-los amanhã.</p>
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		<title>Cristianismo Light?</title>
		<link>http://www.sandrobaggio.com/2011/03/09/cristianismo-light/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 Mar 2011 15:54:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[espiritualidade]]></category>
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		<description><![CDATA[A edição 21 da revista Cristianismo Hoje traz um artigo sobre os &#8220;evangélicos alternativos&#8221; que vale a pena conferir. Escrito por Brett McCraken, autor do livro Hipster Christianity, e adaptado para publicação na edição brasileira pelo jornalista Carlos Fernandes, o artigo incluiu o Projeto 242 e a Caverna de Adulão como expressões nacionais deste movimento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-1212" href="http://www.sandrobaggio.com/2011/03/09/cristianismo-light/capach21/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1212" title="CapaCH21" src="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/03/CapaCH21-221x300.jpg" alt="CapaCH21" width="221" height="300" /></a><br />
A edição 21 da revista <a href="http://www.cristianismohoje.com.br/" target="_blank">Cristianismo Hoje</a> traz um artigo sobre os &#8220;evangélicos alternativos&#8221; que vale a pena conferir. Escrito por Brett McCraken, autor do livro <a href="http://www.amazon.com/Hipster-Christianity-When-Church-Collide/dp/0801072220/ref=tmm_pap_title_0?ie=UTF8&amp;qid=1299684679&amp;sr=8-2" target="_blank"><em>Hipster Christianity</em></a>, e adaptado para publicação na edição brasileira pelo jornalista Carlos Fernandes, o artigo incluiu o <a href="http://www.projeto242.com" target="_blank">Projeto 242</a> e a <a href="http://www.cavernadeadulao.org/blog/" target="_blank">Caverna de Adulão</a> como expressões nacionais deste movimento de igrejas alternativas. Abaixo está a entrevista completa que concedi por e-mail para a revista e que foi parcialmente citada no artigo.</p>
<p><strong>O Projeto 242 tem uma proposta alternativa em relação aos métodos convencionais de comunhão cristã e evangelismo. Como pode ser resumida sua atuação?<br />
</strong>A proposta do Projeto 242 é viver a tensão de ser uma comunidade conservadora teologicamente e liberal culturalmente. Mantemos as crenças essenciais do Cristianismo, tais como na Trindade, Criação, Queda, Redenção, além dos cinco solas da Reforma, mas procuramos comunicar e viver estas crenças dentro do contexto cultural e urbano no qual estamos inseridos.</p>
<p><strong>Você conhece o modelo de cristianismo hipster, atualmente em curso na América? Há algum ponto de interseção entre o trabalho de vocês e este modelo?<br />
</strong>Conheço sim o que tem sido chamado de cristianismo hipster, comprei o livro do Brett McCraken sobre o assunto em novembro passado. No Projeto 242 não estamos tentando ser hipster, modernos ou descolados. Não é esta nossa motivação. Para ser sincero, tenho medo de que possamos nos tornar no &#8220;point cristão da hora&#8221;, na igreja do momento, na bola da vez. Não estamos atrás de um modismo, mas de um estilo de vida que têm atravessado 2 mil anos, às vezes se adaptando a cultura, outras contestando-a e subvertendo-a, mas sempre fundamentado na vida, obra e mensagem revolucionárias de Jesus Cristo. Portanto, creio que a única interseção entre nós e as igrejas hipsters é que, possivelmente, compartilhamos de uma linguagem cultural e artística parecida, contextualizada à cultura jovem global.</p>
<p><strong>Os movimentos cristãos de perfil mais alternativo muitas vezes atuam de forma crítica em relaçao à Igreja chamada institucionalizada. Falando em termos gerais, de que maneira você enxerga esse processo? É possível uma vida cristã plena fora da Igreja? Por outro lado, não considera legítimo que pessoas que tenham sérias críticas ao modelo convencional (inclusive, gente que foi vítima de igrejas ou líderes centralizadores/abusadores) busquem esse tipo de vivência cristã?<br />
</strong>A melhor crítica que tenho a oferecer em relação à igreja institucionalizada são os 13 anos de existência do Projeto 242. Minha crítica não são meros argumentos, mas a experiência de vida de uma comunidade que tem procurado reverter em sua prática aquilo que ela enxerga como errado no Cristianismo atual. Tanto eu como boa parte dos membros do Projeto 242 também já nos frustramos com certas experiências eclesiásticas, já cruzamos pelo caminho de lideranças manipuladoras e abusadoras da boa fé, mas não acreditamos que o isolamento seja a melhor resposta. Não existe o seguir Jesus sem comunidade, sem igreja. Isso vai contra a natureza do Deus que é Trino.</p>
<p><strong>Como o seu ministério se relaciona com as outras iniciativas do mesmo gênero? Existe algum fórum de comunhão ou fraternidade, além de canais de colaboração?<br />
</strong>O Projeto 242 é parte da associação de igrejas <a href="http://www.steiger.org" target="_blank">Steiger</a>, uma organização missionária internacional dedicada a alcançar jovens secularizados, apontando-os para um relacionamento com Jesus Cristo e ajudando-os a cumprir com o chamado de Deus para suas vidas. Além disso buscamos manter amizades com outras comunidades que partilham dos mesmos interesses que nós para trocar experiências e aprender uns com os outros.</p>
<p><strong>Que tipo de pessoa procura o Projeto 242? Quantas pessoas estão envolvidas diretamente no trabalho?<br />
</strong>O Projeto 242 existe para pessoas que não se encaixam em certas estruturas eclesiásticas com tradicionalismo rígido e liturgias conservadoras ou pessoas que desejam conhecer mais sobre Deus e Jesus, mas fogem das igrejas tipo templo-teatro-mercado da fé. Somos uma comunidade de pouco mais de 100 pessoas que se reúnem para os cultos e se identificam como membros.</p>
<p><strong>O movimento cristão hipster surgiu nos Estados Unidos na esteira de outros movimentos cristãos, como o Jesus Movement e o evangelismo dos anos 1980, e, de forma direta, é uma reação à moda das megaigrejas. Falando em termos de Brasil, de que modo você, particularmente, tem visto as últimas tendências evangélicas (teologia da prosperidade, movimento de louvor e adoração, evangelismo explosivo)?<br />
</strong>Muitas das tendências evangélicas modernas no Brasil são frutos do pior que o evangelicalismo norte-americano já produziu. Vejo com tristeza o fato de que boa parte do Igreja Brasileira se parece muito com o que foi dito do Cristianismo Africano: tem 20km de extensão e 2 centímetros de profundidade. Minha esperança é que pequenas iniciativas de comunidades comprometidas mais com o Evangelho de Jesus do que com o sucesso ministerial a qualquer custo, possam ajudar a mudar este cenário.</p>
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		<title>Sua Igreja Está Morrendo?</title>
		<link>http://www.sandrobaggio.com/2011/02/08/sua-igreja-esta-morrendo/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Feb 2011 10:08:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Igreja]]></category>
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		<description><![CDATA[Pecados mortais estão em ação. Se você teme que sua igreja esteja morrendo, pare de procurar culpados e comece a assumir a responsabilidade. Primeiro, as boas notícias. A Igreja é o Corpo de Cristo. Ela não pode morrer. Sua cabeça é o Cristo ressurreto, o Rei de tudo que há e que há de vir. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-1180" href="http://www.sandrobaggio.com/2011/02/08/sua-igreja-esta-morrendo/dyingchurch/"></a><a rel="attachment wp-att-1185" href="http://www.sandrobaggio.com/2011/02/08/sua-igreja-esta-morrendo/dyingchurch-2/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1185" title="dyingchurch" src="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/02/dyingchurch1-300x199.jpg" alt="dyingchurch" width="300" height="199" /></a><br />
Pecados mortais estão em ação.</p>
<p>Se você teme que sua igreja esteja morrendo, pare de procurar culpados e comece a assumir a responsabilidade.</p>
<p>Primeiro, as boas notícias. A Igreja é o Corpo de Cristo. Ela não pode morrer. Sua cabeça é o Cristo ressurreto, o Rei de tudo que há e que há de vir. Ele leva seu povo, de um a um, para a glória eterna ao morrerem, para de lá esperar [aqui as palavras falham: como você espera por algo quando o tempo já não existe?] pelo dia do Senhor, &#8220;quando o céu e a terra serão um&#8221;.</p>
<p>Segundo, não são nem boas nem más notícias que sua igreja local possa morrer, porque isto não é nenhuma novidade. Sua igreja é uma comunidade de mortais; se eles morrerem e não forem substituídos, a igreja estará morta naquele local. O meio oeste rural norte-americano está marcado de cemitérios com nomes de igrejas locais que já não mais existem.</p>
<p>Algumas destas igrejas não morreram, na verdade. As pessoas vivas mudaram, mas sensivelmente deixaram o cemitério para trás. Isso pode ser triste, mas é uma parte da ordem natural da terra e geralmente fica tudo bem &#8211; se as pessoas foram cristãs em suas atitudes e comportamento durante a crise.</p>
<p>Agora vem as más notícias e elas são muito más. Uma igreja local pode morrer pela ação do inimigo &#8211; algumas vezes de fora, mas eu percebo por longa experiência que geralmente é de dentro.</p>
<p>Durante o processo de morte, muitos dos membros da igreja se tornam <em>experts</em> em nomear e culpar os inimigos de dentro e de fora da igreja. Eles geralmente ficam chocados e feridos ao descobrirem que fazem parte da lista de inimigos que outras pessoas estão fazendo, quando estão apenas pensando no bem da igreja!</p>
<p>Naturalmente, é inerente à <em>expertise</em> que os <em>experts</em> não concordem uns com os outros. Tem sempre um outro modo de ver as coisas. Neste aspecto, uma igreja que está morrendo se assemelha a um tribunal criminal no qual tanto a promotoria quanto a defesa apresentam depoimentos  arranjados de &#8220;especialistas&#8221; para sustentarem o argumento. Em vez de lutar contra a enfermidade terminal que é o inimigo comum da igreja, terminamos lutando uns contra os outros.</p>
<p>Mesmo pessoas boas preferem apontar culpados do que assumir responsabilidades; eu conheço minhas próprias tentações a este respeito. Somos piedosos, auto-confiantes e seguros o bastante para lançar nosso peso ao redor em defesa da tradição da verdade. Temos boas intenções. Em meu próprio caso, levei a sério as palavras de minha filha quando ela observou, no meio de uma disputa de igreja: &#8220;Estou cansada de pessoas com boas intenções!&#8221; Fazer o certo sempre triunfa sobre as boas intenções.</p>
<p>Alguns descrentes com discernimento conseguem enxergar nossas reais motivações. Os chefes dos sacerdotes dos judeus eram alguns dos melhores homens no mundo de seus dias e Pôncio Pilatos era um dos piores; mas quando os chefes dos sacerdotes trouxeram Jesus a Pilatos, esperando uma sentença de morte, Pilatos viu que estes bons homens não tinham razão. <em>&#8220;Vocês querem que eu lhes solte o rei dos judeus? &#8220;, perguntou Pilatos, <strong>sabendo que fora por inveja</strong> que os chefes dos sacerdotes lhe haviam entregado Jesus.&#8221;</em> (Marcos 15.9-10 <strong>ênfase minha</strong>)</p>
<p><em>Inveja</em> matou Jesus? Soa trivial, mas por que não? É um dos sete pecados mortais. Todos eles são assassinos se persistirem sem que haja arrependimento; este é o significado de  mortal. Os pecados mortais matam. Cristãos e igrejas são espectadores ameaçados. Você não precisa procurar por razões sociológicas ou psicológicas quando um ou mais dos pecados mortais estiverem ativos em seu meio. Você não pode confessar os pecados de outras pessoas (que é o que acontece quando se tenta apontar e culpar), mas você deve confessar seus próprios se a igreja irá recuperar de seu estado terminal.</p>
<p>Aqui estão os sete, caso você necessite ser lembrado.</p>
<ul>
<li><em>Orgulho</em>, quando se age em auto-justificação e determinação de fazer prevalecer seu próprio modo porque é <em>o seu modo</em>.</li>
</ul>
<ul>
<li><em>Inveja</em>, quando você está insatisfeito com seu lugar na igreja e age a partir de sua insatisfação para subverter aqueles que estão no lugar que você deseja estar.</li>
</ul>
<ul>
<li><em>Glutonaria</em>, quando você é consumido pelo seu consumo e fica sem tempo, energia ou vontade para mais nada.</li>
</ul>
<ul>
<li><em>Cobiça</em>, quando seu desejo físico por outro é sem amor e egoísta.</li>
</ul>
<ul>
<li><em>Ira</em>, quando direcionada para ferir e destruir a você mesmo ou outros.</li>
</ul>
<ul>
<li><em>Avareza</em>, quando seu único alvo é mais para você mesmo.</li>
</ul>
<ul>
<li><em>Preguiça</em>, quando não se está nem aí.</li>
</ul>
<p>Pogo já foi citado inúmeras vezes: &#8220;Nós encontramos o inimigo, e ele somos nós.&#8221; Se sua igreja estiver morrendo, talvez seja sua vez de citá-lo.</p>
<p>Por Everett Wilson em <a href="http://partialobserver.com/all_by_columnist.cfm?ColumnistID=16" target="_blank">Everett&#8217;s Version</a>,  26 de Janeiro de 2011.</p>
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