Blog do revBaggio
Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

Archive for the 'livros' Category

O que é a Igreja? (2)

posted by Sandroin Igreja, Missional, livrosComments (5)

Seguindo a postagem sobre O que é a Igreja?, coloco mais uma definição de igreja apresentada pelo missiólogo Alan Hirsh. Segundo Hirsh, a igreja é:

1. Uma comunidade aliançada: a igreja é formada por pessoas, não por pessoas que estão apenas juntas, mas por aqueles unidos por meio de uma aliança distinta. Há um comprometimento com relação um ao outro formado por essa aliança.

2. Centrada em Jesus: Ele é a nova aliança com Deus e sendo assim, Ele é o verdadeiro epicentro de uma fé cristã autêntica. Uma ecclesia não é apenas uma comunidade de Deus – há muitas comunidades religiosas assim por aí. Somos definidos por nossa relação com a Segunda Pessoa da Trindade, o Mediador, Jesus Cristo. Uma comunidade aliançada centrada em Jesus participa na salvação que Ele traz. Recebemos a graça de Deus por meio dEle. Porém, mais é requerido para verdadeiramente constituir uma igreja.

Um verdadeiro encontro com Deus em Jesus deve resultar em…

3. Adoração, definida como o ofertar de nossas vidas a Deus por meio de Jesus.

4. Discipulado, definido como seguir Jesus e tornar-se cada vez mais como Ele (à Sua semelhança).

5. Missão, definida como extensão da missão (os propósitos redentores) de Deus através das atividades de Seu povo.

(Alan Hirsh, The Forgotten Ways, BrazosPress, 2006, p. 40-41)

Fitafuso e o Cristianismo pagão

posted by Sandroin Igreja, Teologia, livrosComments (22)

No livro clássico Cartas de um Diabo a seu Aprendiz de C. S. Lewis, o diabo Fitafuso troca correspondências com seu jovem sobrinho Vermebile, dando-lhe instruções sobre como derrubar os cristãos. Fitafuso foi personagem fictício no livro de Lewis, mas seu tipo é real e ele foi apontado por Jesus como sendo o enganador mor.

Há alguns anos um amigo me recomendou a leitura de um livro chamado Cristianismo Pagão que ele havia lido e queria saber a minha opinião sobre o mesmo. Como não gosto de opiniar sobre algo que não li, decidi ler Cristianismo Pagão e também outros dois livros pelo mesmo autor: Reimagining Church (em 2008) e From Eternity to Here (no ano passado). Minha resposta depois de ter lido o primeiro livro foi de espanto sobre como qualquer pessoa familiarizada com o NT podia se deixar levar pelos erros cometidos pelos autores em algumas de suas afirmações. Creio que as intenções dos autores podem até terem sido boas (principalmente vindo de um contexto norte-americano), mas tal como a parábola oriental no prefácio do livro The Monkey and the Fish, de Dave Gibbons, a igreja precisa mais do que de boas intenções.

Esta semana Mark Driscoll publicou um boa crítica sobre Cristianismo Pagão em seu site The Resurgence. Driscoll cita bastante a crítica feita por Ben Witterington em junho e julho de 2008 sobre o mesmo livro. Ambas críticas fornecem amplo material (e referências) para uma avaliação sólida e saudável sobre o Cristianismo Pagão.

Driscoll corretamente aponta que:

O pior aspecto do livro é sua suposição de que a igreja institucional é o grande inimigo da igreja. Institucionalismo não é o inimigo da igreja. O problema mais significativo das igrejas, quer institucionais ou orgânicas, é considerar qualquer coisa menos que Satanás, pecado e morte como o grande inimigo da igreja. Isso resulta na minimização do Evangelho. Jesus não veio para libertar a humanidade das algemas das instituições, mas de Satanás, do pecado e da morte. Este livro [Cristianismo Pagão] foi edificado sobre uma questão secundária de prática e governo na igreja, em vez da questão central da tarefa da igreja, a proclamação do Evangelho. Não há dúvidas de que deve haver críticas sobre como a igreja “é igreja”, mas muito da crítica que Cristianismo Pagão faz da igreja contemporânea é sobre questões secundárias que são passíveis de debate (tanto historicamente como biblicamente) na melhor das hipóteses e totalmente falhas e falsas na pior da hipóteses. Não se engane; a igreja precisa de um revolução e reforma, mas não do tipo que os autores estão convocando. A igreja precisa desesperadamente de uma revolução completa do Evangelho e da centralidade de Deus.

Esta mesma visão quase que paranóica da instituição tem sido anunciada aqui no Brasil também. Trata-se errar o alvo. Há causas mais importantes como apontou Driscoll, em que a Igreja precisa enfocar. Talvez essa fobia da instituição seja até uma estratégia do Fitafuso para desviar a atenção dos seguidores de Cristo dos reais inimigos contra os quais eles deveriam estar lutando.

Passando por cima das feridas

posted by Sandroin discipulado, livrosComments (2)

moveon

As vezes temos que “passar por cima” de nossa raiva, nosso ciúme ou nossos sentimentos de rejeição e seguir adiante. Somos tentados a ficar presos a nossas emoções negativas como se lá fosse nosso lugar. Então nos tornamos “o ofendido”, “o esquecido” ou “o rejeitado”. Sim, podemos nos vincular a essas identidades negativas e até mesmo ter um prazer mórbido com isso. Talvez seja uma boa idéia dar uma olhada nesses sentimentos obscuros e tentar descobrir de onde vêm. Mas então chega o momento de passar por eles, deixá-los para trás e seguir adiante em nossa viagem.

- Henri Nouwen, Pão para o Caminho, leitura do dia 9 de Janeiro.

Bíblia: Ler e pregar

posted by Sandroin discipulado, livrosComments (3)

O coração da Bíblia (o que a sintetiza e a torna viva) ou a cabeça da Bíblia (…o que a explica e a justifica)… é Jesus Cristo. Ler a Bíblia sem encontrar Jesus é fazer uma má leitura, e pregar a Bíblia sem proclamá-lo é prega-la falsamente.

- J.J. von Allmen em The Contemporary Christian por John Stott, 1995.

A Verdade é Inevitável

posted by Sandroin Emergente, livrosComment (1)

Você não pode sair por aí “justificando” para sempre, pois vai acabar justificando a própria justificativa. Não é possível sair por aí “vendo através” de tudo para sempre. A idéia de ver através de alguma coisa é enxergar alguma coisa por trás. É bom que a janela seja transparente, pois a rua ou o jardim por trás dela não é. Como é possível ver através do jardim também?… Um mundo totalmente transparente é um mundo invisível. “Ver através” de tudo é o mesmo que não ver.

- C.S. Lewis em The Abolition of Man apontando o fato de como a verdade é algo inevitável e não apenas um coisa relativa.

Emergente Modernidade?

posted by Sandroin Emergente, Igreja, livrosNo Comments

Martin N. Dreher em seu livrete Fundamentalismo (Sinodal 2006) descreve um movimento na Igreja caracterizado pelos seguintes aspectos:

Ênfase no individualismo e na espiritualização da fé, procurando superar o confessionalismo de uma religião fossilizada, da “pura e reta doutrina”.
Destaque para a teologia da experiência da fé contra a teologia do mero conhecimento.
Luta pela regeneração pessoal contra a preocupação com o dogma correto, que leva a controvérsias nada edificantes.
Destaque para a internalização da fé, contra a exteriorização representada por pia batismal, púlpito, confessionário, altar.
Ênfase na separação entre a Igreja e o Estado.
Ênfase numa renovação ética com uma série de iniciativas para a renovação da sociedade.
Uso de frases de efeito como “vida é melhor do que doutrina”, “religião é questão de coração e não de cabeça”, “tornar-se e não ser”, etc.
Enxergando-se como continuação da Reforma religiosa do século XVI, uma vez que no século XVI somente a doutrina foi reformada, importando agora reformar a vida.

Estaria ele falando da Igreja Emergente? Leia novamente. Todos estes aspectos podem ser vistos no movimento de Igreja Emergente. E a maioria dos proponentes da Igreja Emergente gosta de enfatizar também o fato de que estamos vivendo no pós-modernismo e de acusar a Igreja de estar presa ao modernismo.

Acontece que os aspectos citados por Dreher acima não dizem respeito a Igreja Emergente, mas ao Pietismo dos séculos XVII ao XIX. A grande ironia disso é que, como aponta Dreher, importantes figuras da Modernidade se originaram no Pietismo. Em outras palavras, as características que formaram o terreno para o modernismo estão agora sendo propagadas por aqueles que buscam abraçar o pós-modernismo.

Mas… seria a Igreja Emergente uma revisão do Pietismo?

Como disse o Pregador: “Não existe nada novo debaixo do Sol…”

Você é fundamentalista?

posted by Sandroin Emergente, livrosComments (13)

Se a pergunta fosse dirigida a nós, certamente responderíamos com um sonoro “não”. O conceito fundamentalismo tem sua origem na palavra fundamento. Não há casa que possa ser construída sem fundamento, não há argumento que possa ser formulado sem fundamentos, não há existência humana sem fundamento. Por esse último aspecto, somos todos fundamentalistas, pois todos necessitamos de fundamentos, de alicerces para a nossa existência, e quem desistir deles estará desistindo de si mesmo. Porém, o trágico das formulações de nossos dias é que “fundamentalistas” são sempre os outros, jamais nós próprios.

- Martin H. Dreher em Fundamentalismo (Sinodal 2006)

Uma força em movimento

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Como leitor compulsivo que sou, frequentemente estou mencionando livros e autores em minhas reflexões e, por este motivo, muitos me perguntam sobre livros que influenciaram minha visão da Igreja e, consequentemente, do Projeto 242. Justamente por ler tanto, fica difícil (senão impossível) destacar um texto apenas.  Todavia, se eu tivesse que mencionar apenas um livro que nos últimos 10 anos tenha exercido maior influência sobre meu modo de ver a Igreja, possivelmente o texto An Unstoppable Force (algo como “uma força impossível de se parar”) de Erwin Raphael McManus tenha sido este livro.

Ganhei um exemplar em 2003 quando visitei uma comunidade emergente em Ventura, California, e devorei o livro quase que todo no vôo de volta para São Paulo. Como indica o título, Erwin apresenta a Igreja como uma força revolucionária impossível de ser parada. Ele nos faz lembrar aquilo que Jesus disse a Pedro em Mateus 16.18. Os ingredientes para a Igreja viver essa revolução estão todos ali. Basta colocar em prática…

Fico feliz em poder indicar sua leitura agora que finalmente foi publicado em português pela Garimpo Editorial. Espero que não fique somente neste, mas que outros livros de Erwin como Uprising e The Barbarian Way também sejam publicados aqui.

Ainda sobre ir ou não à Igreja

posted by Sandroin Igreja, discipulado, livrosComments (4)

Terminei há mais ou menos um mês a leitura do livro Por Que Você Não Quer Mais Ir À Igreja? publicado pela Sextante. Trata-se de uma obra de ficção bem escrita cujo propósito é chamar os cristãos à reflexão do significado de ser igreja em vez de apenas serem frequentadores de cultos e reuniões em locais conhecidos como igreja.

Isso é bom, apesar de não ser nada novo. Juan Carlos Ortiz fez um trabalho fantástico em O Discípulo, publicado pela Betânia logo no início da década de 1980. Uma das colocações hilárias que Ortiz fez naquele livro – e que eu me lembro até hoje mais de duas décadas depois de ter lido – foi sua denúncia de que os cristãos iam a igreja para encontrar Deus lá. Ortiz dizia que isso parecia indicar algo como se Deus ficasse pendurado no teto durante a semana inteira esperando os crentes se reunirem para Ele poder ser sentido por eles. Todavia, como dizia Ortiz, se você não trouxer Deus consigo quando se reunir como igreja, não haverá presença de Deus alguma no encontro/culto/reunião.

Um dos versos mais conhecidos do livro de Atos deixa claro que, sob a unção do Espírito Santo, os discípulos passam a ser testemunhas de Jesus onde quer que vão, partindo do local onde esta unção foi derramada até os lugares mais distantes da terra. A questão, no entanto, não me parece ser somente sobre o SER igreja, mas sobre a possibilidade de SER enquanto você se reúne sob estruturas maiores e institucionais. Novamente, uma questão amplamente debatida, porém que não faz muito sentido para quem aprender a ser onde quer que for/estiver. Quem é, pode ser no pequeno grupo de dois ou três ou na grande congregação de milhares. Pode ser na informalidade das pequenas reuniões tanto quanto no meio das concentrações maiores. Afinal de contas, a visão da Igreja em Apocalipse não é de pequenos grupos, mas de uma multidão incontável adorando a Jesus.

Como eu já escrevi aqui, acredito que o SER e o IR (do reunIR-se) são inseparáveis. E os autores do livro deixam isso claro também. O que eles dizem é que IR é consequência do SER (e não o contrário, você não É apenas por IR).

De qualquer maneira, o livro apresenta boas reflexões que valem a pena sempre serem feitas sobre este assunto, uma vez que é tão fácil deixar de ser e confundir o frequentar/assistir com o viver. Aliás, a reunião comunitária nunca deveria ser uma mera assistência, mas uma participação ativa. A história é testemunha de que a maior desgraça do Cristianismo é a dicotomia entre a adoração comunitária dominical e a vivência da fé fora dos contornos eclesiásticos nos demais dias da semana.

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“Nenhum modelo de igreja irá produzir a vida de Deus em vocês. A coisa funciona exatamente ao contrário. Nossa vida em Deus, compartilhada, é que se expressa como Igreja. A Igreja nada mais é do que o fluxo da vida Dele transbordando em nós. Vocês podem ficar eternamente às voltas com os princípios da igreja e ainda assim nunca chegar a saber o que significa viver em profundidade no amor do Pai para poder partilhá-lo com o próximo.”

Imaginação… Imagine… Imagens…

posted by Sandroin arte, livrosComments (5)

I-ma-gi-na-ção. 1. Formar uma imagem mental de algo que não é percebido como real ou que não está presente aos sentidos. 2. A habilidade de formar imagens de coisas ou eventos.
Cada pessoa nasce com a habilidade de imaginar, de criar imagens mentais. No entanto poucos são aqueles que desenvolvem esse dom. Muito disso está ligado a TV. Eu não sou contra a televisão, mas eu temo que por causa dela muitos nesta geração estejam perdendo a habilidade dada por Deus para criar imagens. Antes do reinado da TV em nossos lares, as crianças liam livros ou seus pais liam livros para elas. Agora as crianças assistem TV. Em vez de criar suas próprias imagens e desenvolver o poder da imaginação, elas assistem o que outros criaram. Quando você perde a habilidade de imaginar, você perde a habilidade de criar. Eu acredito que nós precisamos ajudar essa geração a recuperar o poder da imaginação. Uma maneira de fazer isso é permitindo que o ato de contar histórias seja novamente parte de nossas famílias e comunidades. Eu penso em “Peixe Grande”, maravilhoso filme de Tim Burton que demonstra de modo emocionante o poder de contar histórias. Eu penso em Jesus contando histórias para seus discípulos, cativando a imaginação deles, permitindo-lhes criar suas próprias imagens mentais das histórias que ele contava. Eu penso na Bíblia repleta de grandes histórias. Acho que O Livro de Deus (a Bíblia romanceada) de Walter Wangerin é um ótimo modo de ler as histórias bíblicas de uma perspectiva diferente… Bom, pensando nisso acabei de comprar um livro de histórias para ler para minha filha na esperança de poder ajudá-la a desenvolver sua i-ma-gi-na-ção.

(postado originalmente em 09/08/2005 em um outro blog que eu mantinha)