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A graça de Deus sempre foi o argumento teológico mais atacado pelo diabo.

No caso em questão, [os dissimuladores] estavam tentando “transformar em libertinagem a graça de nosso Deus.” (Judas 4)

O argumento que estava sendo desenvolvido era basicamente o seguinte: se a graça é um “favor imerecido”, então, quanto menos mérito se tem, maior é o espaço para a graça de Deus se manifestar. Dessa forma, o pecado passava a ser um aliado da graça de Deus, na medida em que quanto mais se peca mais Deus tem ocasião para mostrar-se gracioso.

Esse é o pretexto do liberalismo comportamental.

Além disso, essa perspectiva de barateamento da graça de Deus passa também pela ideia de que Deus é gracioso e sublime demais para ocupar-se com os banais deslizes humanos. Ou seja, a graça passa a ser vista numa dimensão tão superior que faz com que seu portador Absoluto, Deus, não possa baixar-se desse piso de elevação e generosidade sob pena de diminuir-se. E assim, usa-se a graça de Deus contra o próprio Deus. E mais, faz-se com que Deus seja escravo de sua graça e fique inflexivelmente contido por ela.

Desse modo, mais uma vez a graça de nosso Deus é “transformada em libertinagem”, na medida em que é usada para explicar o alegado desinteresse de Deus pelas “pequenas realidades morais” dos seres humanos. O estranho dessa concepção é que ela atribui às ações do homem uma importância inimaginável em todas as outras áreas de sua vida, menos na área moral. Nesta, os atos humanos são vistos como pequenos demais para interessarem a Deus.

É a graça conveniente. Evocada para justificar o pecado, não o pecador.

- Do livro A Síndrome de Lúcifer por Caio Fábio, 1988

O Dia quando Deus diz: Basta!

A qualquer coisa que ameace a paz (Shalom é a palavra hebraica para paz), harmonia e saúde que Deus deseja para o mundo.

Deus diz: “Não” para a injustiça.

Deus diz: “Nunca mais!” aos opressores que se aproveitam do fraco e vulnerável.

Deus declara um boicote sobre as armas.

É importante lembrar-se disso da próxima vez que ouvirmos pessoas dizendo que não conseguem acreditar num Deus de juízo.

Sim, elas conseguem.

Geralmente não pensamos em nada menos.

Cada derramamento de óleo, cada reportagem de outra mulher violentada sexualmente, cada notícia de outro líder político que silenciou a oposição através da tortura, prisão e execução, cada vez que vemos alguém sendo pisado por uma instituição ou corporação mais interessada em lucro do que em pessoas, cada vez que tropeçamos em mais uma instância do coração humano desviado, nós agitamos nossos punhos e clamamos:

Será que alguém, por favor, pode fazer algo a respeito disso?

Nós desejamos, ansiamos, temos sede por juízo.

Traga-o!

Libere-o!

Como disse o profeta Amós: Que a justiça corra como um rio!

O mesmo com a ira.

Quando ouvimos pessoas dizendo que não podem acreditar em um Deus que se ira.

Claro que podem!

Como Deus deveria reagir quando uma criança é forçada a se prostituir?

Como Deus deveria sentir-se quando um país passa fome enquanto os senhores da guerra pilham os suprimentos alimentícios?

Que tipo de Deus não ficaria irado com um esquema financeiro que rouba a poupança de milhares de pessoas?

E esta é a promessa dos profetas sobre a Era Vindoura.

Deus age, decisivamente, a favor de qualquer um que tenha sido pisado pela máquina, explorado, abusado, esquecido ou maltratado.

Deus coloca um fim nisto.

Deus diz: Basta!

- Rob Bell em Love Wins

Lost

Tenho duas confissões a fazer: primeiro quero confessar que não sou fã de Lost. Nunca assisti sequer um episódio da série, apesar de ter ouvido vários amigos falarem com grande entusiasmo sobre como essa série é fenomenal.
Todavia sou fã dos livros que Chris Seay, pastor da Ecclesia em Houston, escreve sobre filmes e séries de televisão. Seay escreveu The Gospel Reloaded, sobre os dois primeiros filmes da trilogia The Matrix pelos irmãos Watchowski. Ele escreveu também The Gospel According to Tony Soprano sobre a série do mafioso Tony Soprano. O mais recente livro de Chris Seay é The Gospel According to Lost (Thomas Nelson, inédito no Brasil).

A análise que Seay faz de cada personagem da série é impressionante. Ele mostra porque Lost, a série sobre um grupo de sobreviventes de um acidente aéreo em uma ilha mistériosa, virou um fenômeno cultural, cativando milhões de espectadores ao redor do mundo.

Seay divide os capítulos de seu livro por personagens da série, chamado cada personagem de Santo Patrono. Hurley é Santo Patrono dos perdedores abençoados, Sayid Jarrah é Santo Patrono dos humanitários atormentados, Kate Austen é Santa Patrona dos lindos assassinos, e por aí vai.

Alguns dos temas discutidos por Seay em Lost são violência, amor, auto-sacrifício, moralidade, destino, livre-arbítrio, fé, razão, culpa e redenção.

Meu único receio com relação ao livro é que Chris Seay o escreveu antes da conclusão da série, com sua sexta temporada (The Final Season). Assim como em The Gospel Reloaded, escrito antes do filme que concluiu a trilogia, The Gospel According to Lost pode ter tirado algumas conclusões sobre os personagens e a série que poderão não se sustentar no final. De qualquer forma, a mensagem de redenção que permeia toda a trama não será alterada, nem os muitos paralelos entre os acontecimentos de Lost com passagens bíblicas usadas por Seay. Como em seus outros livros, este tem uma profunda base teológica.

Contendo 12 pinturas por Scott Erickson dos personagens de Lost em PB e coloridas, o livro de Chris Seay é um presente para todos os que assistiram os episódios e desejam mergulhar mais fundo nos temas presentes na série.

Isso me leva à minha segunda confissão: após ter lido o livro de Chris Seay sobre Lost comecei a me preparar para a maratona que será assistir toda a série.