Blog do revBaggio
Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

Archive for the 'Missional' Category

Steiger Brasil

posted by Sandroin Missional, Projeto 242Comments (2)

Encontro-Steiger-Brasil-2010

Neste sábado, as 17h, no Projeto 242, acontecerá o encontro do Steiger Brasil 2010. Maiores informações aqui.

O que é a Igreja? (2)

posted by Sandroin Igreja, Missional, livrosComments (2)

Seguindo a postagem sobre O que é a Igreja?, coloco mais uma definição de igreja apresentada pelo missiólogo Alan Hirsh. Segundo Hirsh, a igreja é:

1. Uma comunidade aliançada: a igreja é formada por pessoas, não por pessoas que estão apenas juntas, mas por aqueles unidos por meio de uma aliança distinta. Há um comprometimento com relação um ao outro formado por essa aliança.

2. Centrada em Jesus: Ele é a nova aliança com Deus e sendo assim, Ele é o verdadeiro epicentro de uma fé cristã autêntica. Uma ecclesia não é apenas uma comunidade de Deus – há muitas comunidades religiosas assim por aí. Somos definidos por nossa relação com a Segunda Pessoa da Trindade, o Mediador, Jesus Cristo. Uma comunidade aliançada centrada em Jesus participa na salvação que Ele traz. Recebemos a graça de Deus por meio dEle. Porém, mais é requerido para verdadeiramente constituir uma igreja.

Um verdadeiro encontro com Deus em Jesus deve resultar em…

3. Adoração, definida como o ofertar de nossas vidas a Deus por meio de Jesus.

4. Discipulado, definido como seguir Jesus e tornar-se cada vez mais como Ele (à Sua semelhança).

5. Missão, definida como extensão da missão (os propósitos redentores) de Deus através das atividades de Seu povo.

(Alan Hirsh, The Forgotten Ways, BrazosPress, 2006, p. 40-41)

Missio Dei > Opus Dei

posted by Sandroin Missional, Projeto 242Comments (2)

Opus

A missio Dei se manifesta na opus Dei.

Jesus disse: “Meu Pai trabalha e eu trabalho também… grande é a seara e os trabalhadores são poucos.”

É hora de arregaçar as mangas e unir-se aos propósitos de Deus no mundo.

É hora de unir-se à missão de Deus fazendo a obra de Deus.

Vem conosco!

Este mês no P242.

Arte: Tom

Haiti nosso de cada dia

posted by Sandroin MissionalComments (7)

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Há pouco mais de uma semana os olhos do mundo se voltaram para o Haiti, uma pequena ilha caribenha atingida por um terremoto devastador. Estima-se que 200 mil pessoas possam ter morrido, apesar de que o número exato de mortes demorará para ser computado.

Em meio a tragédia e sofrimento sem medida, temos assistido uma emergência de solidariedade imensa, vinda de todas as partes do mundo, para socorrer os soterrados, os feridos e mais de 1 milhão de desabrigados sedentos e famintos na Capital Porto Príncipe. Histórias emocionantes de resgate surgem a cada dia, como a de Anna Zizi, uma senhora de 70 anos, ou a de um bebê recêm-nascido de 23 dias, ambos resgatados com vida uma semana após o terremoto.

Tenho visto um grande número de cristãos respondendo nesta hora com paixão e urgência, o que é sem dúvida alguma animador. A maioria das respostas que vejo, no entanto, é de blogueiros e twiteros chamando pessoas para fazer doações (muitas vezes impensadas e que correm o risco de nunca alcançarem seu destino), denunciando as declarações tolas de Pat Robertson ou aproveitando o momento para falar mal de alguma pessoa, governo ou instituição.

Ainda assim, não conheço ninguém pessoalmente se manifestando no sentido de ir ao Haiti ajudar nas equipes de resgate (a maior necessidade logo após um terremoto), atender os feridos ou  trabalhar na reconstrução que se seguirá nos próximos meses e anos. Estes são passos que exigem muito mais engajamento pessoal.

Entendo que nem todo mundo tenha condições de ir a Porto Príncipe. Mas não consigo deixar de pensar também nas tragédias negligenciadas no dia-a-dia, muitas delas bem próximas de cada um de nós. Fico pensando quantos blogueiros e twiteros que manifestam tanta paixão agora pelo Haiti, vivem suas vidas com a mesma paixão, entrega e abnegação no dia-a-dia? Quantos estão engajados em atividades missionais rotineiramente, de tal maneira que suas postagens sejam carregadas não somente de emoção politicamente correta, mas de autoridade de vida seguindo o Caminho de Jesus?

É trágico o que aconteceu no Haiti. Não tenho a intenção de minimizar a tragédia nem tampouco desencorajar os esforços humanitários neste momento de dor. O que gostaria, sinceramente, é que todos aqueles tocados agora, pudessem enxergar o Haiti nosso de cada dia e se envolver nele com a mesma intensidade quando as notícias deste terremoto se dissiparem como a névoa. Isso sim seria revolucionário…

Pregar ou não pregar?

posted by Sandroin MissionalComments (8)

Giotto-St Francis before the Sultan (Trial by Fire)

“Pregue o Evangelho o tempo todo. Se necessário use palavras.”

A frase acima é comumente atribuída a São Francisco de Assis e usada como um pretexto para o seguinte:

“Não é mais necessário pregar, basta viver o Evangelho e as pessoas entenderão quem é Jesus.”

Primeiramente, quero dizer que gosto de São Francisco. Tenho suas obras completas (Escritos e biografias de São Francisco de Assis, Crônicas e outros testemunhos do primeiro século franciscano), das quais li 1/3 aproximadamente, e sua vida muito me inspira. Um dos meus hinos favoritos é baseado em um cântico escrito por Francisco.

Em segundo lugar, apesar de ser reconhecidamente bem franciscana em seu espírito, tudo indica que a frase acima não é de São Franciso de Assis. Os mais eminentes estudiosos franciscanos pesquisaram todos os seus escritos e as biografias escritas até 200 anos após sua morte e não encontraram nelas tal frase. O mais próximo que chegaram foi a uma instrução que Francisco deu em sua Regra Não-Bulada dizendo que ninguém deveria pregar a menos que tivesse recebido permissão de seu ministro para fazê-lo. E acrescentou: “No entanto, todos os irmãos podem pregar pelas obras.” (RegNB 17.1 e 3)

Entretanto, uma vez que a frase é atribuída a São Francisco e usada para apoiar a atitude de cristãos pós-modernos de não pregar (visto que pregar é antiquado, ofensivo e politicamente incorreto), por que não olhar para a vida de São Francisco e ver se o modo como ele viveu sustenta essa teoria?

A biografia de São Francisco revela que ele foi um fervoroso missionário, viajou centenas de quilômetros para pregar (isso mesmo!) o Evangelho aos italianos, desejou muito alcançar os sarracenos (muçulmanos) chegando a enfrentar um naufrágio (na primeira tentativa de ir até a Síria) e enfermidade (quando se encontrava à caminho do Marrocos). Francisco era um pregador ao ar livre, falando nas feiras públicas, das escadarias das igrejas e das muretas nos pátios dos castelos. O livro St Francis of Assisi and the Conversion of Muslims por Frank Rega, narra o esforço de Francisco para converter Melek el-Khamil, sultão do Egito, durante a Quinta Cruzada (1219). Francisco esperava convertê-lo “não com armas, mas sim com palavras” diz o monge John Michael Talbot em seu livro Lições de São Francisco. Talbot cita Chesterton: “Francisco seguia esta máxima simples: É preferível criar cristãos a destruir muçulmanos.”

O capítulo 16 de sua Regra Não-Bulada trata dos que quiserem “ir para entre os sarracenos e outros infiéis.” Francisco dá a seguinte instrução: “Os irmãos que partirem [em viagem missionária] poderão proceder de duas maneiras espiritualmente com os infiéis: O primeiro modo consiste em abster-se de rixas e disputas… e confessando serem cristãos. O outro modo é anunciarem a palavra de Deus quando o julgarem agradável ao Senhor.” (RegNB 16.6-8)

Não há dúvidas de que São Franciso pregava, de que ele acreditava na necessidade de conversão das pessoas e de que usava palavras para comunicar o Evangelho. De fato, São Francisco gostava tanto de pregar, que ele passou a pregar até mesmo para os pássaros e animais (sim, com palavras!) de acordo com algumas das lendas a seu respeito, surgidas após sua morte (a mais famosa delas é o Fioretti escrito no século 14).

Assim sendo, creio que o sentido da frase não é que não devemos usar palavras. É que sempre que necessário, devemos usar palavras. E palavras são necessárias quando se trata de explicar a razão de nosso amor, fé e esperança.

É simplesmente impossível conhecer Jesus sem a pregação. Como argumentou o apóstolo Paulo: “Como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue?”

Sem a pregação as pessoas podem até ter uma idéia de que servimos a Deus, mas ficam sem saber quem/como Ele é. Seria esse Deus a natureza ao nosso redor? Seria uma energia cósmica? Uma força impessoal?

A frase deveria ser vista mais como uma advertência contra a hipocrisia daqueles que pregam, mas não vivem o que pregam, do que uma instrução para que se pare de pregar e ensinar o Evangelho de maneira clara e verbal.

Para o seguidor de Jesus, pregar e ensinar não são opcionais. São uma ordem. Jesus disse: “Vão e preguem o evangelho a todas as pessoas” e “vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os… ensinando-os a obedecer tudo o eu lhes ordenei.”

Se há algo claro nas Escrituras é que obras não salvam. Isso foi denunciado pelos profetas no VT, demonstrado por Jesus e ensinado pelos apóstolos no NT. Boas obras podem ser praticadas em abundância, mas elas não são suficientes para salvação. Qualquer crente fiel ao espírito das Escrituras sabe que não faz obras para ser salvo, mas faz porque foi salvo, faz porque ama Aquele que nos amou primeiro e nos ensinou o amor pelo próximo.

Boas obras feitas em nome de Jesus demonstram amor. Mas as pessoas só saberão que é o amor de Deus que nos constrange se nos dispusermos a falar isso a elas, respondendo a todos os que nos perguntarem a razão de nossa esperança. Caso contrário, elas podem até pensar que foi Kardec, Buda ou Maomé quem nos inspirou a fazer tais obras.

Ao mesmo tempo, creio que devemos nos questionar o que há de errado quando, ao viver nossas vidas em devoção profunda por Deus e demonstração de amor pelo próximo com a prática de boas obras, ninguém nunca nos pergunta a razão de nossa esperança, fé e amor.

Viva o Evangelho o tempo todo. Quando lhe perguntarem a razão, use palavras.

O que você pensa da Igreja?

posted by Sandroin Igreja, MissionalComments (8)

Esta semana me enviaram um link de um video bonito e desafiador sobre a Igreja. Nele, pessoas diferentes, respondiam o que elas pensavam sobre a Igreja. Pelas respostas dava para ver que elas não tinham uma boa impressão.

O maior desafio deste video para mim é que ele nos chama como seguidores de Jesus a 1) buscar na Bíblia a definição de igreja e 2) viver essa definição em nosso dia-a-dia.

Por mais que eu dê valor (de um ponto de vista estratégico e missiológico) a esse tipo de entrevista para saber o que os outros pensam sobre a igreja, no final das contas, é preciso dirigir a pergunta a mim mesmo.

“Quem os homens dizem que eu sou?” perguntou Jesus a seus seguidores.

“E vocês, quem vocês dizem que eu sou?” perguntou ele uma segunda vez.

Fica claro do texto que a resposta dos discípulos à segunda pergunta tinha repercussões muito mais profundas do que a resposta dos outros à primeira. A segunda pergunta (e resposta) traz a reflexão para o campo pessoal que, no final das contas, é o que de fato interessa a Jesus e a nós.

É hora da Igreja voltar-se para as Escrituras e buscar agradar Aquele que a comprou com Seu Sangue.

É hora da Igreja ser Igreja de Cristo, Noiva de Cristo, Corpo de Cristo, comprometida com a Verdade do Evangelho.

“Vocês são o sal da terra e a luz do do mundo.”

A quem são dirigidas estas palavras?

Aos pobres de espírito (humildes),
Aos que choram (pelos seus próprios pecados, em arrependimento),
Aos mansos (que reconhecem não possuir nenhum direito e, portanto, tratam os outros como superiores a si mesmos),
Aos famintos e sedentos por justiça (em todos os seus aspectos – moral, legal e social),
Aos misericordiosos (aqueles que se tornam próximos dos caídos para auxiliar em sua restauração),
Aos puros de coração (sinceros diante de Deus e dos homens),
Aos pacificadores (ministros de reconciliação)
E aos perseguidos por causa de Jesus (justamente por viverem todas essas coisas, o mundo os odiará assim como odiou a Seu mestre).

A estes é dito:

“Brilhe a vossa luz diante dos homens para que eles vejas as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.”

Esta é a Igreja e ela é portadora da Esperança do Mundo.

Como expressou Warren Wiersbe em seu livro Crise de Integridade, escrito logo após a onda escândalos dos televangelistas norte-americanos no fim da década de 1980:

“Prefiro ser um cristão em luta com os problemas de uma igreja imperfeita a ser um perfeito pecador fora dela.”

Ele ainda lembra o que um dos chamados Pais da Igreja disse, que ela é algo parecido com a Arca de Noé: se não fosse pelo julgamento de Deus contra os que estão de fora, seria impossível agüentar o cheiro lá de dentro.

“Integridade significa que a luz está brilhando no interior porque a pessoa (ou o grupo) possui um coração honesto, uma mente honesta e uma vontade honesta.
Hipocrisia significa que houve divisões e as trevas penetraram.
Duplicidade significa que a luz tornou-se trevas, o errado tornou-se certo e o pecado tornou-se aceitável.”

O Espírito diz à Igreja em Apocalipse: “Aqueles que são santos, santifiquem-se ainda mais.”

Avatar o Reino

posted by Sandroin Missional, arteComments (12)

avatar
(Aviso: essa postagem pode conter spoilers para quem não assistiu o filme)

Fui ver Avatar no último sábado. Foi um dos melhores filmes que assisti em 2009. Vale a pena ser visto em 3D.

Apesar de ser um blockbuster com todos os clichês hollywoodianos (o que esperar do diretor de Exteminador do Futuro, Aliens e Titanic, dentre outros?) Avatar tem imagens belíssimas do fictício planeta Pandora e traz uma crítica contundente sobre o colonialismo e imperialismo cruéis que têm sido praticados por império após império na história da humanidade. Naturalmente, o que logo nos vem a mente ao ver o filme, é o imperialismo norte-americano recente da era Bush, que levou a nação americana à guerra não tanto para defender-se do terrorismo como Bush alegava, mas para defender seus interesses de exploração de certos recursos naturais em outra nação, como ficou evidente.

Uma cena do filme, após a destruição de uma árvore que parecia ser indestrutível e era simbólica para a população dos Na’vi, lembra o cenário de Nova Iorque coberta de pó e cinzas em 11 de setembro, quando as torres gêmeas que também pareciam indestrutíveis e eram símbolo do capitalismo ocidental ruiram. Seria uma forma de nos lembrar que o mal que não desejamos para nós, não devemos derramar sobre os outros?

Em sua mensagem principal, Avatar é A Missão* do século 21. O filme nos faz pensar seriamente sobre nossa relação com a natureza e com os outros seres humanos.

Ao ver Avatar e seu paradisíaco mundo de Pandora, onde havia uma conexão entre todos os seres vivos, gerando um respeito pelos animais, plantas e pela natureza viva, um profundo senso do sagrado e reverência pelo divino, fiquei imaginando como teria sido o Éden. De fato, Avatar me fez ansiar pelo novo céu e nova terra, quando tudo será restaurado, quando serão feitas novas todas as coisas.

Avatar é uma palavra sanscrita que significa encarnação. No fime Avatar, o ator princípal encarna o corpo sintético-biológico de um nativo Na’vi por meio de uma tecnologia super-ultra-avançada (ficção ciêntifica pura), aprende sua língua, seus costumes, torna-se um deles, com o objetivo de transmitir-lhes uma mensagem (que, infelizmente, não eram boas notícias). Este aspecto do filme tem um apelo especial para mim porque encarnação é um de meus conceitos teológicos e missiológicos favoritos. Os Evangelhos são a narrativa do Deus que se fez carne e habitou entre nós, falando nossa língua e vivendo nossos costumes para nos transmitir a mensagem de boas notícias de salvação (e não de coerção e destruição) de maneira inequívoca.

Como Igreja, nossa missão neste mundo, enquanto aguardamos o novo céu e nova terra, é encarnar o Evangelho de tal maneira que nossas vidas sejam um reflexo neste mundo (ainda que pálido em comparação) de como será a vida no próximo.

Precisamos avatar o Reino no poder do Espírito Santo.

“Venha o Teu Reino, seja feita a Tua Vontade, na terra como nos céus. Amém.”


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* filme com Jeremy Irons e Robert DeNiro lançado em 1986.

Missão Integral (1)

posted by Sandroin Missional, TeologiaComments (5)

Nestes últimos 6 meses tenho lido (e revisto) livros e artigos sobre a chamada “missão integral”. Em meu entendimento, a única missão pela qual vale a pena viver (e, se necessário for, morrer) é a missio Dei. Estou cansado das reflexões e comentários sobre a missão integral que não passam de uma releitura do Evangelho Social ou da Teologia da Libertação, por parte de evangélicos desiludidos com a atuação da Igreja. É preciso mais do ativismo e engajamento social e político para mudar o mundo. O texto abaixo de René Padilla serve como um lembrete disso.

***

Sem oração não há missão cristã. Poderá haver proselitismo religioso, obras e ações de caridade, ou tarefas missionárias, mas não há missão cristã.
A missão cristã é primordialmente missio Dei (missão de Deus). Nasce no coração de Deus, atua na história pelo poder do Espírito Santo, e visa a exaltação de Jesus Cristo como Senhor do universo e de cada área da vida humana, para a glória de Deus. Em síntese, missão cristã começa e termina em Deus.
Sob esta perspectiva, todo o trabalho missionário das igrejas somente tem sentido quando se inspira no amor de Deus, se realiza em seu nome e busca sua glória.
(…) O ativismo é ação sem oração… a oração é mais importante que a ação. Especialmente no mundo evangélico, é difícil aceitar que seja assim. Condicionados como estamos pela cultura do lucro, vivemos como aqueles que pensam que a salvação do mundo depende inteiramente do esforço humano. Por isso, frequentemente reduzimos a oração a um rito que dá a nosso ativismo um colorido religioso. Sabemos pouco sobre o que significa a ação em função da oração, a ação em resposta ao chamado de Deus para colaborar na realização de seu propósito para a vida humana em todas as suas dimensões. (…) Como diz Jacques Ellul:
Todo radicalismo adicional, o de conduta, o do estilo de vida e o da oração, só pode resultar da ruptura na priorização da oração. Principalmente porque nossa sociedade tecnológica está totalmente envolvida com a ação, a pessoa que entra em seu quarto para orar é um verdadeiro radical. Todas as outras coisas dependerão disso. Essa atitude na sociedade, que é também um ação sobre esta sociedade, e muito mais do que o envolvimento concreto, ao qual também não renuncia.

(C. René Padilla, O que é Missão Integral, Editora Ultimato, 2009)

Manequim

posted by Sandroin Missional, arteComments (4)

p242mannequins
A foto acima foi tirada pelo David Kim no BAZAR COMUNITÁRIO do P242 sábado passado. Olhando para eles eu me lembrei das palavras da música Mannequin’s Dream do Resurrection Band:

I’d kiss real life
Mine is mannequin
Painted and pretty
And hollow within
God, where is life?
Mine is mannequin
Painted and petty
And hollow within

(Eu beijaria a vida real
A minha é manequim
Pintada e bonita
E vazia por dentro
Deus, onde há vida?
A minha é manequim
Pintada e bonita
E vazia por dentro)

Por mais enfeitadas que pareçam nossas vidas, sem Cristo elas não passam de manequins.

Enquanto pensava nisso, lembrei-me também da pergunta feita ao profeta Ezequiel no vale de ossos secos.

“Esses ossos secos poderão tornar a viver?”

Percebi então um outro modo de olhar para os manequins.

Até poucas horas antes de iniciar o bazar esses manequins estavam sujos, empoeirados, desmontados, abandonados em um canto escuro. Dedicação e criatividade fizeram deles peças úteis e atrativas.

Me fez lembrar do poder da Graça que, nas palavras do Bono, “encontra beleza em todas as coisas” e “cria a beleza a partir das coisas feias”.

Me fez lembrar das palavras de Henry Scougal, um velho escocês que viveu há mais de trezentos anos e disse que o verdadeiro cristianismo é “a vida de Deus na alma dos homens.”

Me faz lembrar do poder do Evangelho anunciando que o novo nascimento é possível por meio da ação do Espírito Santo.

“Porei o meu Espírito em vocês e vocês viverão.”

Numa época em que a cidade está maquiada de luzes e as pessoas correm de um lado para o outro buscando presentes para enfeitar suas vidas vazias, talvez seja a hora da Igreja unir-se à voz dos Anjos, Pastores e Profetas e anunciar o Advento do Salvador que veio ao mundo para que nossas vidas sejam mais do que manequins.

Caminho, Verdade & Vida

posted by Sandroin Missional, discipuladoComment (1)

Siga-me.
Eu sou o caminho a verdade e a vida.
Sem o caminho não há como ir;
sem a verdade não há saber;
sem a vida não há viver.
Eu sou o caminho que você deve seguir;
a verdade que você deve crer;
a vida pela qual você deve esperar.
Eu sou o caminho inviolável;
a verdade infalível;
a vida sem fim.
Eu sou o caminho mais reto;
a verdade soberana;
a vida verdadeira, vida abençoada, vida incriada.

- Thomas à Kempis, De Imatatione Christi, 1418