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Além de não poder praticar nem dar seu aval à conduta sexual adulterina e à homossexual, o cristão precisa aprender a arte da convivência com aqueles que as praticam. Por ter se comprometido espontaneamente com Cristo ao se converter, o cristão é membro de uma comunidade cristã e responsável por seu comportamento e testemunho. Porém, ele não é retirado do mundo, da sociedade no meio da qual vive. Segundo Paulo, o cristão não deve ficar separado dos não-cristãos, que vivem a seu bel-prazer. Para viverem separados, os cristãos “teriam de sair deste mundo” (1Co 5.10, NTLH), atitude com a qual Jesus não concorda. Na oração sacerdotal do Cenáculo, Jesus é claro: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno” (Jo 17.15, NTLH). Retirado do mundo, o cristão jamais seria “o sal da terra” e “a luz do mundo” (Mt 5.13-16).

Por uma questão de princípios, se o cristão não se retira da sociedade, ele tem de aprender a conviver com seus contemporâneos e vizinhos, sem se deixar influenciar ou enredar por eles. Convivência e conivência são coisas distintas: “convivência” é viver com outra pessoa; “conivência” é cumplicidade, colaboração, conluio.

Não cabe ao cristão discriminar, desprezar, odiar, maltratar, humilhar ou apedrejar o homossexual ou a lésbica, em uma sociedade em que há muitos outros desvios, como a injustiça, a avareza, o consumismo, a hipocrisia, a idolatria, o ódio, a vingança, a arrogância, a frivolidade e assim por diante. Cabe ao cristão conviver com todas essas pessoas, com temor e tremor, sem espírito de superioridade, reprovando todas essas coisas mais pela conduta do que pelas palavras.

O ensino de Paulo tem um valor imenso se o contexto for considerado. Não há concessão alguma ao desregramento sexual. No mesmo capítulo, o apóstolo é enfaticamente contrário à presença de certo indivíduo da comunidade cristã de Corinto que estava tendo relações com a mulher de seu pai (já morto ou não), provavelmente sua madrasta. Ele deveria ser temporariamente afastado dos privilégios da comunidade, até que sua natureza carnal fosse suplantada pela nova natureza (1Co 5.1-5). No capítulo seguinte, Paulo recorda que entre os membros fundadores da comunidade cristã havia ex-homossexuais ativos e ex-homossexuais passivos, bem como muitos outros ex-isto-e-aquilo (1Co 6.9-11).

Na comunidade, o critério seria um; na sociedade, seria outro. Não se pode exigir que o não-cristão se comporte como cristão, mas é lícito exigir que o cristão se comporte como cristão.
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Por Elben M. Lenz César, Diretor-fundador da Editora Ultimato e redator da revista Ultimato onde o texto foi publicado originalmente.

Mike Stand
Foi possivelmente em 1989 que eu comecei a enxergar a cor cinza nas realidades da vida. Até então meu mundo era feito somente de preto e branco (ou pelo menos era assim que eu pensava). Foi uma música do Mike Stand, guitarrista/vocalista da banda cristã de punk rock Altar Boys, em seu primeiro trabalho solo, que deu voz às minhas inquietações e me fez entender que tem preto e branco, mas muito cinza também. Mike canta:

I’ve been dreaming of a world
Tenho sonhado com um mundo
A world of black and white
Um mundo de preto e branco
A land of simple answers
Uma terra de respostas simples
Fair is fair and right is right
Justo é justo e certo é certo
It’s true a world like this will come someday
É verdade que um mundo assim virá algum dia
But for now things are not that way
Mas por enquanto as coisas não são assim
We live in world of confusion
Vivemos num mundo de confusão
Isn’t that the way it is today?
Não é assim que é hoje?
Unclear issues, unanswered questions
Assuntos confusos , questões não respondidas
Surround us everyday
Nos rodeiam todos os dias
Life’s mysteries come crashing in
Os mistérios da vida desabam
They make our mothers cry and the young man sing
Eles fazem nossas mães chorarem e o jovem cantar
I’ve seen grey – when a pure right or wrong
Tenho visto cinza – quando um puro certo ou errado
Was not clearly seen
Não foi claramente visto
I’ve seen grey
Tenho visto cinza

A realidade que muitos tem dificuldade em admitir é que a vida nos apresenta com situações onde não encontramos respostas simples (ou não encontramos nenhuma resposta), quando temos que admitir que não sabemos, não entendemos, não temos certeza. Eu já vivi o bastante para me deparar com muitas dessas situações. Já tive que engolir meu orgulho e voltar atrás, me humilhar e reconhecer que estava errado ao tentar dar respostas em preto e branco para situações claramente cinzas.

Hoje em dia, em meio a revolução do pensamento pós-moderno, encontro cada vez mais pessoas que enxergam o cinza. Até aí tudo bem. Afinal de contas, há muito cinza no mundo. Mike Stand coloca dessa maneira:

Is it grey when we can’t find answers?
É cinza quando não encontramos as respostas?
Is it grey when it’s not wrong or right?
É cinza quando não é certo ou errado?
And does that give us the go ahead to do anything we like?
E isso nos dá um sinal verde para fazer qualquer coisa que gostamos?
Is grey mis-used as a weak excuse?
O cinza é mal utilizado como uma desculpa fraca?
Can answers be found if we seek and look?
Podemos achar as respostas se procurarmos e buscarmos?
Still, I’ve seen grey
Ainda tenho visto cinza
When answers I needed
Quando as respostas que preciso
Seemed way beyond me
Parecem estar bem além de mim
I’ve seen grey – when I couldn’t explain
Tenho visto cinza – quando não podia explicar
Inconsistencies
Inconsistências
I’ve seen grey
Tenho visto cinza
And I try so hard
E eu realmente tento
To understand this life
Entender esta vida
I want to know what’s wrong
Quero saber o que é errado
I want to know what’s right
Quero saber o que é certo
Where can I draw the line?
Onde posso estabelecer o limite?

A questão agora parece não ser mais se há ou não cinza. Todo mundo já viu cinza e reconhece que a vida é mais complicada do que gostaríamos que fosse. A questão me parece ser a seguinte: existe preto e branco? Ou é tudo cinza? Apesar de ver muito cinza no mundo e nas complexidades da vida, creio que há sim situações onde o preto e branco são claramente discerníveis. Mike Stand me ajudou a admitir o cinza. Mas não cegou meus olhos para o preto e branco.

E parece que esta é uma das dificuldades do pensamento pós-moderno. Ao dar boas vindas à realidade do cinza, muitos passaram a ignorar completamente o preto e branco. Parece que viver no cinza é mais confortável.

Well I may not have all the answers
Bem, posso não ter todas as respostas
And this world is greyer than I like
E este mundo é mais cinza do que eu gosto
But the hope that lives inside of me
Mas a esperança que vive dentro de mim
Gives this grey a litlle light
Dá ao cinza um pouco de luz
It’s easy to get angry when lifes unfair
É fácil ficar irado quando a vida não é justa
But the challenge is to know a faithful God is there
Mas o desafio é saber que um Deus fiel existe
I’ve seen grey – when the dark of night was more like shade
Tenho visto cinza – quando a escuridão da noite era mais como uma sombra
I’ve seen grey – when a cloudly haze covered the light of day
Tenho visto cinza – quando um nevoeiro cobriu a luz do dia
I’ve seen grey
Tenho visto cinza

A Universidade Mackenzie foi acusada esta semana de defender a homofobia. O motivo foi um texto publicado em 2007 e que, em momento algum, manifesta qualquer espírito de ódio ou violência contra homossexuais, mas restringe-se a manifestar a visão cristã sobre a homossexualidade. Ficou evidente que, na agenda gay, manifestar qualquer opinião contrária a sua opção sexual é ser homofobico e intolerante. Já publiquei aqui no blog um exelente texto assinado pelo Israel Belo de Azevedo sob o título A Intolerância dos Tolerantes. Abaixo está mais um texto sobre a questão do tolerância: “Os cristãos devem ser tolerantes?” por Hank Hanegraaff.

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A tolerância hoje está sendo redefinida a fim de significar que todas as visões são igualmente válidas e todos os estilos de vida, igualmente apropriados. Assim, a idéia de que Jesus é o único caminho é difamada como o epítome da intolerância. Em vez de render-se à cultura, os cristãos devem estar preparados para expor as falhas da tolerância de hoje e, ao mesmo tempo, exemplificar a verdadeira tolerância.

Primeiro, dizer que todas as visões são igualmente válidas soa como tolerante, mas na verdade é uma contradição. Se de fato todas as visões são igualmente válidas, então a visão do cristão deve ser considerada. Porém, a visão cristã afirma que nem todas as visões são igualmente válidas. Desta forma, a redefinição de tolerância em nossa cultura é uma proposição que se autorrefuta. E mais: não toleramos pessoas com quem concordamos; toleramos pessoas de quem discordamos. Se todas as visões fossem igualmente válidas, a tolerância não seria necessária.

Além disso, a redefinição atual da tolerância não deixa espaço para julgamentos morais objetivos. Um terrorista moderno poderia ser considerado tão virtuoso quanto a uma cristã piedosa. Sem um ponto de referência firme, as normas sociais estão sendo reduzidas a meras questões de preferência. Assim, a base moral para resolver conflitos internacionais e condenar práticas intuitivamente más, como genocídio, opressão de mulheres e prostituição infantil, está seriamente comprometida.

Por fim, à luz de seus aspectos filosoficamente fatais, os cristãos devem rejeitar a tolerância de hoje e restaurar a verdadeira tolerância. Esta requer que, apesar de nossas diferenças, tratemos todas as pessoas que encontramos com a dignidade e o respeito que merecem como pessoas criadas à imagem de Deus. A verdadeira tolerância não impede que se proclame a verdade, mas manda que façamos isso com bondade e respeito (cf. 1 Pedro 3.15,16). Em um mundo cada vez mais intolerante com o cristianismo, os cristãos devem exemplificar a tolerância sem sacrificar a verdade.