Archive for the 'Música' Category
2010
Macacos no Zoológico
Será diferente agora, ou o mesmo?
Terei aprendido algo, ou foi apenas um modo de gastar um dia ou dois
separados para pensar em você?
Se isso é tudo que aconteceu, tive um tempo legal.
Mas isso não será o bastante para mim, não este ano,
nem em nenhuma outra época,
Eu tenho que limpar a casa, fazer minha cama, clarear minha cabeça,
Está ficando meio que asfixiante aqui, cheira meio esquisito também,
como os macacos no zoológico,
Eu tenho me prostituído atrás de coisas
porque desejo sentir-me seguro interiormente – isso é uma grande mentira,
Nenhuma quantia de dinheiro, ouro ou prata
jamais irá tomar o lugar da paz de Deus.
Espírito, venha eliminar as mentiras,
Espírito, venha eliminar as mentiras.
Será diferente agora, ou o mesmo? Eu mudei em alguma coisa?
E se você mergulhasse no fundo de minha alma você encontraria Jesus lá,
ou um buraco vazio?
Eu deveria estar contente com minha “linda” vida cristã?
Mas isso não será o bastante para mim, não este ano,
nem em nenhuma outra época,
Eu tenho que limpar a casa, fazer minha cama, clarear minha cabeça,
Está ficando meio que asfixiante aqui, cheira meio esquisito também,
como os macacos no zoológico,
Eu tenho me prostituído atrás de coisas
porque desejo fazer tudo certinho – isso é uma grande mentira,
Nenhuma quantia de dinheiro, ouro ou prata, um corpo perfeito, outro chocolate quente, trabalho para o Senhor, fama e poder, poder e sexo,
um lugar na mesa do Clube de Campo Belle Mead,
Aqui está uma dica: nada jamais irá tomar o lugar da paz de Deus.
Espírito, venha eliminar as mentiras,
Espírito, venha eliminar as mentiras.
Será diferente agora, ou o mesmo?
Terei aprendido alguma coisa?
(Tradução livre da letra de “Monkeys at the Zoo” por Charlie Peacock no CD “Everything That’s On My Mind”, 1994)
2010
Relembrando Keith Green

Hoje, 28 de julho, fez 28 anos que Keith Green morreu. Ele tinha apenas 28 anos de idade. Para lembrar sua vida e legado, o Last Days Ministries, fundado por ele e sua esposa Melody, realizou há poucos uma transmissão ao vivo da ilha de Kona, Havaí, com suas músicas e uma mensagem gravada compartilhada por ele em seu último concerto. Inspirado por esse evento, decidi recuperar um texto que escrevi há 15 anos e que foi publicado em uma revista cristã no final da década de 1990. É uma breve biografia deste profeta de Deus, para quem ainda não ouviu falar dele.
*****
Keith Green: Exemplo de Músico Cristão
Você já ouviu falar de Keith Green? Ele teve carreira curta, de apenas 5 anos e oito discos gravados, sendo três destes lançados após sua morte. Mas, como disse Tony Campolo, raramente um músico tem sido um profeta tão grande como ele foi. Nunca um cantor desafiou tantas pessoas a se tornarem missionários e viverem uma vida santa diante de Deus e do mundo. Esta é uma pequena biografia deste profeta e músico para desafiar aqueles que desejam fazer música para Deus nesta geração.
Vindo de uma família de artistas, Keith começou a tocar piano com 5 anos de idade e a compor aos 8 anos. Com 11 anos ele teve seu primeiro disco “Cheese And Crackers” lançado em janeiro de 1965 pela Decca Records. Com este disco, Keith tornou-se o mais jovem membro da Sociedade Americana de Autores, Compositores e Publicadores (ASCAP). Infelizmente, com o passar dos anos, a fama prematura do garoto Keith Green se dissolveu, apesar dele continuar compondo e aparecendo em algumas apresentações de TV.
A família de Keith seguia um alto padrão moral e ele era um bom garoto. Sendo assim, ninguém sabe o que o levou a fugir de casa em duas ocasiões diferentes – aos 16 e aos 17 anos. É provável que o espírito rebelde que pairava no Sul da Califórnia naquela época o tenha influenciado. Em sua segunda fuga ele mergulhou no LSD e numa busca profunda por um sentido na vida. Após ter tentado em várias seitas orientais e comunidades hippies, Keith chegou à conclusão de que Jesus deveria ser a verdade. A partir de então ele começou a usar uma cruz de prata que havia comprado por 10 dólares em uma loja de antigüidades.
Em meados de 1973 Keith Green encontrou Melody. Ela também era artista, estava envolvida com drogas e já havia buscado a verdade no budismo e em outros grupos. Eles se casaram no dia 25 de dezembro de 1974 – em homenagem a Jesus – e começaram a compartilhar o sonho de Keith: ser descoberto por um caçador de talentos e tornar-se um artista famoso. Embora estivessem lendo a Bíblia e certos de que Jesus era a verdade, eles ainda não aceitavam o fato de Jesus ser Deus. Além disso continuavam a usar drogas ocasionalmente. Mas através de contatos com artistas cristãos como Randy Stonehill e Larry Norman, Keith e Melody começaram a conhecer alguns cristãos verdadeiros que passaram a ajudá-los na busca por Deus. Foi durante este tempo que ele escreveu canções como “Jericho” e “The Prodigal Son Suite” que se tornariam clássicos da Música Cristã Contemporânea.
Em 1975, após ouvir um sermão na igreja Vineyard Christian Fellowship, Keith e Melody decidiram entregar suas vidas totalmente a Jesus, aceitando-O como Senhor e Salvador, reconhecendo-O como único e verdadeiro Deus. Esta decisão mudou os rumos da vida do jovem casal. Eles passaram a viver em função de anunciar a verdade do Evangelho para seus amigos e a qualquer outra pessoa que encontrassem. Perceberam também que precisavam fazer algo prático para aquelas pessoas que se convertiam, mas que precisavam de um “abrigo cristão” antes de poderem enfrentar o “mundo lá fora”. Logo a casa deles havia se transformado em um abrigo, cheia de novos convertidos, ex-hippies e ex-drogados, mães solteiras e qualquer pessoa que precisasse de um refúgio temporário.
Após sua conversão Keith decidiu não fazer nenhuma performance pública até ter certeza de que essa era a vontade de Deus para sua vida. Ele continuou compondo e tocando, mas para si somente. Sua fonte de renda nesta época vinha de um contrato de compositor que ele tinha com a CBS. Foi somente em meados de 1977 que o primeiro disco de Keith Green, “For Him Who Have Ears to Hear” (Para quem tem ouvidos para ouvir) chegou às livrarias cristãs. Este disco tornou-se o maior álbum de estréia na história da música cristã, com mais de 300 mil cópias vendidas. O resultado foi que, de um artista totalmente desconhecido, Keith Green logo tornou-se um dos mais populares e procurados cantores do cenário da música cristã.
Junto com seu primeiro disco, Keith e Melody decidiram fundar o Last Days Ministries, como um meio de manter contato com seus fãs e difundir suas idéias e conceitos cristãos. Graças a este ministério, a mensagem de Keith Green continuou sendo distribuída através de folhetos e livros mesmo depois de sua morte.
Nos anos seguintes, Keith Green gravou “No Compromise” (1978) e “So You Wanna Go Back to Egypt” (1980). Em 1981 uma coletânea com alguns de seus maiores sucessos e outras canções inéditas foi lançada. Keith Green era então o maior nome da Música Cristã Contemporânea americana. Mas apesar de amar a música e compor com uma tamanha flexibilidade e facilidade, Keith estava tremendamente preocupado com o conteúdo espiritual de suas canções. E estava igualmente preocupado com a condição espiritual de seus ouvintes. Por este motivo, seus concertos começaram a tomar um rumo cada vez mais de ministração através da música e da pregação da Palavra do que um mero entretenimento. De fato, Keith Green odiava a idéia de “entretenimento cristão”.
O escritor Leornardo Ravenhill diz o seguinte acerca de Keith:
“Keith tinha fome por conhecer aqueles heróis que moveram suas gerações para Deus e ele seguia seus passos. Ele tinha um zelo santo e uma pureza que eu tenho visto em poucas pessoas. Eu não acho que Keih estava preocupado com o evangelho de Cristo o tanto quanto ele estava preocupado com a pessoa de Cristo. Eu acho que era esta sua maior paixão. (…) E ele derramava esta paixão do interior de sua alma através das letras vibrantes de suas canções.”
“Songs For the Shepherd”, o quarto disco da carreira de Keith Green foi lançado em abril de 1982. Após o lançamento do disco, Keith e Melody decidiram fazer uma viagem de férias pela Europa visitando várias bases missionárias da JOCUM. Na ocasião eles visitaram o navio Anastasis na Grécia, que havia sido adquirido pela missão e estava sendo reformado para o ministério. Keith ficou empolgado com o que viu. Ao retornar para os Estados Unidos ele começou a pensar seriamente em dedicar sua música e ministério para o despertamento de jovens para missões. Seu sonho era ver 100 mil jovens indo para o campo missionário. Algumas de suas novas canções como “Open Your Eyes” (Abra seus olhos) e “Jesus Commands Us to Go” (Jesus nos manda ir) começavam a refletir este desejo.
No dia 28 de julho, Keith estava em seu rancho e sede do LDM no Texas quando decidiu levar uma família de missionários que estavam visitando-o, para uma vista aérea do local. Doze pessoas decolaram no pequeno avião Cessna 414 naquela tarde quente de verão para aterrizarem na eternidade. Além do piloto, da família de missionários e de Keith, seus dois filhos mais velhos, Josiah de três anos e Bethany de dois, também morreram. A notícia do desastre foi um choque para a comunidade cristã. Dez dias após o trágico acidente que tirou a vida de Keith Green, o navio Anastasis ancorou em um porto na Califórnia em sua primeira viagem. Keith estava tão entusiasmado com a visão que havia enviado 28 mil dólares para cobrir as despesas da viagem de seis dias e a taxa da travessia pelo Canal do Panamá. Ele havia planejado estar lá para saudar a chegada do navio. Não pode ir. Mas quando o Anastasis atracou nas docas, o sistema de som local tocava “Santo, Santo, Santo…”. Sua voz podia ser ouvida adorando aquele a quem ele tanto amava e na presença de quem agora estava.
Após a morte de Keith, Melody Green organizou um Concerto Memorial que foi levado a diversas cidades americanas. Como resultado deste, milhares de jovens se envolveram com programas missionários através de organizações como Jovens Com Uma Missão (JOCUM) e Operação Mobilização (OM). Em 1989, Melody lançou “No Compromise”, um livro vibrante com a história da vida de Keith Green. Três anos depois, por ocasião dos dez anos de sua morte, um grupo de artistas cristãos famosos como Petra, Margaret Becker, Russ Taff e outros, reuniu-se em uma coletânea com algumas de suas músicas mais conhecidas. Desta forma a música de Keith Green continuou a ser ouvida pela geração mais jovem da Música Cristã Contemporânea.
Que o exemplo de compromisso com Deus e com a santidade deixado por Keith Green possa ser um desafio a todos nós chamados para brilhar como astros no meio de uma geração corrompida e perversa.
2010
O Sangue De Abel
Perdoa-nos, ó Deus!
Somos muitos e muitos e muitos
Semeando mais o mal do que o bem
Perdoa-nos, ó Deus! Pois o mal que semeamos
Tem se virado implacavelmente contra nós
Perdoa o sangue derramado
Sobre a terra desde Abel
Perdoa-nos, ó Deus!
Somos muitos e muitos e muitos
Semeando mais o mal do que o bem
Perdoa-nos, ó Deus! Pois o mal que semeamos
Tem se virado implacavelmente contra nós
Tem se virado implacavelmente contra nós
Perdoa-nos, ó Deus! Perdoa-nos… perdão
Perdoa-nos, ó Deus! Perdoa-nos… perdão
Perdoa o sangue derramado
Sobre a terra desde Abel
Junte, ó Deus, nossos ossos secos
Sopra a vida mais uma vez
Perdoa-nos, ó Deus!
Perdoa-nos… perdão
Nos perdoe, ó Deus
Pelo imperialismo, o nazismo, o comunismo,
O capital selvagem, impiedoso, inescrupuloso,
A escravidão… a religião…
Sempre querendo te domesticar
Te encaixotar, te fazer de empregadinho
Perdão, por tanto fariseu se dizendo filho teu
Que não convenceu, que só dividiu
Levando muita gente boa pro covil
Nos perdoe, ó Deus, pelo terrorismo
O holocausto, a pornografia, a pedofilia
A mentira!
O dinheiro mal adquirido e mal repartido
A discriminação racial, social, irracional
Nos perdoe, oh Deus
(Letra: Marcão/Fruto Sagrado; Arte: “Caim e Abel”, Simon Vouet e Pietro Novelli – Galleria Nazionale d’Arte Antica, Roma)
2009
Quando tudo estiver dito e feito
Em nosso aniverário é comum pensarmos em muitas coisas. A letra abaixo foi uma reflexão pessoal e minha oração neste dia especial.
When it’s all been said and done
There is just one thing that matters
Did I do my best to live for truth?
Did I live my life for you?
When it’s all been said and done
All my treasures will mean nothing
Only what I have done
For love’s rewards
Will stand the test of time
Lord, your mercy is so great
That you look beyond our weakness
That you found purest gold in miry clay
Turning sinners into saints
I will always sing your praise
Here on earth and in heaven after
For you’ve joined me at my true home
When it’s all been said and done
You’re my life when life is gone.
****
Quando tudo estiver dito e feito
Há apenas uma coisa que que importa
Fiz o meu melhor para viver pela verdade?
Vivi minha vida para ti?
Quando tudo estiver dito e feito
Todos os meus tesouros não significarão nada
Somente o que eu fiz
Movido pelo amor
Passará pelo teste do tempo
Senhor, tua misericórdia é tão grande
Que Tu vês além de nossas fraquezas
Que Tu descobres puro ouro em barro lamacento
Tornando pecadores em santos
Sempre cantarei teus louvores
Aqui na terra e depois no céu
Pois uniste-me ao meu verdadeiro lar
Quando tudo estiver dito e feito
Tu és minha vida quando a vida acabar..
(letra de When It’s All Been Said And Done por Jim Cowan – tradução livre)
2009
Não existe insulto como a verdade
Um de meus artistas favoritos chama-se Charlie Peacock. Embora ele mesmo não seja lá muito conhecido do grande público, é sua a famosa música In the Light gravada pelo dc Talk durante a turnê Freak Show. Charlie Peacock é um excelente músico, produtor e compositor. Suas letras são inteligentes e nos desafiam a pensar. A letra abaixo é um exemplo disso.
Eu encalhei meu barco nos rochedos da alma
Não existe mentira igual a independência
Não há demônio igual ao controle
Eu abanei as chamas vivas até minha casa pegar fogo
Não há paródia igual ao poder
Não há febre igual o desejo
Eu sequei o vinho das trevas até os resíduos do engano
Não há droga tão forte como o orgulho
Não há cegueira maior do que a arrogância
Eu parti pra cima de uma montanha com uma picareta e uma lima
Não há campo minado igual a presunção
Não há desejo mais mortal que a negação
Não há tiro igual a convicção
Não há consciência à prova de balas
Não existe força igual a fraqueza absoluta
Não existe insulto como a verdade
Eu manipulei minha receita até não conseguir confiar em minha visão
Não há assassino igual a conveniência
Não há doença igual a omissão
Eu consertei as decisões e resisti a explicações
Não há cilada igual a emoção
Não há cova igual a reputação
Não existe câncer igual a ambição
Não há cura igual a crucificação
***
(Letra de Charlie Peacock e Douglas Kaine McKelvey do album Strangelanguage)
2009
Graça
Graça assume a culpa
Cobre a vergonha
Remove a mancha
Poderia ser seu nome
Graça, é o nome para uma menina
Também é um pensamento que mudou o mundo
E quando ela anda na rua
Você pode ouvir a melodia
A Graça encontra bondade em tudo
Graça tem um jeito de andar
Não como uma modelo nem como um bêbado
Ela tem tempo para falar
Ela viaja para fora do karma
Ela viaja para fora do karma
Quando ela vai trabalhar
Você pode ouvir a melodia
A Graça encontra beleza em tudo
Graça carrega um mundo em seus quadris
Não há taça de champanhe para seus lábios
Não há giros ou pulos entre os dedos
Ela carrega uma pérola em perfeitas condições
O que antes era dor
O que antes era atrito
O que deixava uma marca
Não fere mais
Porque a Graça cria a beleza
A partir das coisas feias
A Graça cria a beleza a partir das coisas feias
(Tradução livre da música Grace do U2)
2009
Guitarrista do U2 no Twitter e na telona

O guitarrista do U2 está usando o Twitter para postar fotos tiradas nos bastidores da turnê 360. As fotos estão em 360FromTheEdge. Na foto acima está o setlist e quarda roupas do The Edge para o primeiro dos três shows em Dublin, cidade natal da banda. E para quem gosta de U2 e do estilo de tocar do The Edge, dia 14 de Agosto será lançado o filme It Might Get Loud, que conta a saga de três guitarristas: Jimmy Page, The Edge e Jack White. Imperdível!
2009
Derek Webb, profeta pós-moderno?

Na terça-feira, dia 07/07, Derek Webb lançou via internet seu mais novo e tão aguardado álbum Stockholm Syndrome. O CD deverá sair em setembro deste ano, mas já é possível baixar as músicas no site por um preço que vai desde US$7,99 a US$59,99, dependendo do “pacote” que você estiver interessado em comprar. Tão logo eu recebi o e-mail do mailing do Derek, entrei no site e efetuei uma compra: por US$ 9,99 comprei o audio para download imediato e o direito de receber pelo correio as duas versões em CD quando elas saírem em setembro.
Conheci a música de Derek Webb em 1999. Eu estava num show em Orlando para ver duas bandas que curtia bastante: Third Day e Jars of Clay. Outros artistas se apresentaram na noite, alguns deles bem no início da carreira: Andrew Peterson, Bebo Norman e Caedmon’s Call. Ganhei um CD autografado do Caedmon’s Call, mas confesso que não curti muito o som a princípio. Na verdade, só comecei a me interessar mais pela banda depois que seu vocalista principal, Derek Webb, se lançou em uma carreira solo paralela. Comprei She Must And Shall Go Free (2003), I See All Things Upside Down (2004) e baixei Mockingbird (2005) gratuitamente no site dele, sendo este seu melhor trabalho, em minha opinião. Logo percebi que se tratava de um artista acima da média, para dizer pouco. Continuei seguindo sua carreira e aguardei com outros milhares de fãs o desenrolar da gravação e lançamento de Stockholm Syndrome.
Estou ouvindo Stockholm Syndrome e curtindo a mudança de direção no som de Derek, chamada de post-folk. Para quem ouviu a versão remix de One Zero (2007), o novo trabalho segue a mesma sonoridade e, em alguns momentos, me lembra Radiohead na fase Kid A e Amnesiac sem a voz de Tom Yorke.
Derek Webb é um artista à parte. Suas letras são fortes e se assemelham às denúncias dos profetas do Velho Testamento. Sua atitude em relação a distribuição de sua música também é radical. Em 2006 ele decidiu distribuir seu novo trabalho Mockingbird de graça por acreditar que as pessoas precisavam ouvir o que ele tinha a dizer. 180 mil cópias foram baixadas de seu site nos três meses em que o download estava disponível. Derek voltou a distribuir Mockingbird numa edição especial chamada 2008 Election Special Edition durante as eleições presidenciais norte-americanas no ano passado. Não é de se admirar que Derek seja um dos fundadores do site NoiseTrade que distribui música de graça como meio de promover artistas indie e emergentes. Seu álbum The Ringing Bell (2007) foi um dos primeiros a ser disponibilizado no site que agora conta com dezenas de artistas.
Stockholm Syndrome chega em meio grandes controvérsias. O selo INO Records decidiu que não iria distribuir o álbum, aparentemente por causa de sua temática e de uma faixa específica chamada What Matters More, uma faixa que Derek considera ser uma das mais importantes do trabalho. Um acordo foi feito e INO distribuirá uma versão clean (editada) do álbum, enquanto a versão completa pode ser adquirida pelo site de Derek.
Controvérsias parecem acompanhar Derek Webb. Em 2003, seu trabalho inicial foi rejeitado por alguns distribuidores nos EUA por causa da linguagem forte nas faixas Wedding Dress e Saint And Sinner. Durante o processo das eleições presidenciais de 2008, ele aconselhou pessoas a não votar caso sentissem que estariam escolhendo o candidato “menos mal”. Sua posição não agradou muito pessoas de ambos os lados do cenário político norte-americano.
Agora Derek atinge o nervo exposto da comunidade cristã ao denunciar o tratamento que muitos cristãos dão aos homossexuais (ele não está defendendo a homossexualidade, mas rejeitando o tratamento dado aos homossexuais) e a hipocrisia daqueles que se ofendem com a palavra “merda” (shit) sendo dita por um cristão enquanto deixam de se ofender com as 50 mil pessoas que morrem diariamente. Esta última é uma referência a Tony Campolo e seu famoso uso do vocábulo proibido durante uma palestra para estudantes universitários na década de 1980.
Para muitos, Derek Webb é um profeta pós-moderno. Para mim, ele é um artista. Eu aprecio sua música, sua honestidade e autenticidade.
2009
U2 trezentos e sessenta graus
Após muita espera, começou hoje a turnê 360° da banda irlandesa U2. Os dois primeiros shows (hoje e quinta-feira, dia 02/07) são em Barcelona. Na era do YouTube, Flicker e Twitter, já é possível ver imagens gravadas do show de hoje, além de conferir fotos e o setlist do show.



O setlist deste primeiro show inclui músicas de 8 discos da banda: foram 7 faixas do novo disco No Line on the Horizon (Breathe, No Line On The Horizon, Get On Your Boots, Magnificent, I Will Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight, Unknown Caller e Moment of Surrender), 3 faixas de All That You Can’t Leave Behind (Beautiful Day, In A Little While e Walk On), 3 faixas de The Unforgettable Fire (The Unforgattable Fire, Pride e MLK), 3 faixas de The Joshua Tree (Still Haven’t Found What I’m Looking For, Where The Streets Have No Name e With Or Without You), 2 faixas de How to Dismantle an Atomic Bomb (Vertigo e City of Blinding Lights), 2 faixas de Achtung Baby (One e Ultra Violet), 1 faixa de War (Sunday Bloody Sunday) e 1 faixa de Rattle and Hum (Angel of Harlem). Por enquanto, nenhuma faixa de Boy, October, Zooropa e Pop. Será interessante acompanhar esse setlist no decorrer da turnê e ver quais músicas ficam e quais desaparecem dando lugar a outras. A banda de abertura foi ninguém menos que a fantástica Snow Patrol e a música que ficou tocando no PA anunciando a entrada da banda foi Space Oddity de David Bowie. A banda fez também um link com a estação espacial internacional e conversou ao vivo com os astronautas. Surreal. Considerada a turnê mais cara da carreira da banda (algo em torno de 100 milhões de dólares), há ainda não há nenhuma previsão de que ela passará por aqui. Informações completas sobre esta e outras turnês do U2 você encontra em U2Tour.
2009
Um dos meus CDs favoritos
Há 2o anos a banda cristã de rock White Heart lançava aquele que, na minha opinião, foi seu melhor trabalho (e possivelmente um dos melhores discos da música cristã contemporânea dos anos 80). Freedom, o sexto álbum da banda, foi lançado oficialmente em 06 de junho de 1989, sendo o terceiro trabalho com a formação que incluía Rick Florian (vocal), Gordon Kennedy (guitarra), Tommy Sims (baixo), Chris McHugh (bateria), além dos fundadores da banda Mark Gersmehl (teclado/vocal) e Billy Smiley (guitarra/teclado/vocais). A produção ficou por conta do magistral Brown Bannister, também responsável pelo clássico Lead Me On da Amy Grant (outro de meus favoritos).
A sonoridade de Freedom foi influenciada pelo disco The Joshua Tree do U2 (precisa dizer que este também está na minha lista de favoritos?), gravado dois anos antes, principalmente o baixo e guitarra nas músicas The River Will Flow, Let it Go e Sing Your Freedom. Várias faixas fizeram sucesso nas rádios cristãs, como Let the Kingdom Come, Invitation e Over Me. A letra de Power Tools já encontrou espaço em algumas reflexões feitas por mim no Projeto 242 nos últimos anos: “É melhor abrir os olhos / É melhor saber quem está fazendo todas as regras / Ele é um homem de Deus / Ou apenas um bebê com ferramentas poderosas?”
A primeira faixa do CD chama-se Bye Bye Babylon (letra traduzida abaixo):
Voltando na história à cidade poderosa
Coloco meus pés nas ruas da Babilônia
Ouro e glitter, torres espantosas
Está tudo dentro dos muros da Babilônia
Força e segurança, conforto e tranquilidade
O que poderia ser melhor do que viver na Babilônia?
Mas sua força era apenas uma ilusão
Agora a cidade descansa sob ruínas
Adeus, adeus Babilônia
Este monumento ao orgulho já era
Adeus, adeus Babilônia
Deus não era sua força e canção
Então adeus Babilônia
Viajando num foquete através do tempo e espaço
É o ano 2088
Eles estão escavando no pó do que nós fizemos
Agora as pessoas me estudam
Eu sou uma parte da história
Será que deixamos para eles outra Babilônia?
Há evidências de um avivamento espiritual
Ou deixamos uma terra de ídolos quebrados?
Adeus, adeus Babilônia
Nosso monumento é o Santo Deus?
Adeus, adeus Babilônia
Se Deus não for nossa força e canção
Então é adeus Babilônia
Numa época de tanta música descartável, Freedom ainda encontra espaço em meu iPod 20 anos depois.
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