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	<title>Sandro Baggio &#187; Música</title>
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	<description>Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.</description>
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		<title>Espinhos na palha</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Dec 2011 19:49:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[esperança]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde o dia em que o anjo veio Parece que tudo mudou A única certeza Era a criança movendo-se em seu interior Na estrada que não terminaria Circulando até Belém Tão longe de casa Apenas um cobertor no chão Num estábulo vazio Mas lá nasceu o filho Que ela segurava nos braços E ao colocá-lo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/7OjXHfVoI64" frameborder="0" width="420" height="315"></iframe></p>
<p>Desde o dia em que o anjo veio<br />
Parece que tudo mudou<br />
A única certeza<br />
Era a criança movendo-se em seu interior<br />
Na estrada que não terminaria<br />
Circulando até Belém<br />
Tão longe de casa</p>
<p>Apenas um cobertor no chão<br />
Num estábulo vazio<br />
Mas lá nasceu o filho<br />
Que ela segurava nos braços<br />
E ao colocá-lo para dormir<br />
Ela ficou a pensar &#8211; será que sempre será<br />
Tão amargo no entanto tão doce?</p>
<p><em>E será que ela viu lá<br />
Na palha próximo da cabeça dele um espinho?<br />
E será que ela sentiu cheiro de mirra<br />
No ar naquela noite estrelada?<br />
E será que ela ouviu anjos cantando<br />
Não muito longe dali?<br />
Até que por fim o sol nasceu avermelhado<br />
No céu da manhã </em></p>
<p>Então as palavras de videntes ancestrais<br />
Despencando pelos séculos&#8230;<br />
Uma virgem conceberá&#8230;<br />
Deus conosco&#8230; Príncipe da Paz<br />
Homem de Dores &#8211; que nome mais estranho<br />
Oh José lá vem de novo<br />
Tão amargo no entanto tão doce</p>
<p>E enquanto ela o observava através dos anos<br />
Sua alegria se misturava a lágrimas<br />
E sentia tudo de novo<br />
A glória e a vergonha<br />
E quando os milagres começaram<br />
Ela pensou: Quem é este homem?<br />
E onde isso tudo terminará?</p>
<p>Até que contra um céu em trevas<br />
O filho que ela amava foi erguido<br />
E com seu último fôlego de vida<br />
Ela o ouviu dizer: &#8216;Pai perdoe&#8217;<br />
E para criminoso ao seu lado<br />
&#8220;Hoje comigo no Paraíso&#8221;<br />
Tão amargo no entanto tão doce</p>
<p>***</p>
<p>Letra e música de Graham Kendrick<br />
Tradução livre.  A letra original e informações sobre o artista se encontram <a href="http://www.grahamkendrick.co.uk/songs/lyrics/thorns.php" target="_blank">aqui</a>.</p>
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		<title>Achtung Baby</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2011 11:31:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[U2]]></category>

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		<description><![CDATA[Em novembro de 1991 eu havia acabado de deixar da OM, organização missionária com a qual eu havia trabalhado desde janeiro de 1989. Uma vez que unir-me à OM tinha sido meu alvo desde 1984, eu estava encerrando um ciclo em minha vida e não estava bem certo do faria a seguir. Naquele mesmo ano [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/11/achtung-baby2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1974" title="achtung-baby2" src="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/11/achtung-baby2.jpg" alt="" width="318" height="312" /></a></p>
<p style="text-align: left;">Em novembro de 1991 eu havia acabado de deixar da OM, organização missionária com a qual eu havia trabalhado desde janeiro de 1989. Uma vez que unir-me à OM tinha sido meu alvo desde 1984, eu estava encerrando um ciclo em minha vida e não estava bem certo do faria a seguir.</p>
<p>Naquele mesmo ano eu li Resistência e Submissão de Dietrich Bonhoeffer <a href="http://www.sandrobaggio.com/2008/10/27/quando-tomei-a-pilula-vermelha/" target="_blank">pela primeira vez</a>. A leitura das cartas que Bonhoeffer escreveu da prisão antes de ser enforcado pelo regime nazista causou um profundo impacto em minha vida. Comecei a enxergar o Cristianismo mais com os &#8220;pés no chão&#8221;, um pouco mais relacionado com a vida terrena &#8211; e não apenas o celeste porvir &#8211; do que eu havia percebido até então.</p>
<p>Musicalmente, aquele também foi o ano em que eu rompia de vez com a separação na arte do sagrado vs. profano e começava a escutar a música da época em que eu estava vivendo independente do rótulo de &#8220;cristã&#8221; ou &#8220;secular&#8221;. A &#8220;revolução&#8221; grunge estava a caminho e logo camisas xadrez de flanela amarradas na cintura seriam a moda da juventude em todos os lugares. Bandas como Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Alice In Chains começavam a ganhar espaço nas rádios e na MTV. Guns &#8216;N Roses era a banda do momento. E os headbangers ainda estavam incertos se gostavam ou não do &#8220;black álbum&#8221; do Metallica.</p>
<p>Foi neste contexto que comprei Achtung Baby do U2, relançado esta semana em várias edições comemorativas de seu aniversário de 20 anos. Eu tinha &#8220;descoberto&#8221; o U2 há apenas quatro anos e a banda já estava se tornando a minha favorita. Comprei o LP e gravei uma fita cassete do mesmo para ouvir em meu walkman. Durante meses, este álbum foi meu companheiro muitas noites antes de dormir.</p>
<p>Confesso que à primeira ouvida, fiquei um pouco confuso. Aquela não parecia ser a mesma banda de The Unforgettable Fire (1984), The Joshua Tree (1987) e Rattle And Run (1988), os três álbuns do U2 com os quais eu tinha familiaridade até então. Se nestes álbuns o U2 expunha seu amor pela América, em Acthung Baby eles voltavam à realidade de seu continente natal, uma Europa em transição com a queda do Muro de Berlim e o colapso do comunismo. Achtung Baby é U2 abraçando definitivamente sua identidade européia.</p>
<p>Logo na primeira faixa, Zoo Station, a sonoridade já se mostrava completamente diferente. Um som mais sujo, distorcido, cheio de efeitos, a bateria soando como se fosse de lata e a voz do Bono como se ele estivesse cantando dentro do vagão de um trem. As coisas ficaram ainda mais confusas para mim com o ritmo dançante de Even Better Than The Real Thing. O que estava acontecendo com minha banda de rock? Electro techno e dance music eram tabús para meus ouvidos acostumados ao heavy metal. E a letra soava demais sensual. Onde estava aquela banda com consciência política e mensagens inspiradoras de esperança, paz e amor?</p>
<p>Foi somente na terceira faixa, One, que a banda soou um pouco mais &#8220;normal&#8221; para mim. Mas ainda assim, o clima era diferente, mais sombrio e melancólico. One reflete a tensão entre os membros da banda durante a transição sonora dos álbuns anteriores para Achtung Baby e também fala sobre o fracasso do casamento de The Edge e Aislinn. Apesar de seu título sugerir unidade, é uma música sobre diferenças e a complexidade dos relacionamentos humanos.</p>
<p>Quando alcancei a quarta faixa, percebi que estava diante de um álbum fenomenal. Until The End of The World foi a música de Acthung Baby que cativou minha atenção desde a primeira ouvida. A letra introspectiva sobre traição retrata um monólogo fictício de Judas para Jesus e foi inspirada pela leitura que Bono estava fazendo de Book of Judas do poeta irlandês Brendan Kennelly.</p>
<p>A partir daí Achtung Baby foi fazendo sentido como uma obra de arte. Semelhante à sua capa feita de colagens de fotos que parecem não terem conexão alguma umas com as outras, mas no final formam um todo, este é o conjunto mais coeso de canções que o U2 já produziu.</p>
<p>Stephan Catanzarite resume bem Achtung Baby ao dizer que &#8220;é um mergulho de cabeça na piscina do mistério (&#8230;), é um álbum que faz muito mais perguntas do que tenta respondê-las, uma obra de arte que é mais inspirada em suas meditações sobre as contradições, incertezas e confusão que florescem à sombra da Queda.&#8221;</p>
<p>Talvez seja esta sombra da Queda que faz com Achtung Baby tenha um elemento de confissão em seu conjuto. Confissão de fracasso, de confusão, de dúvida, de ceder à tentação e de hipocrisia. Bono começou a usar óculos escuros para cantar estas canções. Era como se ele precisasse se esconder por trás daqueles óculos para ser tão pessoal e aberto sobre sua humanidade caída. Em meio há tantas confissões, encontramos também confissão de dependência da Graça de Deus representada na Santa Ceia: &#8220;<em>I&#8217;d break bread and wine if there was a church I could receive it, cause I need it now&#8230;</em>&#8221; (eu partiria pão e vinho se houvesse uma igreja onde eu pudesse recebê-los, pois preciso disso agora).</p>
<p>As primeiras palavras de Achtung Baby são &#8220;<em>I&#8217;m ready for the laughting gas, I&#8217;m ready for what&#8217;s next</em>&#8230;&#8221; (estou pronto para o gás do riso, pronto para o que virá). Elas anunciam o clima de tumulto, manifestações, mudanças e incerteza com relação ao futuro. Este era o clima tanto da banda quando estava compondo estas canções, quanto do mundo naquele início da década de 1990. Era também o clima de minha vida naquele momento de transição.</p>
<p>Talvez seja por isto que me apaixonei por este disco. Ele funcionou para mim como um divã e através de suas canções eu conseguia expressar sentimentos secretos sem soar tão óbvio para as pessoas ao meu redor. Nesta época abracei o que Bonhoeffer havia dito em uma de suas cartas da prisão: &#8220;Ser cristão é ser homem. Não apenas um certo tipo de homem, mas o homem que Cristo cria em nós.&#8221; (18.07.1944)</p>
<p>Para ser este tipo de homem que reconhece-se pecador, mas não perde a esperança na Redenção, é preciso ser totalmente dependente da Graça de Deus. Em Mysterious Ways, onde a imagem do movimento misterioso feminino se funde ao mover misterioso do Espírito, Bono volta a falar sobre esta dependência: &#8220;<em>If you wanna kiss the sky, better learn how to kneel</em>&#8221; (se você quiser beijar o céu é melhor aprender a se ajoelhar).</p>
<p>Um álbum tão rico em imagens e sons, Achtung Baby não poderia deixar de ser considerado como o melhor trabalho do U2.</p>
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		<title>Fé é para os fracos?</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Oct 2011 14:51:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Lendo o livro Insurrection de Peter Rollins, escritor irlandês que está ficando conhecido pelo seu desconstrucionismo da fé cristã, lembrei-me de uma música do Steve Taylor intitulada Harder to Believe Than Not To. Segundo Steve Taylor, esta música, gravada de modo bem simples em Londres com uma pequena orquestra, toma emprestado seu título de uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lendo o livro Insurrection de Peter Rollins, escritor irlandês que está ficando conhecido pelo seu desconstrucionismo da fé cristã, lembrei-me de uma música do Steve Taylor intitulada Harder to Believe Than Not To.</p>
<p>Segundo Steve Taylor, esta música, gravada de modo bem simples em Londres com uma pequena orquestra, toma emprestado seu título de uma linha encontrada nas cartas de Flannery O&#8217;Connor, uma escritora de ficção aclamada pela crítica e originária do Sul dos EUA. Os amigos de O&#8217;Connor no círculo literário de Nova Iorque tinham muita dificuldade em acreditar que uma escritora de seu calibre pudesse ser algo tão comum e fora de moda como uma seguidora de Jesus. Ela respode em sua carta à crítica de que a função primária do Cristianismo é ser uma muleta para os fracos de espírito e diz  que seus críticos simplesmente não entendem o custo envolvido no Cristianismo, que &#8220;é muito mais difícil acreditar do que não acreditar.&#8221;</p>
<p>Steve Taylor diz que aquelas palavras ficaram gravadas em sua memória e a canção foi escrita do ponto de vista que o custo envolvido no Cristianismo &#8211; o ideal de tomar a sua cruz diariamente e seguir Jesus &#8211; torna-o difícil de acreditar, porque o Cristianismo demanda coisas de nós que não desejamos dar naturalmente. Nas palavras do dramaturgo Dennis Potter, &#8220;Não existe, afinal, o que se chama de uma fé simples.&#8221;</p>
<p>Quando Rollins diz em seu livro que ter fé, acreditar, é natural do ser humano simplesmente pelo fato de que todos desejamos crer em algo que nos traga conforto, consolo, esperança, penso que, ainda que ele esteja correto, não é disto que se trata o Cristianismo. Como disse C.S. Lewis, &#8220;<em>Se você</em> está à procura de uma <em>religião</em> que o deixe <em>confortável</em>, definitivamente eu <em>não</em> lhe aconselharia o <em>cristianismo</em>.&#8221;</p>
<p>Na realidade, a fé necessária para seguir Jesus não é nem um pouco natural.</p>
<p>É Mais Difícil Acreditar Do Que Não</p>
<p>Nada é mais frio do que os ventos de mudança<br />
Onde o frio congela o sonhador até que só reste uma sombra<br />
Entre as ruínas se encontra sua alma torturada<br />
Estava perdida lá<br />
Ou foi sua vontade que se rendeu?<br />
Tremendo com dúvidas que foram negligenciadas<br />
Então você lança fora o manto que deveria ter consertado<br />
Você não sabe agora porque são poucos os escolhidos?<br />
É mais difícil acreditar do que não<br />
Mais difícil acreditar do que não</p>
<p>Foi uma confiança que o manteve firme<br />
Quando você sabia que acreditava, mas não sabia o porquê<br />
Ninguém imagina chegar a este ponto<br />
Mas é tão difícil quando as pessoas não querem escutar<br />
Tremendo com dúvidas que foram negligenciadas<br />
Então você lança fora o manto que deveria ter consertado<br />
Você não sabe agora porque são poucos os escolhidos?<br />
É mais difícil acreditar do que não</p>
<p>Alguns ficam paralizados até sucumbirem<br />
Outros fazem o que sentem, mas seus sensos estão congelados<br />
Uns são pisados pela multidão devota<br />
Ainda assim eles seguem se arrastando</p>
<p>Você é robusto o bastante para mover-se adiante?<br />
São acenos de aprovação ou a verdade que você deseja?<br />
E se eles a chamam de muleta, então siga com a cabeça erguida<br />
Seus acusadores sempre tiveram medo de mostrar a face<br />
Eles tremem com dúvidas que foram negligenciadas<br />
Eles lançam fora o manto que deveriam ter consertado<br />
Você já sabe agora porque poucos são os escolhidos<br />
É mais difícil acreditar do que não</p>
<p>Eu acredito</p>
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		<title>Tempos Difíceis</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Aug 2011 16:45:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Na postagem Vamos Esclarecer as Coisas, o Dr. Augusto Nicodemus fez uma boa síntese dos tempos em que estamos vivendo. Os tempos ficarão difíceis, não para a Igreja Evangélica, mas para aqueles evangélicos que: insistirem que a Bíblia é inerrante; acreditarem que foi Deus que criou o mundo e não a evolução; afirmarem que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na postagem <a href="http://networkedblogs.com/lXLAJ" target="_blank">Vamos Esclarecer as Coisas</a>, o Dr. Augusto Nicodemus fez uma boa síntese dos tempos em que estamos vivendo.</p>
<p>Os tempos ficarão difíceis, não para a Igreja Evangélica, mas para aqueles evangélicos que:</p>
<ul>
<li> insistirem que a Bíblia é inerrante;</li>
</ul>
<ul>
<li> acreditarem que foi Deus que criou o mundo e não a evolução;</li>
</ul>
<ul>
<li> afirmarem que o casamento é entre um homem e uma mulher;</li>
</ul>
<ul>
<li> declararem que só Jesus Cristo salva e que o Cristianismo é a única religião verdadeira;</li>
</ul>
<ul>
<li> acreditarem na necessidade da Igreja;</li>
</ul>
<ul>
<li> se recusarem a negar qualquer das posições acima.</li>
</ul>
<p>Ao ler isto, me lembro da música do Fruto Sagrado, cuja letra reproduzo abaixo:</p>
<p>Nem sempre vão querer te aplaudir<br />
Nem sempre vão achar você tão popular<br />
Na verdade, muita gente vai te odiar<br />
Vão tentar te roubar, matar e destruir<br />
A luz incomoda muito a escuridão<br />
Os lobos vão tentar sempre te enganar<br />
Mas quem te enviou é muito maior<br />
Ninguém terá poder pra te derrotar</p>
<p>Você foi escolhido, não escolheu,<br />
Pra dar frutos que sejam eternos<br />
Há muito campo para semear<br />
Pouco tempo pra fazer tudo acontecer<br />
Sua missão não será pequena<br />
Sua luta será contra todo mal<br />
Longe da mediocridade<br />
Sem visões humildes do poder de Deus!</p>
<p>Bem aventurado o que resistir até o fim!</p>
<p>Nunca balançar, nunca recuar,<br />
Nunca hesitar na cara do inimigo!<br />
A vida não se tornará um mar de rosas,<br />
Mas a vitória é certa, a vitória é nossa.<br />
Permaneçam em firmes Jesus! Firmes na fé!</p>
<p>Ninguém me encontrará entre os fracos!</p>
<p>Bem aventurado o que resistir até o fim!</p>
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		<title>Por amor ao chamado</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Aug 2011 22:40:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Discipulado]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[adoração]]></category>
		<category><![CDATA[Missional]]></category>

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		<description><![CDATA[Devo confessar que Steve Curtis Chapman não está entre meus artistas favoritos. Seu estilo é muito country/pop/comercial para meu gosto. Mas há uma música (a única dele que escuto) que gosto muito. Estava relendo trechos grifados de meu velho exemplar (comprado em janeiro de 1988) do livro Discipulado de Dietrich Bonhoeffer e lembrei-me das palavras [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/08/pegadas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1833" title="Walking on the sand" src="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/08/pegadas.jpg" alt="" width="425" height="282" /></a><br />
Devo confessar que Steve Curtis Chapman não está entre meus artistas favoritos. Seu estilo é muito country/pop/comercial para meu gosto. Mas há uma música (a única dele que escuto) que gosto muito. Estava relendo trechos grifados de meu velho exemplar (comprado em janeiro de 1988) do livro Discipulado de Dietrich Bonhoeffer e lembrei-me das palavras desta música. Abaixo está a letra traduzida (a original você encontra <a href="http://stevencurtischapman.com/music/songs/sake-call-435" target="_blank">aqui</a>).</p>
<p>Ninguém levantou-se para aplaudi-los<br />
Então eles sabiam desde o início<br />
Que esta estrada não seria para fama<br />
Tudo que eles sabiam com certeza era que Jesus os tinha chamado<br />
Ele disse &#8220;Vem e segue-me&#8221; e eles vieram<br />
Sem medir as consequências eles vieram</p>
<p>Redes vazias deitadas às margens da água<br />
Contam uma história que poucos acreditariam e ninguém poderia explicar<br />
Como alguns pescadores malucos concordaram em ir onde Jesus os conduzisse<br />
Sem pensar no que poderiam ganhar<br />
Pois Jesus os chamou pelo nome e eles responderam<br />
Nós abandonaremos tudo por amor ao chamado<br />
Por nenhuma outra razão senão pelo amor ao chamado<br />
Totalmente devotos a viver e morrer<br />
Por amor ao chamado</p>
<p>Atraídos tal como os rios são atraídos pelo mar<br />
Sem voltar atrás pois as águas só podem seguir seu fluxo<br />
Uma vez que ouvimos o chamado do Salvador, seguiremos onde ele levar<br />
Por causa do amor que Ele demonstrou<br />
E porque ele nos chamou para ir, responderemos<br />
Nós abandonaremos tudo por amor ao chamado<br />
Por nenhuma outra razão senão pelo amor ao chamado<br />
Totalmente devotos a viver e morrer</p>
<p>Não por amor a um credo ou uma causa<br />
Não por um sonho ou uma promessa<br />
Simplesmente porque é Jesus quem chama<br />
E se acreditamos, obedeceremos</p>
<p>***</p>
<p>&#8220;O discipulado é comprometimento com Cristo; por existir Cristo, tem que existir discipulado.&#8221;<br />
- Dietrich Bonhoeffer em Discipulado, 1937</p>
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		<item>
		<title>Petra &#8211; Not of this World</title>
		<link>http://www.sandrobaggio.com/2011/06/27/petra-not-of-this-world/</link>
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		<pubDate>Mon, 27 Jun 2011 20:58:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Discipulado]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[adoração]]></category>
		<category><![CDATA[esperança]]></category>
		<category><![CDATA[fé]]></category>

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		<description><![CDATA[Após minha conversão à Cristo, parecia impossível conciliar minha paixão pela música rock com minha fé cristã. Eu cheguei até a envolver-me com um ministério que era uma verdadeira caça às bruxas da música (principalmente do rock), tentando descobrir sinais ocultos nas capas, letras e até mesmo nas faixas tocadas ao contrário, que evidenciassem algum [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/06/1983-Not.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1678" title="1983-Not" src="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/06/1983-Not.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a></p>
<p>Após minha conversão à Cristo, parecia impossível conciliar minha paixão pela música rock com minha fé cristã. Eu cheguei até a envolver-me com um ministério que era uma verdadeira caça às bruxas da música (principalmente do rock), tentando descobrir sinais ocultos nas capas, letras e até mesmo nas faixas tocadas ao contrário, que evidenciassem algum pacto satânico feito pelos artistas para controlar as almas de seus fãs. Me disseram que o rock era do diabo e, como eu não queria nenhum vínculo com o capeta, havia decidido não apenas ficar longe deste estilo de música, mas alertar outros de seus perigos. Até que, numa manhã de sábado do início de 1986, numa passagem de rotina pela livraria Betânia, descobri uma banda que iria revolucionar minha visão com relação a música rock: Petra.</p>
<p>Formada em 1972, a banda Petra gravou 23 discos (sendo dois deles ao vivo) até sua “aposentadoria” em 2005. Das suas quatro décadas em atividade, a década de 1980 foi sem dúvida seu período de maior sucesso, quando lançaram seus álbuns mais conhecidos: Never Say Die (1981), More Power to Ya (1982), Not of this World (1983), Beat the System (1984), Captured in Time and Space (1985), Back to the Streets (1986), This Means War (1988), On Fire (1989) e Petra Praise: The Rock Cries Out (1989).</p>
<p>No ano passado, Petra ressurgiu com a &#8220;formação clássica&#8221; dos anos 1982-1985: Greg X. Volz (vocais), Bob Hartman (guitarra) Mark Kelly (baixo), Louie Weaver (bateria) e John Lawry (tecladista que substituiu John Slick após as gravações de More Power to Ya e Not of this World).</p>
<p>Há muitas músicas do Petra que se tornaram companheiras de viagem em minha jornada de fé e já postei algumas delas <a href="http://www.sandrobaggio.com/2008/12/15/musicas-do-petra-que-me-influenciaram-1/" target="_blank">aqui</a> no blog. Mas foi Not of this World, meu primeiro encontro com a banda e minha reconciliação com o rock, que ficará marcado para sempre em minha história. Quando ouvi este disco pela primeira vez, queria saltar de alegria. Apesar de não conhecer nada sobre a banda (demoraria dois anos para que eu tivesse qualquer informação sobre quem eles eram) estava ali um disco de rock cujas letras eram claramente enraizadas na Bíblia.  Apesar dos temores de minha mãe e de irmãos da igreja preocupados com minha fé, eu sabia que o Petra era, de fato, uma banda cristã. Não havia dúvidas de que quem escrevesse canções como aquelas tinha de ser crente de verdade. Resultado: memorizei todas as letras. Hoje, 25 anos depois, ainda recordo boa parte delas.</p>
<p>Três faixas deste disco continuam me perseguindo durante todos estes anos, como se o Espírito Santo me fizesse lembrar delas, em momentos em que preciso recordar ou reafirmar suas verdades:</p>
<p>A primeira é a faixa título Not of this World que me lembra que sou peregrino aqui (Povo de Deus: povo missionário, povo peregrino):</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Somos peregrinos numa terra estranha</em><br />
<em> Estamos bem distantes de nossa terra natal</em><br />
<em> A cada dia que passa fica mais claro</em><br />
<em> Este mundo nunca irá querer-nos aqui</em><br />
<em> Não somos bem vindos neste mundo do erro</em><br />
<em> Somos estrangeiros que não lhe pertencem</em><br />
<em> Somos estranhos, somos diferentes</em><br />
<em> Não somos deste mundo</em></p>
<p>Outra faixa que ficou em minha memória e que, de tempos em tempos, sou lembrado de suas palavras marcantes é Godpleaser:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Tantas vozes me dizendo para onde ir</em><br />
<em> Tantas escolhas vem daqueles que pensar saber</em><br />
<em> Há um caminho que parece certo ao homem</em><br />
<em> Mas apenas o conduz à morte</em><br />
<em> Quero seguir o caminho que conduz à vida</em><br />
<em> Até meu último respirar</em><br />
<em> Não quero agradar homens &#8211; quero agradar a Deus</em><br />
<em> Desejo apenas ter a sabedoria para discernir entre os dois</em><br />
<em> Não quero agradar homens &#8211; quero agradar a Deus</em><br />
<em> Desejo apenas fazer as coisas que agradam o coração do Pai</em></p>
<p>Grave Robber me cativou desde o início. Mas após a morte prematura de meu irmão mais velho aos 20 anos de idade em 1987, esta música se tornou uma canção que me faz lembrar da esperança de um dia nos encontrarmos novamente:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Há um passo que todos temos que dar sozinhos</em><br />
<em> Um encontro que temos com o grande desconhecido</em><br />
<em> Como vapor esta vida está aguardando para passar</em><br />
<em> Como flores que murcham, como a grama que seca</em><br />
<em> Mas a vida parece tão longa e a morte tão completa</em><br />
<em> E a sepultura uma poção difícil de enganar</em><br />
<em> Mas há Um que esteve lá e ainda vive para contar</em><br />
<em> Há Um que esteve tanto no céu como no inferno</em><br />
<em> E a sepultura se revelará vazia no dia</em><br />
<em> Jesus virá e nos roubará</em><br />
<em> Muitos ainda estão em luto e muitos ainda choram</em><br />
<em> Por seus amados que caíram no sono</em><br />
<em> Mas temos esta esperança,<br />
ainda que nossos corações possam doer</em><br />
<em> Apenas um brado do alto e todos irão acordar</em><br />
<em> E na reunião de alegria veremos</em><br />
<em> A morte será engolida na doce vitória</em><br />
<em> Onde está o aguilhão, diga-me onde está a picada</em>?<br />
<em> Quando o ladrão de sepultura vier como um ladrão na noite</em><br />
<em> Onde está a vitória, onde está a recompensa?</em><br />
<em> Quando o ladrão de sepultura vier</em><br />
<em> E a morte finalmente morrer</em></p>
<p>Todas as letra em em inglês se encontram <a href="http://www.petrarocksmyworld.com/notofthisworld.html#grave" target="_blank">aqui</a>.</p>
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		<title>Milad &#8211; Retratos de Vida</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Jun 2011 17:29:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[Evangelho]]></category>
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		<category><![CDATA[Missional]]></category>
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		<description><![CDATA[Com esta postagem iniciarei uma série  semanal nos próximos meses sobre artistas cujas músicas influenciaram bastante minha jornada cristã até aqui. Algumas destas músicas são como porto-seguro para minha alma &#8211; um local onde eu posso retornar de quando em quando e lembrar de coisas boas que alimentam minha esperança, minhas convicções e meu senso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/06/Retratos.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1641" title="Retratos" src="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/06/Retratos.jpg" alt="" width="280" height="271" /></a></p>
<p>Com esta postagem iniciarei uma série  semanal nos próximos meses sobre artistas cujas músicas influenciaram bastante minha jornada cristã até aqui. Algumas destas músicas são como porto-seguro para minha alma &#8211; um local onde eu posso retornar de quando em quando e lembrar de coisas boas que alimentam minha esperança, minhas convicções e meu senso de vocação e chamado. Alguns destes artistas são brasileiros, outros de outras nacionalidades. A maioria são cristãos confessos, alguns não declaram publicamente sua fé.</p>
<p>Quero começar com o MILAD (sigla para Ministério de Louvor e Adoração), um grupo musical formado na década de 1980 por músicos profissionais que se lançaram num projeto missionário através da arte.</p>
<p>Foi em 1986 que ouvi o MILAD pela primeira vez, numa apresentação ao vivo do seu LP de estréia Água Viva (1985). Confesso que a música não me atraiu tanto. Naquela época,  a única música que me atraia era rock (quando mais pesado, melhor!). Por este motivo, o ritmo andino da primeira música &#8220;Todos os Que Procuram&#8221; não causou-me boa impressão e quase desisti de ouvir o restante. Ao mesmo tempo, letras sempre foram importantes para mim e as letras apresentadas pelo MILAD eram diferentes das que eu estava acostumado a ouvir nas igrejas (algo que se tornaria ainda mais evidente nos discos Retratos de Vida e Pra Cima Brasil). O que me cativou mesmo naquela noite foi a interpretação de &#8220;Pai Nosso&#8221; por João Alexandre. Quando o ouvi cantar, soube imediatamente que estava diante de um artista singular.</p>
<p>O MILAD lançou outros discos: Milad 1 (1986), Retratos de Vida (1987), Milad 2 (1988), Pra Cima Brasil (1990) e Milad 3 (1995). Estes discos trouxeram cânticos que foram cantados nas igrejas brasileiras por muito tempo, tais como Não Tenhas Sobre Ti, Água Viva, Conheci um Grande Amigo e Time de Deus.</p>
<p>Uma das canções mais marcantes e, provavelmente, a mais tocada em rádios cristãs que começaram a surgir no cenário brasileiro seria &#8220;Brasil&#8221;, composição de João Alexandre que se tornou um hino de uma geração de crentes despertando para realidades políticas e sociais do nosso país. O tempo se passou e ainda hoje esta música me comove quando a ouço:<em> </em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Como será o futuro do nosso país? </em><br />
<em> Surge a pergunta no olhar e na alma do povo </em><br />
<em> Cada vez mais cresce a fome nas ruas, nos morros</em><br />
<em> Cada vez menos dinheiro pra sobreviver<br />
Onde andará a justiça outrora perdida?</em><br />
<em> Some a resposta na voz e na vez de quem manda</em><br />
<em> Homens com tanto poder e nenhum coração </em><br />
<em> Gente que compra e que vende a moral da nação<br />
Brasil olha pra cima </em><br />
<em> Existe uma chance de ser novamente feliz</em><br />
<em> Brasil há uma esperança! </em><br />
<em> Volta teus olhos pra Deus, o Justo Juiz</em></p>
<p>Mas foi &#8220;Retratos de Vida&#8221; lançado em 1987 que se tornou um dos clássicos em minha biblicoteca musical. Ainda hoje, passadas mais de duas décadas, este disco continua uma obra à parte na música cristã brasileira. Primeiro porque se trata de um disco conceitual, usando as ruas e a vida noturna de São Paulo como pano de fundo para sua poesia e melodia. Não me lembro de muitos álbuns conceituais na música cristã brasileira (tirando evidentemente as &#8220;cantatas&#8221;), portanto, isto já coloca &#8220;Retratos de Vida&#8221; num patamar destacado. Fora isto, a música é de excelente qualidade e totalmente contextualizada com o cenário apresentado por suas letras e temática. E tinha um rock paulista a la Titãs (Virada Radical) que escutei &#8220;até furar o disco&#8221;:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Tudo se inicia de maneira displicente</em><br />
<em>Sigo na rotina de uma vida dependente</em><br />
<em>Coisas pra queimar, lances pra cheirar</em><br />
<em>Um mundo colorido, mil mutretas pra inventar</em><br />
<em>Palavras repetidas dizem tudo novamente</em><br />
<em>Evidentemente de uma forma diferente</em><br />
<em>Minas, heroínas, transas coisa e tal</em><br />
<em>Eu precisava tanto uma virada radical</em></p>
<p>Em &#8220;Pobres ricos sem Jesus&#8221; o cenário muda para aqueles que dedicam  sua existência na busca por riqueza somente para perceberem sua profunda  pobreza interior que nenhum dinheiro acumulado e gasto com luxos e  prazeres pode preencher:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Subiu na vida de avião, comprou até o que não quis</em><br />
<em> Cumpriu seus sonhos, sua paixão, daria tudo só pra ser feliz</em><br />
<em>Foi no horizonte procurar a fonte e o brilho do prazer</em><br />
<em>Na esperança de encontrar melhores dias pra viver</em><br />
<em>Mas como ser feliz? Onde encontrar a paz</em>?<br />
<em>Coisas que tanto quis e não sentiu jamais</em><br />
<em>No coração</em></p>
<p>A faixa &#8220;Meninos de rua&#8221; chamava a atenção da Igreja Brasileira para  os menores em situação de risco que começavam a crescer em número nas  ruas das grandes cidades brasileiras:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Sua rua sua casa, sem carinho, os pés no chão</em><br />
<em>Olhos fundos, peso raso, nenhum pai, muitos irmãos</em><br />
<em>Desencontros e trombadas, desesperos, fantasias</em><br />
<em>Pesadelos quase sonhos, vida pobre às escondidas</em><br />
<em>De tão pobre a sem-vergonha, de criança a rejeitado</em><br />
<em>O coitado vagabundo que nem cuida do nariz</em><br />
<em>Sem escola, só na cola, tem consigo seus heróis</em><br />
<em>Camburões, faróis, algemas, desta vida que não quis</em><br />
<em>Sempre cada um na sua, sua rua seus caminhos </em><br />
<em>A procura de algo novo, bons motivos pra viver&#8230;</em></p>
<p>&#8220;Esquinas Cruéis&#8221; retrata a vida das mulheres que vendem seus corpos nas esquinas da cidade. As palavras desta música me vieram à mente muitas vezes ao sair com os missionários do Projeto Toque para ministrar nos prostíbulos no centro da cidade:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>De longe se vê sua imagem, sua tatuagem, seu jeito de andar</em><em><br />
Olhar de menina, corpo de mulher<br />
pros homens um vício qualquer<br />
Sem eira nem beira, de qualquer maneira<br />
</em><em>Se esconde entre brincos, colares e anéis<br />
Escrava da sorte, esquinas cruéis<br />
Conhece os normais e os doentes<br />
de tão diferentes parecem iguais<br />
Pois pagam seu preço, desfrutam seu corpo<br />
confundem prazer com amor<br />
No seu dia a dia a mesma agonia<br />
vender pra ganhar pra chorar pra sofrer<br />
Contrariando a vida pra aos poucos morrer<br />
Você tem o preço mais alto e Deus lá do alto um dia já pagou&#8230;</em></p>
<p style="text-align: left;">As fotografias da vida urbana apresentadas em &#8220;Retratos de Vida&#8221; continuam sendo uma triste realidade e desafio tanto para a sociedade como para a Igreja. Como diz a frase na música &#8220;Meninos de Rua&#8221;: &#8220;Pois se Deus assim te ama é preciso a gente crer, que o amor de Deus é justo é há muito o que fazer&#8230;&#8221; Sem dúvida, há muito mesmo que fazer, sempre no espírito da oração: &#8220;Venha o Teu Reino, seja feita a Tua vontade, na terra como no céu.&#8221;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>U2 360º &#8211; São Paulo 09/04/11</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Apr 2011 03:03:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<description><![CDATA[Assistir a um show do U2 é uma experiência inesquecível. Não se trata apenas da música ao vivo, mas da energia contagiante de 90 mil pessoas que agitam, dançam e cantam em uníssono durante mais de 2 horas. Exatamente uma semana atrás, nesta hora, eu estava saindo do estádio Morumbi após mais uma dessas experiências, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assistir a um show do U2 é uma experiência inesquecível. Não se trata apenas da música ao vivo, mas da energia contagiante de 90 mil pessoas que agitam, dançam e cantam em uníssono durante mais de 2 horas. Exatamente uma semana atrás, nesta hora, eu estava saindo do estádio Morumbi após mais uma dessas experiências, desta vez com minha esposa e filha (primeiro grande show assistido por ela).</p>
<p>Minha primeira impressão ao entrar no estádio naquela tarde foi a visão monumental de  “A Garra” (apelido do palco criado para a turnê 360º). Eu esperava algo grande, mas não estava preparado para a monstruosidade do que vi. O topo da torre no centro do palco podia ser avistado até mesmo de fora do estádio. E, melhor ainda, os efeitos, a iluminação e o som não decepcionaram.</p>
<p>Muse, a banda de abertura, entrou  pontualmente às 20h para um show rápido, debaixo de uma insistente garoa. Foi interessante ver a reação do público, a maioria não familiarizado com a banda, que parecia espantado com a qualidade musical e o peso apresentado por Matthew Bellamy, Christopher Wolstenholme e Dominic Howard. Como também sou fã de Muse, curti bastante o show.</p>
<p>Às 21:40 em ponto as luzes do estádio se apagaram, Space Oddity de David Bowie  começou a tocar e mandou o recado para o público que entrava em delírio ao ver a imagem dos quatro músicos caminhando em direção ao palco sendo mostrada na gigante tela 360º (algo que eu podia ver de onde estava sem ter que olhar para a tela): &#8220;Check the ignition and may God&#8217;s love be with you.&#8221;</p>
<p>Com a banda no palco, a primeira música foi Even Better Than The Real Thing, segunda faixa daquele que eu considero o melhor álbum da banda, Achtung Baby. Em seguida vieram I Will Follow e Get On Your Boots, músicas para a galera dançar. What time is it in the world? foi pergunta que Bono fez (e repetiu muitas vezes durante o show) para introduzir Magnificent, possivelmente a faixa mais explicitamente cristã de todo repertório do U2. A galera cantou junto com Bono, que parecia estar, de fato, adorando Àquele a quem ele diz que nasceu para oferecer sua voz. Momento particularmente emocionante para mim.</p>
<p>Em seguida Mysterious Ways, outra faixa de Achtung Baby (ao todo foram quatro faixas deste disco) colocou a galera para dançar novamente e o clima continuou alto com Elevation, Until the End of the World e I Still Haven&#8217;t Found What I&#8217;m Looking For, oferecida a Julian Lennon, presente no Morumbi no dia de seu aniversário. Bono chegou até a conduzir o público a cantar Happy Birthday to You para Julian.</p>
<p>Stuck In A Moment, dedicada a Michael Hutchence, diminuiu o ritmo só por uns minutos, uma vez que Beautiful Day colocou todo mundo no alto de novo. Mesmo as canções mais lentas como In A Little While e Miss Sarajevo não diminuiram o ânimo do público que   voltou a dançar com Vertigo, I Will Go Crazy e Sunday Blood Sunday (cuja introdução foi dedicada aos movimentos de revolução política contra ditaduras nos países do Norte da África e Oriente Médio).</p>
<p>Bono apresentou Walk On falando sobre a libertação de Aung San Suu Kyi e agradeceu aos fãs do U2 que junto com a <a href="http://www.br.amnesty.org/" target="_blank">Anistia Internacional</a> desempenharam uma parte no processo de tornar a causa de Suu Kyi conhecida. Neste momento, lembrei que o U2 vem usando música com consciência política há quase 30 anos, colocando em seus encartes  os endereços da Anistia Internacional e <a href="http://www.greenpeace.org/brasil/pt/" target="_blank">Greenpeace</a> e incentivando seus fãs a se unirem a estas organizações. Ou seja, ninguém faz isso durante tanto tempo se não estiver convicto do que está fazendo. Não se trata meramente de estratégia de marketing para vender CDs, mas da consciência expressa por cada um dos membros da banda de que eles se sentem responsáveis pelo privilégio que sua arte lhes proporcionou. Prova desta consciência é a ONG <a href="http://www.one.org/international/" target="_blank">ONE</a>, fundada por Bono para combater a pobreza extrema.</p>
<p>One foi anunciada com o clip do Arcebispo Anglicano sul-africano Desmond Tutu, lembrando que juntos podemos fazer grandes coisas e, com amor, trabalharmos para construir um mundo Where the Streets Have No Name. Nada mais apropriado do que Bono ter cantado Help dos Beatles entre estas duas canções. Afinal, ajuda é o que ele mais tem pedido aos governantes das nações ricas na luta contra a pobreza endêmica, AIDs e malária nos países africanos. É impossível ouvir estas canções, apesar de tão conhecidas, e não ficar emocionado, sonhando com o Dia quando todos viverão como um onde as ruas não têm nome.</p>
<p>As músicas finais do show foram Hold Me Thrill Me Kiss Me Kill Me, With or Without You e Moment of Surrender, esta última sendo a canção escolhida para fechar todos os shows da turnê 360º até aqui. Curioso é que estas três últimas músicas falam sobre entrega. Que horas são no mundo? pergunta o Bono. Este é o momento da entrega, parece ser sua resposta.</p>
<p>Como disse, show do U2 é uma experiência inesquecível. O que não é tão legal é todo o esforço necessário para ver U2 ao vivo, desde o malabarismo para compra do ingresso, ao tempo dedicado para chegar cedo e conseguir um bom lugar, o assalto para estacionar o carro nas imediações do estádio, da demora para sair após o show e o trânsito caótico na volta. Tudo isso me faz pensar que talvez eu esteja ficando um pouco velho para este tipo de coisa. Mas para ver U2, vale a pena!</p>
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		<title>The Joshua Tree</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Mar 2011 18:59:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[fé]]></category>
		<category><![CDATA[U2]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu me lembro exatamente o dia em que o Haroldo, um aluno do seminário, me fez a seguinte pergunta: &#8220;Cara, você sabia que aquela banda de rock U2 é cristã?&#8221; Diante de minha expressão atônita, ele continuou: &#8220;Eu assisti um video deles e fala sobre um lugar onde as ruas não têm nome&#8230;  Cara, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-1226" href="http://www.sandrobaggio.com/2011/03/09/the-joshua-tree/u2the-joshua-tree/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1226" title="U2The Joshua Tree" src="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2011/03/U2The-Joshua-Tree-300x260.jpg" alt="U2The Joshua Tree" width="300" height="260" /></a><br />
Eu me lembro exatamente o dia em que o Haroldo, um aluno do seminário, me fez a seguinte pergunta: &#8220;Cara, você sabia que aquela banda de rock U2 é cristã?&#8221; Diante de minha expressão atônita, ele continuou: &#8220;Eu assisti um video deles e fala sobre um lugar onde as ruas não têm nome&#8230;  Cara, a música é sobre o céu!&#8221; Isto foi em março de 1988, um ano depois de The Joshua Tree ter sido lançado pela banda e se tornado um dos maiores discos de rock da história.</p>
<p>Com a curiosidade aguçada pelo comentário do Haroldo, comprei um cassete de The Joshua Tree na próxima vez que estive em São Paulo para visitar minha família. Naquela noite ouvi Where the Streets Have No Name, Still Haven&#8217;t Found What I&#8217;m Looking For e With or Without You pela primeira vez. Minha música favorita era o rock pesado e heavy metal, então a sonoridade do U2 não me cativou de imediato. Mas à medida em que escutava aquelas músicas, elas pareciam crescer em mim, mexiam com minhas emoções, expandiam meu horizonte musical e desafiavam meus conceitos sobre o que era &#8220;música cristã&#8221; (na época eu ainda separava a música entre cristã e não-cristã, sagrada e profana).</p>
<p>Afinal, eu poderia buscar vislumbres do céu em Where the Streets Have No Name (anos mais tarde eu entenderia que a frase fora inspirada na observação que Bono fez das ruas sem nome na Etiópia onde ele havia passado dois meses com sua esposa ajudando num campo de refugiados) ou interpretar With or Without You como se referindo a Deus (na verdade, era sobre o relacionamento entre Bono e sua esposa), mas francamente, não sabia o que fazer de Still Haven&#8217;t Found What I&#8217;m Looking For, uma letra que falava de dúvida (e não havia muito espaço para dúvida em minha teologia), ou outras faixas do disco que não tinham uma mensagem explicitamente &#8220;cristã&#8221;. Foi somente com o passar do tempo, ouvindo outros discos da banda e conhecendo um pouco mais de sua história que percebi o quanto das crenças cristãs abraçadas por Bono, Edge e Larry (Adam era o único &#8220;descrente&#8221; da banda) em sua adolescência encontravam ecos em suas músicas.</p>
<p>The Joshua Tree fez de mim um fã do U2. Comprei todos os discos anteriores e posteriores (e suas edições comemorativas remasterizadas quando saíram), os VHSs (e depois as edições em DVDs também), li uma dúzia de livros sobre a banda (dos quais considero <a href="http://www.amazon.com/U2-End-World-Bill-Flanagan/dp/0385311575/ref=sr_1_4?s=books&amp;ie=UTF8&amp;qid=1299696282&amp;sr=1-4" target="_blank">Until the End of the World</a> de Bill Flanagan como o melhor), assisti a banda ao vivo em 2005 e estou contando os dias para o show em São Paulo no próximo mês.</p>
<p>Hoje, 24 anos depois de ter sido lançado, The Joshua Tree é um dos meus discos favoritos. Graças a generosidade de uma amiga, ganhei o box da edição especial remasterizada em 2007. De vez em quando, pego-me voltando para suas melodias em busca de inspiração e para ser provocado novamente pelas idéias por trás de suas letras.</p>
<p>Para quem deseja conhecer mais sobre a fé expressa na música do U2, recomendo a leitura de <a href="http://www.w4editora.com.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=72:walk-on-a-jornada-espiritual-do-u2&amp;catid=35:catalogo&amp;Itemid=55" target="_blank">Walk On &#8211; A Jornada Espiritual do U2</a> escrito por Steve Stockman.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Um artista e seu sonho</title>
		<link>http://www.sandrobaggio.com/2010/12/09/um-artista-com-um-sonho/</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Dec 2010 02:02:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-1135" href="http://www.sandrobaggio.com/2010/12/09/um-artista-com-um-sonho/john-lennon/"><img class="aligncenter size-full wp-image-1135" title="john-lennon" src="http://www.sandrobaggio.com/wp-content/uploads/2010/12/john-lennon.jpg" alt="john-lennon" width="450" height="327" /></a></p>
<p>Lembro-me do dia em que John Lennon morreu. A notícia chocou pessoas no mundo inteiro. No dia seguinte à sua morte, cancelaram as aulas na escola onde eu estudava. Eu via pessoas chorando e, sinceramente, não entendia como alguém podia chorar a morte de alguém tão distante. Não, eu não gostava dos Beatles, não estava interessado na sua música e, portanto, não via razões para chorar a morte de um de seus ex-integrantes. Evidentemente, o mundo não concordava comigo. E foi somente uma década após sua morte, que John Lennon começou a cativar minha atenção como artista.</p>
<p>Foi ouvindo um concerto do Midnight Oil em 1990, um show guerrilla (como eles mesmo definiram) num ato de protesto em frente ao prédio da Exxon em Manhattan, que prestei atenção pela primeira vez na música <em>Instant Karma</em>, cantada por eles em homenagem a Lennon que viveu e morreu em NY. A letra era perfeita para a ocasião. Uma declaração de consequências instantâneas para as ações impensadas dos magnatas do petróleo responsáveis pelo derramamento de óleo do Exxon Valdez no Alaska em 1989. Fez sentido também a frase cantada por Bono em <em>God Part II</em>: <em>&#8220;Instant Karma&#8217;s gonna get him</em> [Goldman],<em> if I don&#8217;t get him first.&#8221;</em></p>
<p>A partir daí comecei a prestar atenção na música e arte, tanto dos Beatles, como de John Lennon. E descobri o artista em Lennon. Evidentemente que Lennon disse, fez e compôs coisas que não refletem o que creio, minha cosmovisão como cristão. Mas isso não diminui o fato de que ele era brilhante. Sua parceria com Paul McCartney nos Beatles rendeu algumas das canções mais memoráveis do quarteto de Liverpool.</p>
<p>Mas são as composições pós-Beatles que fizeram de Lennon um artista memorável, em minha opinião. Sua inquietação com o mundo, talvez fruto de uma infância marcada pela ausência do pai e, posteriormente da mãe, fez dele um rebelde que, aparentemente só com o passar dos anos, descobriria sua causa: a paz mundial. Essa rebeldia se tornou mais acentuada durante a guerra do Vietnam e os escândalos políticos norte-americanos no final da década de 1960 e início da década de 1970. Em meio a agitação dos movimentos estudantis, hippies drogados e desiludidos, Panteras Negras e ativistas religiosos, Lennon emergiu como uma voz clamando por uma chance para a paz e denunciando tudo e todos que ele acreditava estarem bloqueando o caminho.</p>
<p>Mas a paz que Lennon buscava não era apenas para o mundo ao seu redor. Sua vida revela que ele buscava paz interior, embora essa busca o tenha levado a lugares errantes. Durante a fase dos Beatles ele se envolveu com o misticismo oriental e as viagens das drogas e experimentalismo. O misticismo não satisfez sua alma e, mais tarde, ele passou a imaginar um mundo sem céu ou inferno e sem religião. Em <em>God</em>, Lennon confessou já não acreditar em nada (nem em Jesus, nem em Budha, nem em Mantra, nem em Gita, etc.) a não ser em si mesmo. Evidentemente ele havia se desiludido com a experiência religiosa anglicana de sua infância e das religiões orientais de seus anos com os Beatles.</p>
<p>Mas as drogas tampouco deram-lhe a paz que ele buscava. Sendo alguém que experimentou tudo quanto é tipo de drogas disponíveis  em sua geração, Lennon sabia muito bem como era passar por um processo  de desintoxicação. <em>Cold Turkey</em> narra essa experiência, denominada por ele como um verdadeiro inferno, de um viciado há 36 horas sem usar drogas.</p>
<p>Lennon compôs muitas canções amorosas sobre seu relacionamento com Yoko Ono. O relacionamento dos dois foi fruto de muita expeculação e controvérsia, mas evidentemente foi também uma fonte de inspiração para albums inteiros como <em>John Lennon / Plastic Ono</em> Band, <em>Double Fantasy </em>e <em>Milk and Honey</em>. Talvez uma das mais belas composições de Lennon foi para seu filho Sean, a singela música <em>Beautiful Boy</em>.</p>
<p>Tudo isto me mostrou Lennon como um artista, um ser humano caído com uma capacidade extraordinária de colocar em palavras e melodias suas próprias frustrações e sonhos. Ele cantou que só queria a verdade (<em>Give Me Some Truth</em>). Teria encontrado?</p>
<p>Em <em>The Gospel According to the Beatles</em>, Steve Turner (autor de <a href="http://www.w4editora.com.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=63:cristianismo-criativo-uma-visao-sobre-o-cristianismo-e-as-artes&amp;catid=35:catalogo&amp;Itemid=55" target="_blank">Cristianismo Criativo?</a>) narra sobre uma possível experiência de &#8220;novo nascimento&#8221; de Lennon. Mas não há como saber  se ele realmente teve um encontro com o Deus em quem dizia não crer e com Jesus Cristo, de quem pensou ser mais famoso. Só a eternidade revelará isso. E quando o Dia chegar,  o sonho de um mundo sem céu ou inferno também terá se acabado.</p>
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