Archive for the 'Teologia' Category
2010
Fitafuso e o Cristianismo pagão
No livro clássico Cartas de um Diabo a seu Aprendiz de C. S. Lewis, o diabo Fitafuso troca correspondências com seu jovem sobrinho Vermebile, dando-lhe instruções sobre como derrubar os cristãos. Fitafuso foi personagem fictício no livro de Lewis, mas seu tipo é real e ele foi apontado por Jesus como sendo o enganador mor.
Há alguns anos um amigo me recomendou a leitura de um livro chamado Cristianismo Pagão que ele havia lido e queria saber a minha opinião sobre o mesmo. Como não gosto de opiniar sobre algo que não li, decidi ler Cristianismo Pagão e também outros dois livros pelo mesmo autor: Reimagining Church (em 2008) e From Eternity to Here (no ano passado). Minha resposta depois de ter lido o primeiro livro foi de espanto sobre como qualquer pessoa familiarizada com o NT podia se deixar levar pelos erros cometidos pelos autores em algumas de suas afirmações. Creio que as intenções dos autores podem até terem sido boas (principalmente vindo de um contexto norte-americano), mas tal como a parábola oriental no prefácio do livro The Monkey and the Fish, de Dave Gibbons, a igreja precisa mais do que de boas intenções.
Esta semana Mark Driscoll publicou um boa crítica sobre Cristianismo Pagão em seu site The Resurgence. Driscoll cita bastante a crítica feita por Ben Witterington em junho e julho de 2008 sobre o mesmo livro. Ambas críticas fornecem amplo material (e referências) para uma avaliação sólida e saudável sobre o Cristianismo Pagão.
Driscoll corretamente aponta que:
O pior aspecto do livro é sua suposição de que a igreja institucional é o grande inimigo da igreja. Institucionalismo não é o inimigo da igreja. O problema mais significativo das igrejas, quer institucionais ou orgânicas, é considerar qualquer coisa menos que Satanás, pecado e morte como o grande inimigo da igreja. Isso resulta na minimização do Evangelho. Jesus não veio para libertar a humanidade das algemas das instituições, mas de Satanás, do pecado e da morte. Este livro [Cristianismo Pagão] foi edificado sobre uma questão secundária de prática e governo na igreja, em vez da questão central da tarefa da igreja, a proclamação do Evangelho. Não há dúvidas de que deve haver críticas sobre como a igreja “é igreja”, mas muito da crítica que Cristianismo Pagão faz da igreja contemporânea é sobre questões secundárias que são passíveis de debate (tanto historicamente como biblicamente) na melhor das hipóteses e totalmente falhas e falsas na pior da hipóteses. Não se engane; a igreja precisa de um revolução e reforma, mas não do tipo que os autores estão convocando. A igreja precisa desesperadamente de uma revolução completa do Evangelho e da centralidade de Deus.
Esta mesma visão quase que paranóica da instituição tem sido anunciada aqui no Brasil também. Trata-se errar o alvo. Há causas mais importantes como apontou Driscoll, em que a Igreja precisa enfocar. Talvez essa fobia da instituição seja até uma estratégia do Fitafuso para desviar a atenção dos seguidores de Cristo dos reais inimigos contra os quais eles deveriam estar lutando.
2010
Falar de Deus
[Deus]… é a mais carregada de todas as palavras humanas. Nenhuma tem sido tão aviltada, tão dilacerada. Precisamente por isso eu não posso renunciar a ela. Todas as gerações humanas fizeram passar sobre esta palavra o peso de suas angústias; esmagaram-na contra o solo; por isso ela jaz no pó, esmagada pelo peso de todas. As gerações dos homens, com suas divisões religiosas, dilaceraram a palavra: por ela mataram e por ela morreram; ela traz em si as marcas de todos eles, o sangue de todos eles. Onde poderia eu encontrar palavra igual a esta para designar o Altíssimo! Se usasse o mais puro e mais brilhante conceito do mais profundo tesouro dos filósofos, encontraria ali apenas uma imagem descompromissada, mas não a presença daquele a quem me refiro, daquele a quem as gerações dos homens honraram ou rebaixaram com todos os horrores da vida e da morte…
[Por isso] temos que respeitar aqueles que a rejeitam, por se rebelarem contra as injustiças e loucuras que tanto gostam de se apoiar na autorização de ‘Deus’; mas não podemos abandoná-la. É bem compreensível a proposta de muitos, de que durante algum tempo não se fale das ‘últimas coisas’, a fim de redimir as palavras maltratadas! Mas dessa forma elas não serão redimidas. Não podemos lavar a palavra ‘Deus’, nem podemos remendá-la; mas podemos levantá-la do chão, manchada e dilacerada como está, e erguê-la sobre um momento de grande preocupação.
- Martin Buber, citado por Hans Küng em O Princípio de Todas as Coisas, Editora Vozes, 2009.
2010
O que é a Igreja?
A igreja local é a comunidade de crentes regenerados que confessam Jesus Cristo como Senhor. Em obediência às Escrituras eles se organizam sob liderança qualificada, reunem-se regularmente para pregação e adoração, observam os sacramentos bíblicos do batismo e da Santa Ceia, são unificados pelo Espírito, disciplinados para santidade, e espalhados para cumprir o Grande Mandamento e a Grande Comissão como missionários ao mundo para a glória de Deus e sua alegria.
- Mark Driscoll e Gary Breshears em Vintage Church
2010
Doutrina Vs. Vida?

Freqüentemente ouvimos pessoas dizendo que não é o que alguém crê e, sim, o que faz que tem importância. Trata-se de meia verdade, que, como acontece com as verdades apresentadas pela metade, chega a ser perigosa. É meia verdade porque, do ponto de vista cristão, o pensamento teológico não é nenhum fim em si mesmo. O cristianismo é doutrina que se propõe a ser vivida. Visa a resultar em ações. De forma que, se permanecer sempre como pensamento, torna-se algo até mesmo destituído de verdadeiro cristianismo e, portanto, fútil. Entretanto, acentue-se que se trata de meia verdade, pois, o que quer que o homem faça, tal comportamento estará em íntima correlação com o que pensa e com o que crê ser o valor último da existência. Sempre que o chamado homem prático se encontra diante de situações que lhe forçam a decidir quanto à melhor maneira de proceder, sente ser portador de alguma idéia implícita quanto ao que constitui um alvo a ser alcançado em tal circunstância, ou que valores se lhe impõem como devendo ser assegurados mediante o encontro das soluções cabíveis. Além disso, ele não poderá deixar de revelar algum conceito quanto aos meios mais recomendáveis pelos quais os valores serão alcançados. Tudo isso não passa de teologia, implícita ou explicitamente.
- William E. Hordeen em Teologia Contemporânea, Hagnos.
2009
Teísmo(?) Aberto
Há 5 anos aconteceu o Tsunami da Ásia, uma catastrofe que tirou a vida de 230 mil pessoas e deixou mais de 1 milhão de desabrigados nos 11 países que sofreram a devastação causada por ondas gigantes.
Inconformados com a tragédia de proporções bíblicas, alguns pastores e teólogos brasileiros começaram a questionar se Deus poderia realmente estar no controle do mundo e, ao mesmo tempo, permitir tanta morte e sofrimento. A onda do Tsunami trouxe consigo uma outra onda para os cristãos brasileiros: o teísmo aberto.
O texto abaixo apesar de breve, dá uma noção sobre o que é o teísmo aberto, sua premissa básica e para onde, em última instância, ele conduz.
Denominei essa postagem de Teísmo seguido de um sinal de interrogação porque quanto mais leio textos daqueles que abraçaram essa visão sobre Deus e o homem, mais parece que estou lendo conceitos bem mais próximos do Deísmo do que do Teísmo propriamente dito.
****
Numa série de livros, Clark Pinnock e John Sanders tem promovido uma visão de um Deus finito e limitado em seu poder e conhecimento. Eles afirmam que se o homem tem livre-arbítrio de verdade, então Deus não pode ordenar nem conhecer os eventos que irão acontecer no futuro. O futuro está em aberto, no sentido de ser tanto criação do homem como de Deus. Como Pinnock escreve:
A idéia da responsabilidade moral exige que acreditemos que as ações não são determinadas, nem interna nem externamente. Uma importante implicação desta forte definição de livre-arbítrio é que a realidade permanece, em certa extensão, aberta, e não fechada. Isso significa que uma novidade genuína pode aparecer na história, que não pode ser prevista por ninguém, nem mesmo por Deus. (…) Tal conceito implica em que o futuro realmente está em aberto, e não disponível à exaustiva presciência nem mesmo da parte de Deus. Fica bem claro que a doutrina bíblica do livre-arbítrio humano exige de nós que reconsideremos a perspectiva convencional da onisciência de Deus.
Em outras palavras, o que se infere daí é que quase a totalidade da tradição cristã, incluindo aí o arminianismo clássico, desde o primeiro século até agora, tem afirmado uma noção equivocada quanto à natureza de Deus – mas, felizmente, no fim do século XX, Pinnock, Sanders e outros conseguiram finalmente entender a verdade! Que essa postura é inacreditável fica evidente, ao se observar que a Escritura é clara ao refutar tal ensino. (…) Um dos fatores que distingue o Deus verdadeiro de Israel dos falsos deuses é precisamente o fato de que Deus conhece o futuro absolutamente e, assim, é capaz de predizer o que acontecerá com certeza (Is 46.10). Os planos de Deus não são frustrados (Sl 33.10-11), porque ele faz tudo segundo o conselho da sua vontade (Ef 1.11).
O problema está no fato de que, ao definir o livre-arbítrio como uma causa totalmente indeterminada, Pinnock criou uma contradição que não existe na Bíblia. (…) A Bíblia põe a livre agência do ser humano e a providência de Deus lado a lado, sem a menor indicação de que haja contradição entre as duas. Isso porque a liberdade da Criação não implica sua autonomia diante do Criador, como Pinnock afirma. Além disso, já vimos que, ao contrário do que pensa Pinnock, a responsabilidade humana não está vinculada com a noção libertária do livre arbítrio. Isso é um conceito filosófico que é imposto ao texto bíblico, mas que não surge do texto em si.
Os problemas do teísmo aberto são muitos. Roger Nicole, numa resenha que escreveu sobre um dos principais textos deste movimento, The Openness of God, levanta vários problemas e perguntas a respeito do teísmo aberto.
Primeiro, ele nota que o teísmo aberto não é consistente com a existência de profecias detalhadas nas Escrituras. “Como Deus poderia saber que Judas trairia Jesus por 30 moedas de prata, quando o pagamento e aceitação de tal soma dependiam de decisões imprevisíveis dos principais sacerdotes e de Judas?” De fato, uma profecia, como a crucificação de Jesus, não exige apenas que Deus conheça o que acontecerá no futuro, mas que ele também tenha controle soberano sobre cada decisão livre de todos os agentes que participaram nos eventos, como de Pôncio Pilatos e dos soldados que lançaram sortes sobre a túnica de Jesus. Mas, como Nicole afirma, se Deus nem soubesse com certeza que Adão cairia em pecado, certamente ele não poderia “prever a morte de Cristo antes da fundação do mundo” (1 Pe 1.20; Ap 13.8; 17.8). A visão de Pinnock e Sanders, segundo Nicole, faz com que Simeão tivesse mais conhecimento do que Deus (Lc 2.35).
Roger Nicole também está correto ao indicar a futilidade da oração, se o teísmo aberto fosse verdadeiro. “O que dá direito aos autores [da obra The Openness of God] a aconselharem Deus em suas orações? O que eles sabem que Deus não sabe?” E por que perder tempo pedindo que Deus intervenha para salvar pecadores? Já que Deus não interfere com o livre-arbítrio das pessoas, ele não poderá fazer nada para influenciar a pessoa para se tornar cristã. Sem conhecer o futuro, Deus nem pode saber como as pessoas reagiriam a qualquer influência colocada em seu caminho. Deus estaria completamente desamparado diante da autonomia do pecador.
Concordamos com a avaliação de Nicole. O caminho para aqueles que têm abraçado o teísmo aberto parece ser o completo abandono da fé cristã histórica. Uma por uma, as outras doutrinas centrais da fé cristã serão abandonadas, ou por estes autores, ou por seus discípulos, exatamente como já aconteceu no passado. O caminho para o liberalismo e, depois, para o naturalismo, começa com a doutrina da autonomia do homem. A conclusão dele está correta:
Não é muito difícil prever para onde estas pessoas se moverão, se elas seguirem a lógica de sua própria posição. Eles brevemente abandonarão a doutrina cristã do pecado original, porque ela será vista como incompatível com o livre-arbítrio de todo ser humano que entra neste mundo (conforme Pelágio). O passo lógico seguinte é renunciar a expiação substitutiva penal, como tem freqüentemente acontecido com o liberalismo e até mesmo no arminianismo. Quando a expiação se vai, não há nenhuma grande necessidade de se manter a deidade de Cristo, e, quando isto se vai, geralmente se descarta a doutrina da Trindade. Então, a pessoa estará em pé de igualdade com o socinismo, que é o último passo antes da total negação do cristianismo. Na outra direção, a sedução da teologia do processo, que os presentes autores são ávidos em repelir, indubitavelmente exercerá algum poder sobre suas mentes. Quando alguém lê este livro, tem a impressão de que muitas vezes algumas páginas foram escritas por John Hick.
Para concluir, precisamos notar que alguns defensores do teísmo aberto têm afirmado que este seria uma recuperação da cosmovisão judaica, afastando a fé cristã das influências da filosofia grega. Mas é necessário perguntar: que cosmovisão judaica? Ao se estudar a literatura judaica antiga, o que fica evidente, por um lado, é o desprezo completo destes pela cultura helênica e, por outro lado, a ênfase na onipotência absoluta de Deus. Basta um pouco de familiaridade com alguns textos de Efraim Urbach, Akiba, Tanchuma bar Abba, Hanima, Joshua ben Hananiah, entre outros, para perceber esta diferença. A idéia básica do antigo judaísmo é que Deus dirige todos os atos dos homens rumo ao fim que ele mesmo estabeleceu. E é nesse ponto que o judaísmo antigo foi mais acentuadamente contrastado com o paganismo. No fim, se descobre que não existe nada novo nas atuais posições dos defensores do teísmo aberto que não tenha sido ensinado no passado por Heráclito, por exemplo, ou, na atualidade, pelos adeptos da teologia do processo.
(Franklin Ferreira e Alan Myatt em Teologia Sistemática, Vida Nova, 2007)
2009
Missão Integral (1)
Nestes últimos 6 meses tenho lido (e revisto) livros e artigos sobre a chamada “missão integral”. Em meu entendimento, a única missão pela qual vale a pena viver (e, se necessário for, morrer) é a missio Dei. Estou cansado das reflexões e comentários sobre a missão integral que não passam de uma releitura do Evangelho Social ou da Teologia da Libertação, por parte de evangélicos desiludidos com a atuação da Igreja. É preciso mais do ativismo e engajamento social e político para mudar o mundo. O texto abaixo de René Padilla serve como um lembrete disso.
***
Sem oração não há missão cristã. Poderá haver proselitismo religioso, obras e ações de caridade, ou tarefas missionárias, mas não há missão cristã.
A missão cristã é primordialmente missio Dei (missão de Deus). Nasce no coração de Deus, atua na história pelo poder do Espírito Santo, e visa a exaltação de Jesus Cristo como Senhor do universo e de cada área da vida humana, para a glória de Deus. Em síntese, missão cristã começa e termina em Deus.
Sob esta perspectiva, todo o trabalho missionário das igrejas somente tem sentido quando se inspira no amor de Deus, se realiza em seu nome e busca sua glória.
(…) O ativismo é ação sem oração… a oração é mais importante que a ação. Especialmente no mundo evangélico, é difícil aceitar que seja assim. Condicionados como estamos pela cultura do lucro, vivemos como aqueles que pensam que a salvação do mundo depende inteiramente do esforço humano. Por isso, frequentemente reduzimos a oração a um rito que dá a nosso ativismo um colorido religioso. Sabemos pouco sobre o que significa a ação em função da oração, a ação em resposta ao chamado de Deus para colaborar na realização de seu propósito para a vida humana em todas as suas dimensões. (…) Como diz Jacques Ellul:
Todo radicalismo adicional, o de conduta, o do estilo de vida e o da oração, só pode resultar da ruptura na priorização da oração. Principalmente porque nossa sociedade tecnológica está totalmente envolvida com a ação, a pessoa que entra em seu quarto para orar é um verdadeiro radical. Todas as outras coisas dependerão disso. Essa atitude na sociedade, que é também um ação sobre esta sociedade, e muito mais do que o envolvimento concreto, ao qual também não renuncia.
(C. René Padilla, O que é Missão Integral, Editora Ultimato, 2009)
2009
Enfrentando o Relativismo
Na postagem anterior coloquei uma citação de Lesslie Newbigin citada por Tim Keller em seu magnífico livro A Fé na Era de Ceticismo. Depois de ter postado, decidi pegar minha empoeirada cópia do livro de Newbigin e verificar de onde veio a citação original. Abaixo está o parágrafo completo (a pequena diferença na tradução deve-se ao fato de que o anterior foi copiado do livro e este foi traduzido diretamente por mim).
>Não é fácil resistir a onda contemporânea de pensamento e sentimento que parece varrer-nos irresistivelmente na direção de uma aceitação do pluralismo religioso e longe de qualquer afirmação confiante da soberania absoluta de Jesus Cristo. Não é fácil desafiar a estrutura de plausabilidade dominante. É mais fácil se conformar. O domínio impressionante do relativismo na cultura contemporânea torna suspeita qualquer confissão firme de fé. Para a afirmação feita pelos cristãos sobre Jesus, a resposta é: “Sim, mas outros fazem afirmações semelhantes sobre os símbolos de sua fé; por que Jesus e não alguém ou algo mais?” Assim a relutância em acreditar em algo conduz a um estado mental no qual o Zeitgeist se torna a força dominante. A declaração verdadeira de que nenhum de nós pode captar toda a verdade torna-se uma desculpa para desqualificar qualquer afirmação de se ter uma pista válida para pelo menos o início do entendimento. Há uma aparência de humildade no protesto de que a verdade é muito maior do que qualquer um de nós possa captar, mas se isso for usado para invalidar toda afirmação de discernir a verdade, é de fato, uma reivindicação arrogante de um tipo de conhecimento que é superior ao conhecimento que está disponível a seres humanos falíveis. Temos que perguntar: “Como você sabe que a verdade sobre Deus é maior do que o que nos foi revelado em Jesus?” Quando Samartha ou outros nos perguntarem: “Que fundamento você pode mostrar para considerar a Bíblia como autoridade singular, uma vez que outras religiões também tem seus livros sagrados?”, temos que retornar com a pergunta: “Qual é o ponto de vantagem a partir do qual você reivindica a capacidade de relativizar todas as reivindicações absolutas que essas diferentes escrituras fazem?” Que verdade mais elevada você possui que o torna capaz de reconciliar declarações sobre Jesus diametralmente opostas na Bíblia e no Alcorão? Ou você está, de fato, nos aconselhando que é melhor não acreditar em nada?” Quando a resposta for: “Nós queremos unificar a humanidade para que possamos ser salvos de um desastre,” devemos dizer: “Nós também queremos essa unidade e, portanto, buscamos a única verdade pela qual a humanidade pode tornar-se uma.” Esta verdade não é uma doutrina ou cosmovisão, nem mesmo uma experiência religiosa; certamente não é achada por repitições abstratas de substantivos como justiça e amor; ela está no homem Jesus Cristo sobre quem Deus estava reconciliando o mundo. A verdade é pessoal, concreta, histórica.
(The Gospel in a Pluralist Society, pp. 169-170)
2009
Arrogância travestida de humildade
Há uma aparência de humildade na afirmação de que a verdade é muito maior do que a capacidade de qualquer um de nós de apreendê-la, mas quando usada para invalidar todas as reivindicações de conhecer a verdade, ela é, com efeito, uma arrogante reivindicação de um conhecimento superior a (todos os outros)… Precisamos indagar: “Qual é a perspectiva [absoluta] a partir da qual você reivindica ser capaz de relativizar todas as reivindicações absolutas que essas Escrituras distintas fazem?”
- Lesslie Newbigin em The Gospel in a Pluralist Society, citado por Tim Keller em A Fé na Era de Ceticismo, Campus 2009.
2009
N.T. Wright e o cisma pela ordenação de gays
N. T. Wright, o Bispo Anglicano de Durham, Inglaterra, é também considerado uma das maiores autoridades em Novo Testamento da atualidade. Tom Wright é autor de dezenas de livros (em um deles ele debate com o liberal John Dominic Crossan sobre a realidade da ressurreição), mas parece que seus escritos ainda são pouco conhecidos por aqui. A Editora Ultimato publicou dois de seus livros nos últimos dois anos (Simplismente Cristão e O Mal e a Justiça de Deus), tem um no prelo (Surpreendido pela Esperança) prometido ainda para este ano e espero que continue publicando outros textos de N.T. Wright. Eu já li vários de seus livros, ouvi algumas aulas e palestras proferidas por ele e, cada vez mais, tenho apreciado a clareza e simplicidade de suas colocações.
Por esta razão, ao ver o seu nome associado a um assunto que tem levantado tanta discórdia e discussão em nossos dias, fiquei tremendamente curioso em ler o que ele tem a dizer sobre o assunto. O artigo escrito por Tom Wright foi publicado no The Times em 15 de julho passado e diz respeito a ruptura que a ordenação de ministros que sejam homessexuais praticantes está causando na Igreja Anglicana (mais precisamente entre a Igreja Episcopal Anglicana dos EUA e os anglicanos no resto do mundo).
A posição de N.T. Wright não poderia ser mais clara quanto a este assunto:
Nossos supostamente genes egoístas desejam uma variedade de possibilidades sexuais. Mas os mestres Judeus, Cristãos e Muçulmanos tem sempre insistido que um casamento por toda a vida entre homem e mulher é o contexto apropriado para o relacionamento sexual. Isto não é (como frequentemente se tem sugerido) uma regra arbitrária, de tonalidades dualistas e com a intenção de se castrar a alegria. É um reflexo estrutural profundo da crença em um Deus criador que entrou em uma aliança tanto com sua criação como com seu povo (que leva adiante seus propósitos para esta criação).
O Paganismo antigo e moderno tem sempre visto esta ética e esta crença como sendo ridículas e inacreditável. Mas o testemunho bíblico não está nem um pouco confinada, como um líder estridente sugeriu ontem no The Times, a uns poucos versos de São Paulo. A denúncia severa de Jesus da imoralidade sexual certamente levava consigo, para os seus ouvintes, uma rejeição implícita clara de todo comportamento sexual fora da monogamia heterosexual. Isto não é uma questão de “resposta privada às Escrituras”, mas o ensino uniforme de toda a Bíblia, de Jesus e de toda a tradição cristã.
O apelo à justiça como uma forma de cortar o nó ético em favor de incluir homossexuais ativos no ministério cristão simplesmente clama pela pergunta. Ninguém tem um direito de ser ordenado: é sempre um dom da pura e imerecida graça. O apelo também deturpa seriamente a própria noção de justiça, não apenas na tradição cristã de Agostinho, Aquinas e outros, mas nas discussões filosóficas mais amplas desde Aristóteles a John Rawls. Justiça nunca significa “tratar a todos do mesmo modo”, mas “tratar as pessoas de maneira correta”, o que envolve fazer distinções entre diferentes pessoas e situações. Justiça nunca significou “o direito de dar expressão ativa a qualquer e todo desejo sexual.”
Devemos insistir, também, na distinção entre inclinação e desejo de um lado e a atividade de outro – uma distinção regularmente obscurecida por referências a “clero homossexual” e assim por diante. Todos nós temos de todos os tipos de inclinações e desejos profundamente enraízados. A questão é, o que devemos fazer com eles? Uma das orações no Livro Comum roga a Deus para que possamos “amar o que Tu ordenaste e desejar o que Tu prometeste.” Isto é sempre difícil, para todos nós. É mais fácil pedir a Deus para ordenar aquilo que nós já amamos e prometer aquilo que nós já desejamos. Mas muito menos como o desafio do Evangelho.
A questão não é apenas para os Episcopais, Anglicanos e Luteranos norte-americanos (que acabaram de fazer seu concílio em Minneapolis para tratar deste mesmo tema). Este assunto tem o potencial de se tornar num grande divisor para a Cristandade neste século. E como temos visto aqui no Brasil, à medida em que, de um lado, se apela para o Congresso buscando defender “seus direitos”, de outro, na comunidade cristã, começam a surgir expressões que nem sempre refletem o pensamento do Bispo de Durham sobre como a pureza sexual é apresentada nas Escrituras (não apenas em alguns versos isolados, mas em toda a Bíblia, de Gênesis a Apocalipse). Mesmo no seio da comunidade cristã, tem se tornado cada vez mais comum rotular qualquer pessoa que afirme o ensino bíblico da monogamia heterosexual como sendo fundamentalista, moralista, legalista, etc.
Isso me faz lembrar de duas músicas. A primeira é um côro pentecostal que ouvia em minha infância: “Os dias são de trevas, sem poder o crente cai…” A outra se tornou hino de uma geração quando Bob Dylan anunciou as palavras de Jesus ao cantar The times-they are a-changin’ (os tempos estão mudando). Resta saber onde estão os que afirmarão o restante do verso: “mas minhas palavras não passarão”?
2009
Graça
Graça assume a culpa
Cobre a vergonha
Remove a mancha
Poderia ser seu nome
Graça, é o nome para uma menina
Também é um pensamento que mudou o mundo
E quando ela anda na rua
Você pode ouvir a melodia
A Graça encontra bondade em tudo
Graça tem um jeito de andar
Não como uma modelo nem como um bêbado
Ela tem tempo para falar
Ela viaja para fora do karma
Ela viaja para fora do karma
Quando ela vai trabalhar
Você pode ouvir a melodia
A Graça encontra beleza em tudo
Graça carrega um mundo em seus quadris
Não há taça de champanhe para seus lábios
Não há giros ou pulos entre os dedos
Ela carrega uma pérola em perfeitas condições
O que antes era dor
O que antes era atrito
O que deixava uma marca
Não fere mais
Porque a Graça cria a beleza
A partir das coisas feias
A Graça cria a beleza a partir das coisas feias
(Tradução livre da música Grace do U2)
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