Arquivos por categoria: Teologia


Quando Bonhoeffer foi passar um ano entre 1930-1931 no Union Theological Seminary em Nova Iorque, deparou-se com o liberalismo teológico em franca ascenção na América do Norte. Bonhoeffer havia sido aluno do teólogo liberal Adolf Von Harnack, mas escolhera seguir um caminho diferente. Seus comentários a respeito dos estudantes do Union são notórios:

Não há teologia aqui [...]. Falam pelos cotovelos sem o menor fundamento e sem indício de qualquer critério. Os estudantes – com idade entre 25 a trinta anos – não têm qualquer noção a respeito do que é tratado pela dogmática. Não estão familiarizados com as questões básicas. Intoxicaram-se com frases liberais e humanistas, ridicularizam os fundamentalistas e, no entanto, ainda não alcançaram sequer o nível deles.
… a falta de seriedade com que os alunos falam de Deus e do mundo é, para dizer o mínimo, bastante surpreendente [...]. Fora daqui, é difícil imaginar o tamanho da inocência de pessoas à beira do ministério, ou de algumas já dentro dele, ao fazer perguntas no seminário para teologia prática – por exemplo, se alguém deve realmente pregar sobre Cristo…
O ambiente teológico do Union Theological Seminary acelera o processo de secularização do Cristianismo na América. Sua crítica se direciona contra os fundamentalistas e, de certa forma, também contra os humanistas radicais em Chicago; algo saudável e necessário. Mas não há uma base sólida sobre a qual se possa reconstruir após a demolição. Ela será carregada com o colapso geral. Um seminário onde pode ocorrer de um grande número de estudantes rir em voz alta durante a leitura pública de um trecho de De servo arbitrio, de Lutero, sobre o pecado e o perdão, porque soa cômico para eles, esqueceu por completo o que teologia cristã, por sua própria natureza, defende.

As igrejas em Nova Iorque também sofriam a influência do liberalismo:

A situação não é diferente na igreja. O sermão tem sido reduzido a comentários entre parênteses da igreja a notícias do jornal. Durante todo o tempo aqui, ouvi somente um sermão no qual era possível escutar algo como uma proclamação genuína, e que foi transmitido por um negro (na verdade, tenho descoberto cada vez mais um grande poder religioso e originalidade nos negros). Uma questão a atrair minha atenção em vista de todos esses fatos é saber se é realmente possível falar sobre o cristianismo aqui [...]. Não faz sentido esperar frutos de um lugar onde a Palavra não tem sido pregada. Mas o que será então do cristianismo por si só?
Em Nova York, pregam a respeito de quase tudo; há uma única coisa não anunciada, ou anunciada tão raramente que eu ainda não fui capaz de ouvir: o evangelho de Jesus Cristo, a cruz, o pecado e o perdão, a morte e a vida.
O que então substitui o lugar da mensagem cristã? Um idealismo ético e social a cargo de uma fé no progresso que – sabe-se lá como – reclama o direito de chamar a si mesmo de “cristão”. E, no lugar da igreja como congregação dos crentes em Cristo, há a igreja no papel de empresa social.

A ler estas palavras, não consigo deixar de ver uma semelhança com o rumo em que muitas instituições teológicas, ministros e igrejas estão seguindo no Brasil. Parece que ainda não aprendemos a lição da história e precisamos repetir novamente para entender que o liberalismo teológico é um caminho de morte espiritual.

 

As citações acima foram extraídas da excelente biografia Bonhoeffer: Pastor, Mártir, Profeta, Espião de Eric Metaxas. Bestseller do NY Times e ganhador do prêmio Book of the Year 2011, Bonhoeffer foi publicado em português pela Editora Mundo Cristão. Clique aqui para assistir um video sobre o livro.


A Edições Vida Nova acaba de lançar em Português a obra Em Guarda (On Guard) de William Lane Craig. O livro é um verdadeiro curso de apologética cristã e, portanto, altamente recomendado nestes tempos de tanta superficialidade. Partindo da instrução de Pedro em sua carta (1 Pedro 3.15) para que estejamos preparados a responder a qualquer que nos pergunte sobre a razão de nossa esperança, William Lane Craig nos intima a um engajamento na defesa da fé em tempos em que a mesma tem sido cada vez mais questionada e até ridicularizada. Este engajamento é, no entanto, muito mais do nos tormarmos em cães-de-guarda doutrinários. “Podemos apresentar argumentos em favor do cristianismo sem nos tornarmos argumentativos, ou seja, briguentos”, explica Craig.

“Argumentar é apenas apresentar uma série de enunciados ou premissas que levem a uma conclusão. (…) Ironicamente, quem tem bons argumentos na sustentação de sua fé se torna menos inclinado a bate-bocas e a sair frustrado da discussão. (…) Se você tem boas razões para aquilo em que crê e sabe as respostas para as perguntas e objeções que alguém que não é cristão costuma fazer, não tem motivo para se exaltar. (…) Se você tem boas razões para aquilo em que crê, então, em vez de sentir raiva, sentirá compaixão genuína pelos perdidos, que em geral estão desorientados. A boa apologética envolve ‘falar a verdade em amor’.”

Segundo o autor, há três razões pelas quais os cristãos deveriam estudar apologética: para influenciar a cultura, para fortalecer a própria fé e para ganhar os incrédulos.

Doutor em Filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em Teologia pela Universidade de Munique, na Alemanha, William Lane Craig é bem preparado para tratar deste assunto com profundidade e, ao mesmo tempo, uma tremenda clareza (simples sem ser simplista). Conferentista internacional conhecido por suas participações em debates com ateus famosos como Sam Harris (The God Debate II em Notre Dame) e Christopher Hitchens (Does God Exists? em Biola), ele será preletor do 8º Congresso Brasileiro de Teologia Vida Nova em Março de 2012.

Num mundo onde cada vez mais encontramos pessoas confusas defendendo um relativismo baseado em sentimentos e opiniões pessoais, o cristão bem preparado tem condições de ser uma pessoa mais profunda, que pensa e, portanto, pode apresentar razões (não meros sentimentos e opiniões)  para sua fé.

Clique aqui para assistir um video do Jonas Madureira apresentando o livro. E se quiser conhecer mais de William Lane Craig, estes dois sites oferecem uma série de textos e outros recursos apresentados por ele: Reasonable Faith e Deus Em Debate.

A Edições Vida Nova gentilmente forneceu dois exemplares de Em Guarda para sorteio aos leitores deste blog. Portanto, todos que divulgarem esta postagem via FaceBook ou Twitter até as 23:59 do dia 14/12/2011 estarão concorrendo ao sorteio.

PS.: Quer aumentar ainda mais as suas chances de ganhar um exemplar? Então participe também da promoção no Voltemos ao Evangelho e no blog Cinco Solas.

Lendo o livro Insurrection de Peter Rollins, escritor irlandês que está ficando conhecido pelo seu desconstrucionismo da fé cristã, lembrei-me de uma música do Steve Taylor intitulada Harder to Believe Than Not To.

Segundo Steve Taylor, esta música, gravada de modo bem simples em Londres com uma pequena orquestra, toma emprestado seu título de uma linha encontrada nas cartas de Flannery O’Connor, uma escritora de ficção aclamada pela crítica e originária do Sul dos EUA. Os amigos de O’Connor no círculo literário de Nova Iorque tinham muita dificuldade em acreditar que uma escritora de seu calibre pudesse ser algo tão comum e fora de moda como uma seguidora de Jesus. Ela respode em sua carta à crítica de que a função primária do Cristianismo é ser uma muleta para os fracos de espírito e diz  que seus críticos simplesmente não entendem o custo envolvido no Cristianismo, que “é muito mais difícil acreditar do que não acreditar.”

Steve Taylor diz que aquelas palavras ficaram gravadas em sua memória e a canção foi escrita do ponto de vista que o custo envolvido no Cristianismo – o ideal de tomar a sua cruz diariamente e seguir Jesus – torna-o difícil de acreditar, porque o Cristianismo demanda coisas de nós que não desejamos dar naturalmente. Nas palavras do dramaturgo Dennis Potter, “Não existe, afinal, o que se chama de uma fé simples.”

Quando Rollins diz em seu livro que ter fé, acreditar, é natural do ser humano simplesmente pelo fato de que todos desejamos crer em algo que nos traga conforto, consolo, esperança, penso que, ainda que ele esteja correto, não é disto que se trata o Cristianismo. Como disse C.S. Lewis, “Se você está à procura de uma religião que o deixe confortável, definitivamente eu não lhe aconselharia o cristianismo.”

Na realidade, a fé necessária para seguir Jesus não é nem um pouco natural.

É Mais Difícil Acreditar Do Que Não

Nada é mais frio do que os ventos de mudança
Onde o frio congela o sonhador até que só reste uma sombra
Entre as ruínas se encontra sua alma torturada
Estava perdida lá
Ou foi sua vontade que se rendeu?
Tremendo com dúvidas que foram negligenciadas
Então você lança fora o manto que deveria ter consertado
Você não sabe agora porque são poucos os escolhidos?
É mais difícil acreditar do que não
Mais difícil acreditar do que não

Foi uma confiança que o manteve firme
Quando você sabia que acreditava, mas não sabia o porquê
Ninguém imagina chegar a este ponto
Mas é tão difícil quando as pessoas não querem escutar
Tremendo com dúvidas que foram negligenciadas
Então você lança fora o manto que deveria ter consertado
Você não sabe agora porque são poucos os escolhidos?
É mais difícil acreditar do que não

Alguns ficam paralizados até sucumbirem
Outros fazem o que sentem, mas seus sensos estão congelados
Uns são pisados pela multidão devota
Ainda assim eles seguem se arrastando

Você é robusto o bastante para mover-se adiante?
São acenos de aprovação ou a verdade que você deseja?
E se eles a chamam de muleta, então siga com a cabeça erguida
Seus acusadores sempre tiveram medo de mostrar a face
Eles tremem com dúvidas que foram negligenciadas
Eles lançam fora o manto que deveriam ter consertado
Você já sabe agora porque poucos são os escolhidos
É mais difícil acreditar do que não

Eu acredito