Por que Teo-logia?

livros
Comecei a ler livros de teologia logo após minha conversão, na década de 1980. Quando fui para o seminário, clássicos de teologia como o de Louis Berkhof não estavam disponíveis na língua portuguesa. Lembro-me de passar algum tempo na biblioteca, tentando ler os textos daquela obra em espanhol. Ao lado de Berkhof, o livro Palestras em Teologia Sistemática de Henry Clarence Thiessen aumentou meu interesse por estudar. Então, ainda nos anos ’80, veio As Institutas de João Calvino, mesmo que apenas no resumo feito por J. P. Wiles. Depois, ao longo dos anos (e décadas) vieram Dietrich Bonhoeffer, Francis Schaeffer, C.S. Lewis, Paul Tillich, George Ladd, Karl Barth, Hans Küng, Jürgen Moltmann, Wayne Grudem, N.T. Wright, D.A. Carson, Wolfhart Pannenberg, John Piper, Santo Agostinho, Hans Urs Von Balthasar, Miroslav Volf e tantos outros autores – alguns conservadores, outros liberais; a maioria deles protestantes, mas alguns católicos – que tem acompanhado essa paixão que tenho pela teologia e seus intérpretes. Obviamente que o fato de ler e estudar diferentes teólogos não significa que eu concorde com tudo o que eles escreveram ou as conclusões que chegaram acerca de Deus, sua natureza, seus propósitos, sua obra, etc. Meus pés permanecem firmes na tradição protestante-reformada-evangélica, na qual fui formado e que continua fazendo mais sentido e coerência intelectual (McGrath) para mim, na tentativa de interpretar a vida e seus mistérios.

Não é raro ouvir pessoas – algumas delas, líderes espirituais – questionarem o interesse pelo estudo teológico ou criticarem veementemente qualquer tentativa de se fazer teologia. Escolhi duas citações abaixo como lembrete e resposta a tais críticas e questionamentos. Dentre tantas frases que eu poderia ter escolhido, fiz questão de usar um teólogo latino-americano para a primeira citação:

“A reflexão teológica – inteligência da fé – surge espontânea e iniludivelmente naquele que crê, em todos aqueles que acolheram o dom da Palavra de Deus. A teologia é, com efeito, inerente à vida de fé que procura ser autêntica e plena… Em todo crente, mais ainda, em toda comunidade cristã, há pois um esboço de teologia, e esforço de inteligência de fé.”(1)

“Quem quer que pense e fale a respeito de Deus está fazendo teologia. Quem fala e pensa muito a respeito de Deus cria uma estrutura na qual Deus é enquadrado. Essa estrutura é sua teologia. É a lente por meio da qual o indivíduo lê a Bíblia, ouve sermões, ora a Deus, lê livros e reflete a respeito dele. Quando lê algo sobre Deus, lê o pensamento teológico de alguém e usa o que lê para ajustar a própria teologia, quer se dê conta disso, quer não. Portanto, não há fé sem teologia. Não há quem leia a Bíblia sem recorrer – consciente ou inconscientemente – a uma teologia que a interprete… A pergunta é: Como sabemos se nossa teologia, isto é, a visão que temos de Deus, é a correta?” (2)

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1. Gustavo Gutiérrez em Teologia da Libertação
2. Gerald R. McDermott em Grandes Teólogos: A síntese do pensamento teológico em 21 séculos de igreja

Derek Webb

derekwebb
Eu confesso que, na última década a música cristã, de um modo geral, não foi a maior porção em minha dieta musical. Com raras exceções, a maioria dos artistas cristãos se tornou repetitiva e superficial demais, sem criatividade capaz de fazer com que eu escutasse sua música mais que uma vez (ou, em muitos casos, só alguns minutos). Derek Webb é uma das exceções.

Conheci Derek Webb por acaso, num show em Orlando, em 1999. Fui ao show para ver as atrações principais: Third Day e Jars of Clay, esta última fazendo um show de pré-lançamento do álbum Since I Left the Zoo. O show tinha sido promovido pela indústria musical e, por este motivo, teve uma série de apresentações de outros artistas desconhecidos para mim: Bebo Norman, Andrew Peterson e Caedmon’s Call (a banda da qual Derek Webb fazia parte).

Nos anos seguintes, comprei os cds da banda Caedmon’s Call sempre que eram lançados e tentei acompanhar um pouco a carreira da banda. Desse modo, li que o Derek Webb havia gravado dois álbuns solo, mas somente em 2005 parei para escutar algo de sua carreira solo, no lançamento de Mockingbird, quando o disco foi distribuído gratuitamente na internet por uma semana. Esse foi um daqueles cds que escutei muitas vezes antes de dormir, prestando atenção em cada nota tocada e cada palavra cantada.

Fiquei tão impressionado que acabei voltando aos trabalhos solos anteriores do Derek: She Must And Shall Go Free (2003), I See Things Upside Down e The House Show (2004). Para minha surpresa, esses álbuns eram tão bons quanto Mockingbird. Virei fã definitivo do cara. Comprei cada trabalho seguinte lançado pelo Derek, no dia do lançamento na internet (geralmente semanas antes do lançamento “físico”), desfrutando cada um deles como um jorro de água fresca no deserto que se tornou grande parte do cenário da música cristã contemporânea.

Para os leitores fluentes em inglês, recomendo ouvir atentamente as letras do Derek. Elas são brutalmente sinceras, honestas, relevantes e retratam o estado da Igreja atual que, como a de Laodiceia, se gaba de ser rica e de não ter falta de nada, mas na realidade é desgraçada, miserável, pobre, cega e nua. Derek não faz esse retrato como alguém que está do lado de fora, mas como alguém que é membro da Igreja, que faz parte dessa confusão e que deseja ardentemente tanto falar a verdade (mesmo sabendo que “a verdade nunca é sexy” – Nobody Loves Me) como ser confrontado por ela (ainda que corte sua carne, como canta em Medication).

Web: derekwebb.com
Twitter: @derekwebb

Corpo

CorpoCristo
“Somos como as várias partes do corpo humano. Cada parte tem seu significado no corpo, visto como um todo, mas não o contrário. O corpo de que estamos falando é o corpo formado pelas pessoas escolhidas por Cristo. Cada um de nós encontra significado e função como parte desse corpo. Não podemos ser como um dedo decepado, que não tem valor. Então, desde que estejamos ligados às outras partes constituídas de maneira genial e funcionando maravilhosamente no corpo de Cristo, sejamos o que fomos feitos para ser, sem inveja ou sentimento de superioridade sobre os outros, sem tentar ser algo que não somos.
Se você prega, limite-se a pregar a Mensagem de Deus; se você ajuda, apenas ajude -, não tente assumir o comando; se você ensina, apegue-se ao ensino; se você tem a capacidade de encorajar, tome cuidado para não se tornar autoritário; se você recebeu alguma posição de responsabilidade, não manipule; se você foi chamado para ajudar gente em angústia, fique de olhos abertos e seja rápido em responder; se você trabalha com os desamparados, não se permita ficar irritado ou deprimido por causa deles. Mantenha o sorriso.”

(Paulo aos cristãos Romanos, capítulo 12 versos 4-8 – A Mensagem)

Entender esse texto é um libertação tremenda!
Me livra do pecado da inveja.
Me livra do erro da comparação.
Me livra da tentação do juízo alheio.
Me liberta do desejo de querer ser quem não fui feito para ser.
Me libera para ser e viver de acordo com o que Deus me fez.

A igreja é maior do que você pensa

(conversando com sacerdotes ortodoxos em Leningrado, 1990)

Nasci num lar cristão. A família de minha mãe havia tido uma experiência de conversão numa igreja evangélica, fazendo com que minhas lembranças mais antigas da casa de meus avós maternos estejam relacionadas a cultos domésticos e reuniões de oração. Lembro-me também de ir a cultos na igreja Assembléia de Deus onde meu avó era presbítero e, com cerca de quatro anos de idade, começar a ir com minha mãe e irmãos a uma igreja Adventista (da Promessa) que ela passou a frequentar durante aqueles anos.

A família de meu pai é de tradição católica, tipicamente nominal, como a maioria dos brasileiros descendentes de italianos. Meu pai, apesar de ter sido batizado na igreja evangélica para casar-se com minha mãe, nunca foi de frequentar nenhuma igreja.

Aos quatorze anos de idade, tive minha própria experiência de conversão numa igreja pentecostal. Naquele contexto, ainda que indiretamente, aprendi o seguinte sobre católicos: são todos idolátras e vão para o inferno, se não se converterem a Jesus em uma igreja evangélica (preferivelmente pentecostal, visto que os protestantes históricos são frios e, na melhor das hipóteses, crentes fracos); a igreja católica é a Babilônia e o papa é a Besta ou o Anticristo do Apocalipse.

Quando fui para o seminário teológico, minha visão estreita da fé cristã começou a ruir. Convivi com cristãos presbiterianos, metodistas, batistas, congregacionais, assim também com pentecostais como eu (embora meu pentecostalismo já começara a ficar abalado nessa época). Fiz estágio do curso de teologia numa cidade no sul de Minas, onde pretendíamos plantar uma igreja evangélica (as estatísticas diziam que não havia sequer um crente evangélico entre os cerca de seis mil habitantes daquela cidade). Durante esse tempo, conhecemos o padre da cidade, um sujeito muito mais amigável e humano do que a imagem do “inimigo” que, até então, eu trazia dos sacerdotes católicos. Esse padre nos surpreendeu, abrindo até mesmo as portas da igreja para que ensinássemos em algumas reuniões.

Após o seminário, me uni à Operação Mobilização (OM) e fui para a Europa servir no navio Logos II, que estava ancorado em Amsterdã, Holanda. Novamente, o ambiente na OM e à bordo do navio, além de internacional, colocando-me em convívio com pessoas de diversas culturas, era também diversificado em termos de tradição cristã. A essa altura, eu já não pensava mais que minha denominação ou experiência pentecostal era detentora exclusiva do poder de Deus para salvação. A Igreja começou a parecer muito maior do que, até então, eu pensava que era.

Em agosto de 1990, com a abertura do Leste Europeu, navegamos para a Alemanha Oriental, Polônia, Rússia e países balticos. Em Dresden, participei de um encontro de jovens da igreja Luterana e percebi que as igrejas luteranas, diferente do que eu havia pensado, tinham esculturas e vitrais com gravuras dos Evangelhos (o que seria condenado por minha igreja local no Brasil). Na Polônia, a maior parte dos visitantes (e voluntários) ao navio, era de católicos. Na Rússia, fiquei comovido com os cristãos ortodoxos e sua sede pela Bíblia, após um período de 70 anos de repressão comunista.

Após essas experiências, ficou difícil de eu enxergar a legitimidade da fé cristã como uma exclusividade dos evangélicos pentecostais, como eu havia sido ensinado.

Durante os anos 90, tive várias experiências que continuaram abrindo minha mente para catolicidade da Igreja. Descobri escritores (Henri Nouwen, Brennan Manning, Jean Vanier, Anselm Grün, etc.) e teólogos (Hans Küng, Oscar Romero, Hans Urs von Balthasar e outros) católicos e ortodoxos que cativaram minha mente e coração. Aprendi a respeitar pessoas como o papa João Paulo II (e seus sucessores), em vez de considerá-los como anticristos. Reconheci a grandeza do trabalho de Madre Teresa em Calcutá e de outros missionários católicos que trabalham entre os pobres e necessitados ao redor do mundo. Abri as portas da igreja para bandas católicas, formando parceria com elas na proclamação da mensagem do Evangelho. Reconheci, finalmente, que a Cristandade é maior do que suas tradições e que Jesus não foi católico, protestante, anglicano, evangélico, pentecostal… nem mesmo cristão!

Isso não significa, de maneira alguma, que eu concorde com tudo que é dito e feito em todas as tradições e igrejas cristãs. Não significa que eu não possua uma confissão de fé e convicções doutrinárias. Não significa que eu abri mão de conceitos como sã doutrina, ortodoxia e heresia, e que esteja disposto a abraçar acriticamente tudo que traga o rótulo de cristão.

O que isso significa é que eu aprendi que a Igreja de Cristo é maior do que minha experiência local ou denominacional, e que o Espírito Santo não é refém de minha (e de qualquer outra) tradição.

Oração: O que é? Por que? Como?


“A pergunta é: Quanto dessa fé persistente o Filho do Homem vai encontrar na terra quando voltar.”

É impressão minha ou está se tornando comum hoje em dia dizer que não é preciso orar, que oração é tudo que fazemos, o tempo todo? É impressão minha ou a oração está desaparecendo da experiência cristã, principalmente entre os cristãos pensantes ou reflexivos?

Duas décadas atrás, Caio Fábio já sinalizava este fenômeno, chamando esta geração de “uma geração que desaprendeu a orar” em seu livro Oração Para Viver e Morrer. As causas para isto, apontadas por ele na época, eram: a sociedade moderna, a miséria de muitos, a dicotomia orar ou fazer, a teologia liberal e o pentecostalismo sem piedade.

Se ele estava certo (e, em minha opinião, estava), não é nenhuma surpresa que a oração esteja desaparecendo rapidamente da prática cristã atual.

Uma das razões que ouço pela qual pessoas se recusam a orar é que, segundo elas, a oração se tornou um ritual religioso. E esta é a geração que tem alergia a rituais e total desprezo por religiosidade. Toda a nossa vida deve ser uma oração, dizem eles. É verdade que o apóstolo Paulo falou sobre orar o tempo todo em espírito e certamente muito do que se chama de oração não reflete o ensinamento bíblico. Mas é preciso ser muito ignorante da Bíblia (ou rejeitá-la por completo) para assumir uma postura tão reducionista em relação a oração.

Osmar Ludovido em Meditatio reconhece a tensão e equilíbrio que existe entre a oração privada e pública, entre a vida comum na igreja e a vida interior do cristão. Segundo ele, a ênfase e valorização de apenas um desses aspectos em detrimento do outro conduz, inevitavelmente, ao empobrecimento da vida cristã. Ele diz: “Manter comunhão e orar com a igreja nos ajuda a crescer na fé, na esperança e no amor, mas nada substitui a necessidade irresistível do recolhimento para dialogar com Cristo na intimidade do coração.”

Jesus e a oração
Basta olhar para a vida de Jesus para entender o que é oração e como deve ser uma vida de oração. Jesus orava, muitas vezes sozinho, separado da agitação do cotidiano, outras vezes em público, na presença de seus discípulos e até das multidões que o seguiam.

Quando os discípulos vieram a Jesus e pediram-lhe: “Mestre, ensina-nos a orar”, Jesus não respondeu-lhes dizendo: “Orar? Pra que? Vocês  já estão orando quando estão conversando uns com os outros, quando estão apreciando a natureza, quando estão tirando uma soneca…” Em vez disso, Jesus deu-lhes instruções bem claras sobre como orar. Por meio de sua vida e seus ensinamentos, Jesus nos orienta quanto ao conteúdo de nossas orações, quanto a atitude com que devemos orar e com que frequência orar. Jesus nos manda orar (sim, ele dá uma ordem!). Dizer que está seguindo Jesus e, ao mesmo tempo, não se dedicar a prática da oração é um contrassenso.

Mas o que é oração? Por que orar? Como orar?

Oração é comunicação com Deus
O monge beneditino alemão Anselm Grün diz que a oração é um diálogo entre o homem e Deus. Grün fala da oração como um encontro: com Deus, consigo mesmo e com o próximo. Gerardus van der Leeuw, teólogo holandês, diz que a oração é essencialmente um diálogo. Ambos parecem estar fazendo eco a Clemente de Alexandria que disse: “orar é manter companhia de Deus.”

Em seu livro sobre oração, Caio Fábio diz que a oração é “o único meio pelo qual se pode genuinamente desenvolver uma sadia visão de Deus, da Igreja, do mundo e da missão do povo de Deus na história. (…) Sem oração, a vivência da fé não passa de reflexão banal ou presunçosa ação. (…) A oração é a forma mais dramática de manifestar o desejo pela presença de Deus na vida. (…) A oração é o mais forte instrumento de afirmação do Ser. Quem ora, fala com o Ser dos seres e com Aquele que é a origem de todos os seres que sabem que existem.”

Se orar é tudo isso, por que não oramos, ou oramos tão pouco?

Talvez porque, como diz James Houston em Orar Com Deus, “se achamos difícil formar relacionamentos duradouros com nossos semelhantes, acharemos muito mais difícil nos relacionarmos em qualquer profundidade com Deus, ao qual não podemos ver.”

Se Deus sabe tudo, por que orar?
A Bíblia apresenta Deus como conhecedor de todas as coisas. A despeito do que especulam certos teólogos modernos, é impossível ler a Bíblia e não perceber Deus como Aquele que sabe tudo, diante de Quem não existe nada encoberto. Anselm Grün reconhece esta tensão entre o conhecimento de Deus e a oração ao dizer: “Deus certamente sabe tudo e não tem necessidade da minha oração, mas eu necessito dela.”

Caio Fábio diz: “Deve-se orar porque mediante sua prática o espírito humano explícita de     maneira verbal o seu desejo de Deus. Pela oração a alma confessa sua     fome da divindade. Pela oração o Ser humano diz a Deus o quanto o Criador e Redentor é objeto da satisfação dos anelos mais profundos da criatura redimida e consciente do seu criador.”

Deus não precisa da minha oração. Sou eu quem precisa dela. A oração me aproxima de Deus, revela minha dependência, minha fome e sede por Sua vontade, seu Reino, sua pessoa. A oração muda principalmente a mim – minha visão de Deus, do próximo, das circunstâncias. Esta foi a resposta dada por C.S. Lewis quando lhe questionaram sobre o por que ele orava em favor de sua esposa com câncer.

Richard Foster, que é famoso pelos seus livros sobre espiritualidade, diz que “a oração é a principal de todas as disciplinas espirituais” pois ela “nos leva ao agir mais profundo e elevado do espírito humano.” Segundo ele, “orar é mudar” e “a oração é a principal via usada por Deus para nos transformar”. Para Anselm Grün, mesmo a intercessão, a oração pelo próximo, transforma em primeiro lugar a mim mesmo. “Vejo o outro com novos olhos, não mais a partir da minha raiva ou da minha desilusão, e sim a partir de Deus.” A oração “torna possível uma nova comunhão.”

Como orar?
Tendo explorado o tema da oração como um encontro com Deus que, mesmo conhecendo tudo a nosso respeito, nos convida a falar com Ele para que sejamos transformados no processo, resta-nos considerar algumas sugestões de como orar, baseado na narrativa de Lucas 18.

Primeiro, proponho que devemos orar como alguém que entende sua total dependência de Deus. Os personagens na narrativa de Lucas 18 são totalmente dependentes de justiça (viúva), perdão (pecador), amor e cuidado (criança) e direção (cego).  A oração é uma forma de confissão de nossa insuficiência, de nossa limitação, de nossa incapacidade de lidar com os dramas e mistérios da vida.

Segundo, proponho que nossa oração deva ser caracterizada pela insistência (perseverança) da viúva, a contrição do pecador, a inocência da criança (sem formalismos) e a fé do cego.

Terceiro, proponho que a oração deve ser acompanha das Escrituras. P. T. Forsyth disse que “o estudo da Bíblia e a oração caminham de mãos dadas. O que recebemos pela mensagem da Bíblia, devolvemos a ele com interesse em oração. A oração é para nós, paradoxalmente, uma dádiva e uma conquista, uma graça e  um dever.” Precisamos recuperar a arte de aprender a orar com os Salmos, o livro de oração usado pelo próprio Senhor Jesus.

Finalmente, concluo com as palavras de Caio Fábio:

“Coincidentemente, os cristãos mais maduros que eu conheço são aqueles que mais oram. De fato, penso que há uma coincidência entre oração e maturidade humana. Ou seja: uma incide sobre a outra. O ser humano se torna mais humano quanto mais ele contemple o Criador.”

(esboço do sermão pregado no Projeto 242 em 01 de Maio de 2011)

No Sex… before marriage

Na década de 1990, em plena Amsterdã, conhecida como a cidade do sexo, no contexto mais liberal e pós-moderno do mundo, meu amigo David Pierce não se envergonhou em cantar uma música como essa: “No sex before marriage!” (nada de sexo antes do casamento).

Evidentemente, o David não estava muito preocupado com sua popularidade ou reputação. De uma maneira criativa e divertida, ele passava sua mensagem nos lugares e para as platéias mais improváveis possíveis.

Isso é bem diferente do que eu vejo acontecendo hoje em dia.

Muitos pastores, líderes, conselheiros e mentores cristãos, provavelmente sentindo a pressão de uma cultura cada vez mais obcecada com o sexo, e/ou desejosos de comunicar uma mensagem que não soe como “castradora da alegria” estão passando um recado de liberação sexual que não é bíblico e nem saudável.

Como escrevi no texto Free Love Is Neither, a revolução sexual mentiu. O mundo pós-revolução pelo amor livre não é mais feliz nem mais saudável. Pelo contrário, o que presenciamos são índices cada vez maiores de DSTs, depressão, ansiedade, filhos ilegítimos e divórcios (mesmo depois de tanta tentativa antes de se casar, parece que os casais de hoje estão acertando muito menos do que aqueles que não fizeram tentativa alguma).

Vez por outra alguém vem conversar comigo sobre sexo e solta a clássica desculpa: “Mas a Bíblia não diz que deve-se esperar até o casamento!”

Não, a Bíblia não diz isso dessa maneira.

O que a Bíblia diz, de muitas maneiras e de forma inequivoca, é que o contexto onde o sexo é visto como uma bênção e dádiva de Deus é a relação entre um homem e sua mulher na aliança de casamento.

Todas as outras circunstâncias do relacionamento sexual que não se enquadram neste contexto são descritas, na Bíblia, como pecado.

Isso soa radical, careta, ultrapassado, repressivo, obscurantista?

Talvez.

Mas prefiro ficar com o conselho daquele que criou o sexo como algo bom, prazeiroso e construtivo, do que com todos os outros conselhos que já sabemos bem onde terminam.

“…no I’ll never be satisfied, untill it ends in tears…” (Living Colour)