2010
A Cura
Se por estarmos em Cristo
nós temos alguma motivação,
alguma exortação de amor,
alguma comunhão no Espírito,
alguma profunda afeição e compaixão,
completem a minha alegria,
tendo o mesmo modo de pensar,
o mesmo amor,
um só espírito
e
uma
só
atitude.
Nada façam por ambição egoísta
ou por vaidade,
mas
humildemente
considerem os outros
superiores a si mesmos.
Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.
Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus,
que, embora sendo Deus não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se;
mas esvaziou-se a si mesmo,
vindo a ser servo
tornando-se semelhante aos homens.
E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo
e foi obediente
até a morte,
e morte de cruz!
Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome,
para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho,
nos céus,
na terra
e debaixo da terra,
e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor,
para a glória de Deus Pai.
Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram,
não apenas na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência,
ponham em ação a salvação de vocês com
temor
e
tremor,
pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar,
de acordo com a boa vontade dele.
Façam tudo sem queixas nem discussões,
para que venham a tornar-se
puros
e
irrepreensíveis,
filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada,
na qual vocês brilham como estrelas no universo,
retendo firmemente a palavra da vida.
(Carta de São Paulo aos Filipenses, 62 A.D.)
2010
A Ferida
Tendemos a não viver a realidade
porém em sonho, em ideologias e ilusões,
em teorias, projetos,
coisas que trazem sucesso e fama.
As barreiras que cercam nossos corações
são profundas e fortes,
protegendo-nos da dor.
Vivemos no passado
ou no futuro
ou num sonho.
Nossos corações e mentes podem se afastar gradualmente de nossa própria carne e emoções,
do “agora” da realidade.
Nós nos colocamos no centro de tudo,
não nutridos por outras pessoas,
nem pela canção dos pássaros,
nem pelo grito de amor que brota
do coração das crianças,
mas por nós mesmos,
insaciavelmente em busca de singularidade e valor
ou caindo nos poços de depressão e revolta,
escorregando para o “amanhã” ou o “ontem”,
agarrando-nos nas garras do passado.
Isto não significa que não haja ética
e ações moralmente boas ou más.
Podemos escolher fazer o bem e facilitar a vida.
Contudo, toda a fragmentação dentro de nós
solidifica nossas motivações.
Conforme buscamos glória e fama,
querendo provar nossa bondade e valor,
somos todos necessitados de profunda cura interior.
(Jean Vanier em Jesus, o dom do amor – Paulinas, 1998)
2010
Levante Sua Voz…
“Abre tua boca em favor do mudo, em favor do direito de todos os desamparados.” Prov 31.8
A ESTRANHA TEORIA DO HOMICÍDIO SEM MORTE
Marcia Suzuki
Conselheira de ATINI – VOZ PELA VIDA
www.atini.org
Alguns antropólogos e missionários brasileiros estão defendendo o indefensável. Através de trabalhos acadêmicos revestidos em roupagem de tolerância cultural, eles estão tentando disseminar uma teoria no mínimo racista. A teoria de que para certas sociedades humanas certas crianças não precisariam ser enxergadas como seres humanos. Nestas sociedades, matar essas crianças não envolveria morte, apenas “interdição” de um processo de construção de um ser humano. Mesmo que essa criança já tenha 2, 5 ou 10 anos de idade.
Deixe-me explicar melhor. Em qualquer sociedade, a criança precisa passar por certos rituais de socialização. Em muitos lugares do Brazil, a criança é considerada pagã se não passar pelo batismo católico. Ela precisa passar por esse ritual religioso para ser promovida a “gente” e ter acesso à vida eterna. Mais tarde, ela terá que passar por outro ritual, que comemora o fato dela ter sobrevivido ao período mais vulnerável, que é o primeiro ano de vida. A festa de um aninho é um ritual muito importante na socialização da criança. Alguns anos mais tarde ela vai frequentar a escola e vai passar pelo difícil processo de alfabetização. A primeira festinha de formatura, a da classe de alfabetização, é uma celebração da construção dessa pessoinha na sociedade. Nestas sociedades, só a pessoa alfabetizada pode ter esperança de vir a ser funcional. E assim vai. Ela vai passar por um longo processo de “pessoalização”, até se tornar uma pessoa plena em sua sociedade.
Esse processo de socialização é normal e acontece em qualquer sociedade humana. As sociedades diferem apenas na definição dos estágios e na forma como a passagem de um estágio para outro é ritualizada.
Pois é. Esses antropólogos e missionários estão defendendo a teoria de que, para algumas sociedades, o “ser ainda em construção” poderá ser morto e o fato não deve ser percebido como morte. Repetindo – caso a “coisa” venha a ser assassinada nesse período, o processo não envolverá morte. Não é possível se matar uma coisa que não é gente. Para estes estudiosos, enterrar viva uma criança que ainda não esteja completamente socializada não envolveria morte.
Esse relativismo é racista por não se aplicar universalmente. Estes estudiosos não aplicam esta equação às crianças deles. Ou seja, aquelas nascidas nas grandes cidades, mas que não foram plenamente socializadas (como crianças de rua, bastardas ou deficientes mentais). Essa equação racista só se aplicaria àquelas crianças nascidas na floresta, filhas de pais e mães indígenas. Racismo revestido com um verniz de correção política e tolerância cultural.
Foto: Niawi, menino indígena do Amazonas enterrado vivo aos 5 anos por não conseguir andar. Mãe e pai não queriam sacrificá-lo e se suicidaram antes.
Tristemente, o maior defensor desta hipótese é um líder católico, um missionário. Segundo ele “O infanticídio, para nós, é crime se houver morte. O aborto, talvez, seja mais próximo dessa prática dos índios, já que essa não mata um ser humano, mas sim, interdita a constituição do ser humano”, afirma.”(1)
Uma antropóloga da UNB, concorda. “Uma criança indígena quando nasce não é uma pessoa. Ela passará por um longo processo de pessoalização para que adquira um nome e, assim, o status de ‘pessoa’. Portanto, os raríssimos casos de neonatos que não são inseridos na vida social da comunidade não podem ser descritos e tratados como uma morte, pois não é. Infanticídio, então, nunca”.”(2)
Mais triste ainda é que esta antropóloga alega ser consultora da UNICEF, tendo sido escolhida para elaborar um relatório sobre a questão do infanticídio nas comunidades indígenas brasileiras.(3) Como é que a UNICEF, que tem a tarefa defender os direitos universais das crianças, e que reconhece a vulnerabilidade das crianças indígenas(4), escolheria uma antropóloga com esse perfil para fazer o relatório? Acredito que eles não saibam que sua consultora defende o direito de algumas sociedades humanas de “interditar” crianças ainda não plenamente socializadas.(5)
O papel da UNICEF deveria ser o de ouvir o grito de socorro dos inúmeros pais e mães indígenas dissidentes, grito este já fartamente documentado pelas próprias organizações indígenas e ONG’s indigenistas.(6)
A UNICEF deveria ouvir a voz de homens como Tabata Kuikuro, o cacique indígena xinguano que preferiu abandonar a vida na tribo do que permitir a morte de seus filhos. Segurando seus gêmeos sobreviventes no colo, em um lugar seguro longe da aldeia, ele comenta emocionado:
“Olha prá eles, eles são gente, não são bicho, são meus filhos.
Como é que eu poderia deixar matar?”(7)
Para esses indígenas, criança é criança e morte é morte. Simples assim.
NOTAS
(1) http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=347765
(2) idem
(3) Marianna Holanda fez essa declaração em palestra que ministrou em novembro de 2009 no auditório da UNIDESC , em Brasília.
(4) Segundo relatório da UNICEF, as crianças indígenas são hoje as crianças mais vulneráveis do planeta. “Indigenous children are among the most vulnerable and marginalized groups in the world and global action is urgently needed to protect their survival and their rights, says a new report from UNICEF Innocenti Research Centre in Florence.”
(5) Em algumas sociedades, crianças não socializadas seriam gêmeos, filhos de mãe solteira, de viúvas ou de relações incestuosas, crianças com deficiência física ou mental grave ou moderada, etc. A dita “interdição” do processo pode ocorrer em várias idades, tendo sido registrada com crianças de até 10 anos de idade, entre os Mayoruna, no Amazonas. Marianna defende essa “interdição” em dissertação intitulada “Quem são os humanos dos direitos?” Estudo contesta criminalização do infanticídio indígena.
(6) www.quebrandoosilencio.blog.br www.atini.org
www.movimentoindigenaafavordavida.blogspot.com
http://vimeo.com/1406660 carta aberta contra o infanticídio indígena.
(7) Trecho de depoimento do documentário “Quebrando o Silêncio”, dirigido pela jornalista indígena Sandra Terena. O documentário está disponível no link www.quebrandoosilencio.blog.br
2010
A violência do amor

Há alguns anos, uma amiga emprestou-me um livrete chamado The Violence of Love. Era uma coleção de pensamentos do Arcebispo Oscar Romero. Fiquei impressionado com seus pensamentos e procurei conhecer sua história. Esta mesma amiga menciou um filme sobre sua vida, com Raul Julia no papel de Romero. Além de assitir o filme, comprei alguns livros, dentre eles o diário dos dois últimos anos de sua vida e outra coletânea de pensamentos seus que tornou-se um de meus livros favoritos. Oscar Romero é um martír pelo qual passei a nutrir grande admiração.
Hoje faz 30 anos que Oscar Romero foi assassinado enquanto celebrava a missa numa pequena capela em El Salvador. Abaixo estão alguns de seus pensamentos extraídos do livro The Church Is All Of You.
“Como cristãos formados no evangelho,
vocês têm o direito de se organizar,
para tomar decisões concretas baseadas no evangelho.
Mas tenham muito cuidado para não trair
aquelas convicções evangélicas, cristãs, sobrenaturais
na companhia daqueles que buscam outras libertações
que podem ser meramente econômicas, temporárias, políticas.
Mesmo trabalhando pela libertação
junto com outros que possuem outras ideologias,
os cristãos devem apegar-se à sua libertação original.”
(19 de Junho, 1977)
“Não coloquemos nossa confiança
nos movimento libertadores terrenos.
Sim, eles são providenciais,
mas somente se não se esquecerem
de que toda força libertadora no mundo
vem de Cristo.”
(24 de Junho, 1979)
“Eu somente quero ser o construtor de uma grande afirmação,
a afirmação de Deus,
que nos ama
e que deseja nos salvar.”
(25 de Fevereiro, 1979)
“Na medida em que somos igreja,
isto é, verdadeiros cristãos,
encarnando o evangelho,
nesta medida seremos os cidadãos oportunos,
(…) necessários neste momento.
Se nos retrairmos desta inspiração da Palavra de Deus,
podemos ser pragmáticos,
oportunistas políticos,
mas não seremos cristãos
que moldam a história.”
(11 de Novembro, 1979)
“Eu repito o que disse a vocês uma vez quando temíamos ficar sem uma estação de rádio:
O melhor microfone de Deus é Cristo,
e o melhor microfone de Cristo é a igreja,
e a igreja são todos vocês.
Que cada um de vocês,
em seu próprio trabalho, em sua própria vocação (…) cada um em seu próprio lugar viva a fé intensamente
e sinta que em seu ambiente
você é um verdadeiro microfone de Deus nosso Senhor.”
(27 de Janeiro, 1980)
“A violência que pregamos não é a violência da espada,
a violência do ódio.
É a violência do amor,
da irmandade,
a violência que deseja transformar armas
em foices para o trabalho.”
(27 de Novembro, 1977)
2010
Perguntas Difíceis
Neste mês de março no Projeto 242 iremos encarar algumas perguntas difíceis sobre a fé em Deus, em Jesus e nas Escrituras:
>Jesus é o único caminho para Deus? Acreditar nisso não seria uma arrogância exclusivista?
>É possível confiar na Bíblia? Não seria ela é apenas uma coleção de mitos, lendas e crenças culturalmente ultrapassadas?
>O inferno é real ou mitológico? Se for real, não é uma contradição com o conceito de um Deus amoroso?
>Se Deus é bom, porque existe sofrimento no mundo?
2010
O Sangue De Abel
Perdoa-nos, ó Deus!
Somos muitos e muitos e muitos
Semeando mais o mal do que o bem
Perdoa-nos, ó Deus! Pois o mal que semeamos
Tem se virado implacavelmente contra nós
Perdoa o sangue derramado
Sobre a terra desde Abel
Perdoa-nos, ó Deus!
Somos muitos e muitos e muitos
Semeando mais o mal do que o bem
Perdoa-nos, ó Deus! Pois o mal que semeamos
Tem se virado implacavelmente contra nós
Tem se virado implacavelmente contra nós
Perdoa-nos, ó Deus! Perdoa-nos… perdão
Perdoa-nos, ó Deus! Perdoa-nos… perdão
Perdoa o sangue derramado
Sobre a terra desde Abel
Junte, ó Deus, nossos ossos secos
Sopra a vida mais uma vez
Perdoa-nos, ó Deus!
Perdoa-nos… perdão
Nos perdoe, ó Deus
Pelo imperialismo, o nazismo, o comunismo,
O capital selvagem, impiedoso, inescrupuloso,
A escravidão… a religião…
Sempre querendo te domesticar
Te encaixotar, te fazer de empregadinho
Perdão, por tanto fariseu se dizendo filho teu
Que não convenceu, que só dividiu
Levando muita gente boa pro covil
Nos perdoe, ó Deus, pelo terrorismo
O holocausto, a pornografia, a pedofilia
A mentira!
O dinheiro mal adquirido e mal repartido
A discriminação racial, social, irracional
Nos perdoe, oh Deus
(Letra: Marcão/Fruto Sagrado; Arte: “Caim e Abel”, Simon Vouet e Pietro Novelli – Galleria Nazionale d’Arte Antica, Roma)
2010
Haiti nosso de cada dia

Há pouco mais de uma semana os olhos do mundo se voltaram para o Haiti, uma pequena ilha caribenha atingida por um terremoto devastador. Estima-se que 200 mil pessoas possam ter morrido, apesar de que o número exato de mortes demorará para ser computado.
Em meio a tragédia e sofrimento sem medida, temos assistido uma emergência de solidariedade imensa, vinda de todas as partes do mundo, para socorrer os soterrados, os feridos e mais de 1 milhão de desabrigados sedentos e famintos na Capital Porto Príncipe. Histórias emocionantes de resgate surgem a cada dia, como a de Anna Zizi, uma senhora de 70 anos, ou a de um bebê recêm-nascido de 23 dias, ambos resgatados com vida uma semana após o terremoto.
Tenho visto um grande número de cristãos respondendo nesta hora com paixão e urgência, o que é sem dúvida alguma animador. A maioria das respostas que vejo, no entanto, é de blogueiros e twiteros chamando pessoas para fazer doações (muitas vezes impensadas e que correm o risco de nunca alcançarem seu destino), denunciando as declarações tolas de Pat Robertson ou aproveitando o momento para falar mal de alguma pessoa, governo ou instituição.
Ainda assim, não conheço ninguém pessoalmente se manifestando no sentido de ir ao Haiti ajudar nas equipes de resgate (a maior necessidade logo após um terremoto), atender os feridos ou trabalhar na reconstrução que se seguirá nos próximos meses e anos. Estes são passos que exigem muito mais engajamento pessoal.
Entendo que nem todo mundo tenha condições de ir a Porto Príncipe. Mas não consigo deixar de pensar também nas tragédias negligenciadas no dia-a-dia, muitas delas bem próximas de cada um de nós. Fico pensando quantos blogueiros e twiteros que manifestam tanta paixão agora pelo Haiti, vivem suas vidas com a mesma paixão, entrega e abnegação no dia-a-dia? Quantos estão engajados em atividades missionais rotineiramente, de tal maneira que suas postagens sejam carregadas não somente de emoção politicamente correta, mas de autoridade de vida seguindo o Caminho de Jesus?
É trágico o que aconteceu no Haiti. Não tenho a intenção de minimizar a tragédia nem tampouco desencorajar os esforços humanitários neste momento de dor. O que gostaria, sinceramente, é que todos aqueles tocados agora, pudessem enxergar o Haiti nosso de cada dia e se envolver nele com a mesma intensidade quando as notícias deste terremoto se dissiparem como a névoa. Isso sim seria revolucionário…
2009
Quando tudo estiver dito e feito
Em nosso aniverário é comum pensarmos em muitas coisas. A letra abaixo foi uma reflexão pessoal e minha oração neste dia especial.
When it’s all been said and done
There is just one thing that matters
Did I do my best to live for truth?
Did I live my life for you?
When it’s all been said and done
All my treasures will mean nothing
Only what I have done
For love’s rewards
Will stand the test of time
Lord, your mercy is so great
That you look beyond our weakness
That you found purest gold in miry clay
Turning sinners into saints
I will always sing your praise
Here on earth and in heaven after
For you’ve joined me at my true home
When it’s all been said and done
You’re my life when life is gone.
****
Quando tudo estiver dito e feito
Há apenas uma coisa que que importa
Fiz o meu melhor para viver pela verdade?
Vivi minha vida para ti?
Quando tudo estiver dito e feito
Todos os meus tesouros não significarão nada
Somente o que eu fiz
Movido pelo amor
Passará pelo teste do tempo
Senhor, tua misericórdia é tão grande
Que Tu vês além de nossas fraquezas
Que Tu descobres puro ouro em barro lamacento
Tornando pecadores em santos
Sempre cantarei teus louvores
Aqui na terra e depois no céu
Pois uniste-me ao meu verdadeiro lar
Quando tudo estiver dito e feito
Tu és minha vida quando a vida acabar..
(letra de When It’s All Been Said And Done por Jim Cowan – tradução livre)
2009
A igreja ideal

Há muitos anos um grande amigo me emprestou um livro que me abençoou muito e que continuo voltando para suas palavras de tempos em tempos em minha jornada pastoral, buscando servir a Deus e Sua Igreja. Trata-se de Comunidade: Lugar do Perdão e da Festa. Abaixo estão algumas linhas onde Jean Vanier fala sobre a busca da comunidade ideal, perfeita.
Não devemos ir em busca da comunidade ideal. Trata-se de amar aqueles que Deus pôs ao nosso lado, hoje. Eles são o sinal da presença de Deus entre nós.
Talvez preferíssemos pessoas diferentes, mais alegres e mais inteligentes. Mas são estas que Deus nos deu e que escolheu para nós. É com elas que devemos criar a unidade e viver a aliança. Escolhemos sempre nossos amigos, mas não escolhemos nossos irmãos e irmãs: eles nos são dados. Assim é na comunidade.
Fico cada vez mais impressionado ao ver pessoas insatisfeitas na comunidade. Quando vivem em comunidades pequenas, gostariam de comunidades grandes, nas quais se é mais ajudado, há mais atividades comunitárias, onde se celebram liturgias mais belas e mais bem preparadas. Quando vivem em comunidades grandes, sonham com as pequenas, que lhes parecem ideais. Os que têm muito trabalho sonham com longos momentos de oração; os que têm muito tempo para si mesmos, parece que se aborrecem. Então, procuram desesperadamente uma atividade que dê sentido à própria vida.
Não é verdade que todos nós sonhamos com essa comunidade ideal, perfeita, em que estaríamos plenamente em paz, em perfeita harmonia, tendo encontrado o equilíbrio entre exterioridade e interioridade, na qual tudo seria alegria?
É difícil fazer com que as pessoas compreendam que o ideal não existe, que o equilíbrio pessoal e essa harmonia sonhada só chegam depois de anos e anos de luta e sofrimento, e que, mesmo assim, são passageiros, são apenas momentos de graça e de paz.
Não percam tempo buscando a comunidade perfeita. Vivam plenamente na sua comunidade, hoje. Parem de ver os defeitos que ela tem; olhem antes para os seus próprios defeitos e saibam que vocês são perdoados e que podem, por sua vez, perdoar os outros e entrar, hoje, nesta conversão do amor.
Será que não deveríamos pensar a ekklesia da mesma maneira que o texto acima? Não seria uma contradição buscar uma igreja perfeita quando estamos anunciando que a igreja é o lugar onde é proibido a entrada de pessoas perfeitas (usando as palavras do livro de John Burke)? Igreja são pessoas; se pessoas são imperfeitas, como podemos esperar que a igreja seja perfeita? Será que não estamos usando de desculpas para encobrir nosso ego e fugir da realidade que o problema verdadeiro pode estar dentro nós? Nós somos a comunidade, nós somos a igreja; será que os defeitos que enxergamos não são, na realidade, um reflexo de nós mesmos?
O fato é que precisamos desesperadamente aprender a amar…
2009
Não sou nada
Se eu souber perfeitamente a língua e falar como um nacional, mas não tiver o amor de Deus, não sou nada.
Se tiver diplomas e títulos e souber todos os métodos, mas não tiver o toque compreensivo do amor de Deus, não sou nada.
Se for capaz de questionar com sucesso as religiões e ridicularizá-las, mas se não tiver a atraente nota de amor de Deus, não sou nada.
Se tiver toda fé e grandes idéias, planos magníficos, mas não tiver o amor que sofre, sangra, chora, ora e intercede, não sou nada.
Se der minhas roupas e dinheiro e não amá-los, não sou nada.
Se desistir de todos os planos, deixar minha casa e amigos e fizer o sacrifício de uma carreira de missionário e depois ficar amargo e egoísta por causa dos aborrecimentos diários e das deficiências da vida missionária, então não sou nada.
Se puder curar toda sorte de enfermidades e doenças, mas magoar corações e ferir os sentimentos em nome do amor de Deus, não sou nada.
Se puder escrever artigos e publicar livros que recebam aplausos, mas falhem na transmissão da palavra de amor da cruz, não sou nada.
…se não tiver amor
Adaptação da tradução de 1 Coríntios 13 feita por um missionário pioneiro do sul da África (HIEBERT, Paul G. O Evangelho e a Diversidade das Culturas. São Paulo: Vida Nova, 2001. p. 273).
Encontrado no site da Missão Horizontes aqui.
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