Arquivos contendo o assunto:


Trinta anos se passaram desde que nasci de novo.

Era o dia 27/12/1981 e eu tinha aceitado o convite de minha mãe para assistir o culto de Natal em sua igreja. Após uma encenação do nascimento de Jesus, o breve sermão pregado pelo pastor tocou meu coração e minha mente. Não me lembro de tudo o que ele falou, apenas de ter dito que todos os onze discípulos restantes após a morte de Jesus, exceto um, morreram como mártires. Pensei: se aqueles homens estavam dispostos a morrer por sua fé em Jesus, então esta fé merecia minha total atenção. Não lembro se houve ou não apelo. De qualquer forma, não fui à frente e nem sequer levantei a minha mão. Mas meu coração queimava com uma certeza: Jesus estava me chamando para seguir seus passos. Ele conhecia minha vida, meus erros, minhas fraquezas, meus pecados ocultos. E me amava mesmo assim. Como responder a tão grande amor? Seria certo me acovardar, ficar com vergonha de ser identificado como “crente” por meus amigos? Não. Eu queria entregar toda a minha a Jesus. Queria segui-lo como aqueles primeiros apóstolos, queria amá-lo de todo meu coração e aprender a viver para Ele durante todo a minha vida. Nada mais além disso importava. Nada.

“Como um pensamento eu te encontrei
E me esqueci, me entreguei
Mas reconheci e firme segurei em tuas mãos, te fiz meu Rei
Meu triste sofrimento fez-se num lamento
De um modo muito estranho se acabou
Meu mundo de pavor reconheceu o amor
De um outro ser maior, de um Salvador
Chorei como criança quando percebi teu vulto ali a me olhar
Cerrei meus olhos como cerra-se o verão
Meu coração senti mudar
Parece que morri, morri meu mundo se acabou
Em mim uma mudança se passou
De novo revivi pra um mundo sem pavor
Um mundo onde Cristo é o Senhor…”
(Conversão – João Alexandre & Grupo Pescador, Contraste, 1984)

Trinta anos se passaram desde que eu decidi seguir Jesus. Estou mais convicto sobre minha decisão hoje do que naquele dia. Voltar atrás? Impensável. Para onde irei se só Jesus tem palavras de vida eterna? Minha vida tem sido tão rica nestes trinta anos. Não um tipo efêmero de riqueza que depende de valores e bens materiais. Mas uma riqueza que dinheiro não é capaz de comprar. “Sim, eu sou o homem mais rico do mundo!”, como canta Glenn Kaiser. Cada lágrima derramada, cada cânção aprendida e cantada, cada abraço e sorriso recebidos por gente estranha que, de repente, tornou-se irmãos e irmãs ao redor do mundo, cada experiência vivida nestes trinta anos me fazem sentir-se o homem mais rico do mundo. E o que eu tenho, ninguém pode roubar.

“Um dia eu acordei em meio a nada
Medo e desespero me cercaram
Pensei que a minha vida era vaga
Meus sonhos e castelos desabaram
Tentei então achar razão porque viver
No mundo procurei, não encontrei
E quando eu desistia, eu vi Jesus me amando
Tomei então sua cruz, e achei
Vida eterna…”
(Um Dia – Jayrinho, 1980)

Trinta anos se passaram. E seguir Jesus continua sendo para mim “o mais fascinante projeto de vida”. Não que eu O siga como Ele merece ser seguido. Meu coração continua desejando amá-lo acima de tudo. Todavia, vez por outra, encontro este enganoso e corrupto coração inclinando-se para o mal. Depois de tanto tempo, alguém pensaria que eu já tivesse alcançado a perfeição nesta jornada. Mas não, longe disto. A única perfeição é do Seu amor que nunca muda, nunca acaba, nunca me abandona. Quando mais busco com sinceridade, mas consciente fico de que é somente por Sua Graça que continuo firme em Seu seguimento depois de tanto tempo. Sua Palavra tem sido meu alimento. A oração é onde minhas forças são renovadas. Na adoração, meu foco é ajustado. Na comunhão dos santos, aprendo amor, fé e esperança. Na missão, encontro meu propósito nesta vida.

“Quem nos separará do amor de Cristo?
Será tribulação, ou angústia, ou perseguição,
ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?
Em todas estas coisas somos mais que vencedores,
por meio daquele que nos amou.
Pois estou convencido de que nem morte nem vida,
Nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro,
Nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade,
Nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar
do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”
(S. Paulo, Carta aos Romanos, cerca de 57 A.D.)

Trinta anos se passaram. E Ele continua fiel.


A Edições Vida Nova acaba de lançar em Português a obra Em Guarda (On Guard) de William Lane Craig. O livro é um verdadeiro curso de apologética cristã e, portanto, altamente recomendado nestes tempos de tanta superficialidade. Partindo da instrução de Pedro em sua carta (1 Pedro 3.15) para que estejamos preparados a responder a qualquer que nos pergunte sobre a razão de nossa esperança, William Lane Craig nos intima a um engajamento na defesa da fé em tempos em que a mesma tem sido cada vez mais questionada e até ridicularizada. Este engajamento é, no entanto, muito mais do nos tormarmos em cães-de-guarda doutrinários. “Podemos apresentar argumentos em favor do cristianismo sem nos tornarmos argumentativos, ou seja, briguentos”, explica Craig.

“Argumentar é apenas apresentar uma série de enunciados ou premissas que levem a uma conclusão. (…) Ironicamente, quem tem bons argumentos na sustentação de sua fé se torna menos inclinado a bate-bocas e a sair frustrado da discussão. (…) Se você tem boas razões para aquilo em que crê e sabe as respostas para as perguntas e objeções que alguém que não é cristão costuma fazer, não tem motivo para se exaltar. (…) Se você tem boas razões para aquilo em que crê, então, em vez de sentir raiva, sentirá compaixão genuína pelos perdidos, que em geral estão desorientados. A boa apologética envolve ‘falar a verdade em amor’.”

Segundo o autor, há três razões pelas quais os cristãos deveriam estudar apologética: para influenciar a cultura, para fortalecer a própria fé e para ganhar os incrédulos.

Doutor em Filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em Teologia pela Universidade de Munique, na Alemanha, William Lane Craig é bem preparado para tratar deste assunto com profundidade e, ao mesmo tempo, uma tremenda clareza (simples sem ser simplista). Conferentista internacional conhecido por suas participações em debates com ateus famosos como Sam Harris (The God Debate II em Notre Dame) e Christopher Hitchens (Does God Exists? em Biola), ele será preletor do 8º Congresso Brasileiro de Teologia Vida Nova em Março de 2012.

Num mundo onde cada vez mais encontramos pessoas confusas defendendo um relativismo baseado em sentimentos e opiniões pessoais, o cristão bem preparado tem condições de ser uma pessoa mais profunda, que pensa e, portanto, pode apresentar razões (não meros sentimentos e opiniões)  para sua fé.

Clique aqui para assistir um video do Jonas Madureira apresentando o livro. E se quiser conhecer mais de William Lane Craig, estes dois sites oferecem uma série de textos e outros recursos apresentados por ele: Reasonable Faith e Deus Em Debate.

A Edições Vida Nova gentilmente forneceu dois exemplares de Em Guarda para sorteio aos leitores deste blog. Portanto, todos que divulgarem esta postagem via FaceBook ou Twitter até as 23:59 do dia 14/12/2011 estarão concorrendo ao sorteio.

PS.: Quer aumentar ainda mais as suas chances de ganhar um exemplar? Então participe também da promoção no Voltemos ao Evangelho e no blog Cinco Solas.

Após minha conversão à Cristo, parecia impossível conciliar minha paixão pela música rock com minha fé cristã. Eu cheguei até a envolver-me com um ministério que era uma verdadeira caça às bruxas da música (principalmente do rock), tentando descobrir sinais ocultos nas capas, letras e até mesmo nas faixas tocadas ao contrário, que evidenciassem algum pacto satânico feito pelos artistas para controlar as almas de seus fãs. Me disseram que o rock era do diabo e, como eu não queria nenhum vínculo com o capeta, havia decidido não apenas ficar longe deste estilo de música, mas alertar outros de seus perigos. Até que, numa manhã de sábado do início de 1986, numa passagem de rotina pela livraria Betânia, descobri uma banda que iria revolucionar minha visão com relação a música rock: Petra.

Formada em 1972, a banda Petra gravou 23 discos (sendo dois deles ao vivo) até sua “aposentadoria” em 2005. Das suas quatro décadas em atividade, a década de 1980 foi sem dúvida seu período de maior sucesso, quando lançaram seus álbuns mais conhecidos: Never Say Die (1981), More Power to Ya (1982), Not of this World (1983), Beat the System (1984), Captured in Time and Space (1985), Back to the Streets (1986), This Means War (1988), On Fire (1989) e Petra Praise: The Rock Cries Out (1989).

No ano passado, Petra ressurgiu com a “formação clássica” dos anos 1982-1985: Greg X. Volz (vocais), Bob Hartman (guitarra) Mark Kelly (baixo), Louie Weaver (bateria) e John Lawry (tecladista que substituiu John Slick após as gravações de More Power to Ya e Not of this World).

Há muitas músicas do Petra que se tornaram companheiras de viagem em minha jornada de fé e já postei algumas delas aqui no blog. Mas foi Not of this World, meu primeiro encontro com a banda e minha reconciliação com o rock, que ficará marcado para sempre em minha história. Quando ouvi este disco pela primeira vez, queria saltar de alegria. Apesar de não conhecer nada sobre a banda (demoraria dois anos para que eu tivesse qualquer informação sobre quem eles eram) estava ali um disco de rock cujas letras eram claramente enraizadas na Bíblia.  Apesar dos temores de minha mãe e de irmãos da igreja preocupados com minha fé, eu sabia que o Petra era, de fato, uma banda cristã. Não havia dúvidas de que quem escrevesse canções como aquelas tinha de ser crente de verdade. Resultado: memorizei todas as letras. Hoje, 25 anos depois, ainda recordo boa parte delas.

Três faixas deste disco continuam me perseguindo durante todos estes anos, como se o Espírito Santo me fizesse lembrar delas, em momentos em que preciso recordar ou reafirmar suas verdades:

A primeira é a faixa título Not of this World que me lembra que sou peregrino aqui (Povo de Deus: povo missionário, povo peregrino):

Somos peregrinos numa terra estranha
Estamos bem distantes de nossa terra natal
A cada dia que passa fica mais claro
Este mundo nunca irá querer-nos aqui
Não somos bem vindos neste mundo do erro
Somos estrangeiros que não lhe pertencem
Somos estranhos, somos diferentes
Não somos deste mundo

Outra faixa que ficou em minha memória e que, de tempos em tempos, sou lembrado de suas palavras marcantes é Godpleaser:

Tantas vozes me dizendo para onde ir
Tantas escolhas vem daqueles que pensar saber
Há um caminho que parece certo ao homem
Mas apenas o conduz à morte
Quero seguir o caminho que conduz à vida
Até meu último respirar
Não quero agradar homens – quero agradar a Deus
Desejo apenas ter a sabedoria para discernir entre os dois
Não quero agradar homens – quero agradar a Deus
Desejo apenas fazer as coisas que agradam o coração do Pai

Grave Robber me cativou desde o início. Mas após a morte prematura de meu irmão mais velho aos 20 anos de idade em 1987, esta música se tornou uma canção que me faz lembrar da esperança de um dia nos encontrarmos novamente:

Há um passo que todos temos que dar sozinhos
Um encontro que temos com o grande desconhecido
Como vapor esta vida está aguardando para passar
Como flores que murcham, como a grama que seca
Mas a vida parece tão longa e a morte tão completa
E a sepultura uma poção difícil de enganar
Mas há Um que esteve lá e ainda vive para contar
Há Um que esteve tanto no céu como no inferno
E a sepultura se revelará vazia no dia
Jesus virá e nos roubará
Muitos ainda estão em luto e muitos ainda choram
Por seus amados que caíram no sono
Mas temos esta esperança,
ainda que nossos corações possam doer

Apenas um brado do alto e todos irão acordar
E na reunião de alegria veremos
A morte será engolida na doce vitória
Onde está o aguilhão, diga-me onde está a picada?
Quando o ladrão de sepultura vier como um ladrão na noite
Onde está a vitória, onde está a recompensa?
Quando o ladrão de sepultura vier
E a morte finalmente morrer

Todas as letra em em inglês se encontram aqui.