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Diversas fontes declararam que mais de 13 milhões de pessoas estão sendo afetadas pela pior seca e fome em 60 anos na região do Chifre da África. Mais trágico ainda, o número de pessoas à beira da morte subiu para 750.000 (última atualização, em inglês, aqui).

13 milhões de pessoas.

Como você consegue entender um número desses?

13.000.000

Comece com um.

O Programa Mundial de Alimentação, por exemplo, divulgou que eles podem prover uma refeição nutritiva para uma pessoa por apenas 0,17…

Tipo, dezessete centavos.

Estas estatísticas são impressionantes, mas ainda que não possamos remediar, consertar ou responder à situação total, devemos responder. Sou lembrado da sabedoria da Madre Teresa e cito:

“Se você não pode alimentar cem pessoas, alimente apenas uma.”

Com o passar dos anos, tenho me sentido desconfortável (e, às vezes, irado) com o que considero ser a linha divisória da exploração de imagens (e pessoas) usadas por organizações filantrópicas na solicitação de doações. Não que eu não entenda as realidades do sofrimento e pobreza extrema, porque eu sei com é. Já as vi muitas vezes com meus próprios olhos. Já segurei crianças em meus braços.

É apenas que elas são as únicas imagens que são mostradas…

E removem qualquer senso de dignidade humana…

Por isso, é com reserva que eu mostro a foto acima tirada por Tyler Hicks do NY Times no Hospital Banadir em Mogadishu, Somália.

É para pedir doações? Em parte.

Mas mais importante, é para dizer:

Caro Mundo, por favor, acorde!

Esta e outras imagens “piores” são reais e são de eventos reais acontecendo com pessoas reais agora mesmo.

Eu sei. Estamos todos fartos. Estamos todos preocupados com a economia, o orçamento, problemas em nosso próprio quintal, nossas finanças pessoais, nossas igrejas, etc. Caramba, já fizemos nossa parte no Haiti e Japão. Todos temos outros compromissos e causas. Pertencemos a outras “tribos” que trabalham em “outras” partes do mundo.

Eu entendo. Mesmo. Você está cansado. Estamos todos exaustos. Eu com você nesta.

Mas não confunda cansaço de doação com cansaço de compaixão.

Nunca deixe de se importar. Você não pode compreender o sofrimento sem o seu coração. Ainda precisamos responder a esta crise humanitária épica no Chifre da África que, de acordo com previsões da Oxfam, poderá crescer para afetar 15 milhões de pessoas.

Por favor, ajude.

Apoie sua organização “confiável” ou “favorita” ou organizações eficazes (através de ONE) que já estão lá. Há muitas por aí. Para aqueles que estão buscando parceria, aqui estão quatro maneiras de você se juntar a One Day’s Wages. Como sempre, 100% de suas doações (subtraindo as taxas do cartão de crédito) vão diretamente para as pessoas necessitadas. Você tem a minha palavra.

1. Empreste sua voz. Una-se a nossos parceiros de ONE e assine a petição para chamar governos e seus líderes para salvar milhões de vidas no Chifre da África e em outros lugares.

2. Doe o que você sentir compelido a doar. Talvez, um dia de seu salário (0.4% de sua renda anual) ou $17 (equivalente a 100 refeições) ou $170 (1000 refeições) de acordo com o Programa Mundial de Alimentação.

3. Se você faz aniversário nos próximos meses, crie uma campanha de aniversário pelo Chifre da África.

4. Mobilize. Comece um grupo de campanha em sua escola, trabalho, igreja, etc. Aqui está o exemplo de uma igreja que começou um grupo de campanha.

(Texto de Eugene Cho, um pastor que tem crescido em minha admiração. Original em inglês: Dear World: Please Wake Up! por Eugene Cho)

Com esta postagem iniciarei uma série  semanal nos próximos meses sobre artistas cujas músicas influenciaram bastante minha jornada cristã até aqui. Algumas destas músicas são como porto-seguro para minha alma – um local onde eu posso retornar de quando em quando e lembrar de coisas boas que alimentam minha esperança, minhas convicções e meu senso de vocação e chamado. Alguns destes artistas são brasileiros, outros de outras nacionalidades. A maioria são cristãos confessos, alguns não declaram publicamente sua fé.

Quero começar com o MILAD (sigla para Ministério de Louvor e Adoração), um grupo musical formado na década de 1980 por músicos profissionais que se lançaram num projeto missionário através da arte.

Foi em 1986 que ouvi o MILAD pela primeira vez, numa apresentação ao vivo do seu LP de estréia Água Viva (1985). Confesso que a música não me atraiu tanto. Naquela época,  a única música que me atraia era rock (quando mais pesado, melhor!). Por este motivo, o ritmo andino da primeira música “Todos os Que Procuram” não causou-me boa impressão e quase desisti de ouvir o restante. Ao mesmo tempo, letras sempre foram importantes para mim e as letras apresentadas pelo MILAD eram diferentes das que eu estava acostumado a ouvir nas igrejas (algo que se tornaria ainda mais evidente nos discos Retratos de Vida e Pra Cima Brasil). O que me cativou mesmo naquela noite foi a interpretação de “Pai Nosso” por João Alexandre. Quando o ouvi cantar, soube imediatamente que estava diante de um artista singular.

O MILAD lançou outros discos: Milad 1 (1986), Retratos de Vida (1987), Milad 2 (1988), Pra Cima Brasil (1990) e Milad 3 (1995). Estes discos trouxeram cânticos que foram cantados nas igrejas brasileiras por muito tempo, tais como Não Tenhas Sobre Ti, Água Viva, Conheci um Grande Amigo e Time de Deus.

Uma das canções mais marcantes e, provavelmente, a mais tocada em rádios cristãs que começaram a surgir no cenário brasileiro seria “Brasil”, composição de João Alexandre que se tornou um hino de uma geração de crentes despertando para realidades políticas e sociais do nosso país. O tempo se passou e ainda hoje esta música me comove quando a ouço:

Como será o futuro do nosso país?
Surge a pergunta no olhar e na alma do povo
Cada vez mais cresce a fome nas ruas, nos morros
Cada vez menos dinheiro pra sobreviver
Onde andará a justiça outrora perdida?

Some a resposta na voz e na vez de quem manda
Homens com tanto poder e nenhum coração
Gente que compra e que vende a moral da nação
Brasil olha pra cima

Existe uma chance de ser novamente feliz
Brasil há uma esperança!
Volta teus olhos pra Deus, o Justo Juiz

Mas foi “Retratos de Vida” lançado em 1987 que se tornou um dos clássicos em minha biblicoteca musical. Ainda hoje, passadas mais de duas décadas, este disco continua uma obra à parte na música cristã brasileira. Primeiro porque se trata de um disco conceitual, usando as ruas e a vida noturna de São Paulo como pano de fundo para sua poesia e melodia. Não me lembro de muitos álbuns conceituais na música cristã brasileira (tirando evidentemente as “cantatas”), portanto, isto já coloca “Retratos de Vida” num patamar destacado. Fora isto, a música é de excelente qualidade e totalmente contextualizada com o cenário apresentado por suas letras e temática. E tinha um rock paulista a la Titãs (Virada Radical) que escutei “até furar o disco”:

Tudo se inicia de maneira displicente
Sigo na rotina de uma vida dependente
Coisas pra queimar, lances pra cheirar
Um mundo colorido, mil mutretas pra inventar
Palavras repetidas dizem tudo novamente
Evidentemente de uma forma diferente
Minas, heroínas, transas coisa e tal
Eu precisava tanto uma virada radical

Em “Pobres ricos sem Jesus” o cenário muda para aqueles que dedicam sua existência na busca por riqueza somente para perceberem sua profunda pobreza interior que nenhum dinheiro acumulado e gasto com luxos e prazeres pode preencher:

Subiu na vida de avião, comprou até o que não quis
Cumpriu seus sonhos, sua paixão, daria tudo só pra ser feliz
Foi no horizonte procurar a fonte e o brilho do prazer
Na esperança de encontrar melhores dias pra viver
Mas como ser feliz? Onde encontrar a paz?
Coisas que tanto quis e não sentiu jamais
No coração

A faixa “Meninos de rua” chamava a atenção da Igreja Brasileira para os menores em situação de risco que começavam a crescer em número nas ruas das grandes cidades brasileiras:

Sua rua sua casa, sem carinho, os pés no chão
Olhos fundos, peso raso, nenhum pai, muitos irmãos
Desencontros e trombadas, desesperos, fantasias
Pesadelos quase sonhos, vida pobre às escondidas
De tão pobre a sem-vergonha, de criança a rejeitado
O coitado vagabundo que nem cuida do nariz
Sem escola, só na cola, tem consigo seus heróis
Camburões, faróis, algemas, desta vida que não quis
Sempre cada um na sua, sua rua seus caminhos
A procura de algo novo, bons motivos pra viver…

“Esquinas Cruéis” retrata a vida das mulheres que vendem seus corpos nas esquinas da cidade. As palavras desta música me vieram à mente muitas vezes ao sair com os missionários do Projeto Toque para ministrar nos prostíbulos no centro da cidade:

De longe se vê sua imagem, sua tatuagem, seu jeito de andar
Olhar de menina, corpo de mulher
pros homens um vício qualquer
Sem eira nem beira, de qualquer maneira
Se esconde entre brincos, colares e anéis
Escrava da sorte, esquinas cruéis
Conhece os normais e os doentes
de tão diferentes parecem iguais
Pois pagam seu preço, desfrutam seu corpo
confundem prazer com amor
No seu dia a dia a mesma agonia
vender pra ganhar pra chorar pra sofrer
Contrariando a vida pra aos poucos morrer
Você tem o preço mais alto e Deus lá do alto um dia já pagou…

As fotografias da vida urbana apresentadas em “Retratos de Vida” continuam sendo uma triste realidade e desafio tanto para a sociedade como para a Igreja. Como diz a frase na música “Meninos de Rua”: “Pois se Deus assim te ama é preciso a gente crer, que o amor de Deus é justo é há muito o que fazer…” Sem dúvida, há muito mesmo que fazer, sempre no espírito da oração: “Venha o Teu Reino, seja feita a Tua vontade, na terra como no céu.”

 

“If we forget yesterday, we’re bound to repeat it tomorrow…”
Stop the World/Extreme (1992)

O artigo Os Evangélicos e a Ditadura Militar na revista IstoÉ Independente desta semana é muito elucidativo sobre a postura da igreja evangélica brasileira naquele momento sombrio da história de nosso país. O texto pode ser visto como mais um ponto de apoio para aqueles que adoram criticar os evangélicos. Para isto, no entanto, será necessário ignorar que o mesmo não fala apenas do silêncio, apoio e, em alguns casos, cooperação com o governo militar por parte de evangélicos, mas também da resistência, prisão e tortura sofrida por evangélicos que não concordaram com a ditadura. Ou seja, antes de utilizar este texto para selar sua crítica mordaz contra a Igreja Evangélica, lembre-se de que foi desta mesma Igreja que surgiram as histórias de resistência narradas no texto. Como eu disse, o artigo da IstoÉ é muito elucidativo. Mas temo que muitos não perceberão isso e o lerão sob as lentes de sua ideologia apenas como mais um sinal para jogar pedras na Igreja Evangélica Brasileira.

Diferente do artigo da IstoÉ, muitas das ingênuas acusações que ouço sobre o apoio dos evangélicos à ditadura militar, dão-me a impressão que, não fosse o apoio destes, a ditadura não teria sido instaurada no Brasil. Mas fazer tal insinuação é ser ignorante do fato que os evangélicos representavam apenas pouco mais de 4% da população brasileira em 1964. Com certeza a ditadura não se instaurou por causa do apoio (ou do silêncio) desta minoria.

Se iremos praticar a mensagem que pregamos com tanto ardor no mundo pós-moderno e usar de um pouco de graça para com aqueles evangélicos que apoiaram a ditadura militar, é imperativo também que entendamos o ponto de vista deles . Para eles, a ditadura, embora indesejada, parecia melhor do que a ameaça do Comunismo (e a matéria da IstoÉ deixa isto bem claro na citação de Enéas Tognini). E o tipo de Comunismo que estes crentes temiam era um sistema de governo ateu e totalitário que sabe-se perseguiu, torturou e matou muito mais pessoas nos países onde assumiu o controle do que todas as vítimas da ditadura militar brasileira. Tal temor não justifica a cooperação com o governo militar e a denúncia que levou muitos de seus irmãos de fé para a prisão, tortura e morte. Mas, sem esta perspectiva, é impossível entender tais ações e fica muito fácil simplesmente atirar pedras.

Observando algumas reações ao artigo da IstoÉ, considero no mínimo irônico que muitos críticos dos evangélicos que apoiaram a ditadura militar sejam simpatizantes de Che, Fidel, Mao, Kadafi, Chávez, dentre outros “líderes revolucionários” (na verdade, ditadores). O que me faz pensar que não é a ditadura que eles realmente são contra, mas é contra a ditadura da direita (se for de esquerda, está valendo?). É por isto que acredito que precisamos tomar muito cuidado para não misturar o Evangelho com ideologia política, pois é desta mistura que têm sido projetadas as piores manifestações de Cristianismo na história.

Finalmente, quero deixar bem claro que sou contra a ditadura, de qualquer forma, sob qualquer circunstância. Sou contra governos totalitários sejam de direita, de esquerda ou de centro. Sou contra o uso da tortura, qualquer que seja a justificativa apresentada para o mesmo. Sou contra perseguir, aprisionar, matar pessoas por razões ideológicas, religiosas ou quaisquer que sejam.

Que possamos aprender com os erros do passado, para não repeti-los amanhã.